Todo domingo é mais triste com Geuvânio em campo

Mas claro, não é apenas de Geuvânio a culpa da atuação apática, triste e inofensiva do Flamengo neste último domingo.

Geuvânio, jogador do Flamengo - Foto: Alexandre Schneider/Getty Images
ESPN FC: João Luis Jr.

Talvez nenhum jogador represente a mistura de ostentação financeira, decepção técnica e pura confusão que vem sendo o Flamengo 2017 melhor do que Geuvânio. Vindo da China com um salário astronômico e uma breve disputa com o Santos, o atacante que em tese brigaria por posição com Éverton ou Éverton Ribeiro rapidamente deixou claro que não tinha condições de brigar nem com Berrío ou Vinícius Jr, se tornando no máximo uma opção, ao lado de Gabriel, para uma situação hipotética em que a CBF obrigasse o Flamengo a atuar apenas com jogadores cujo nome começasse com G, possibilidades essa que parece estranha mas não impossível se você conhece o futebol brasileiro.

Então dado que Geuvânio se mostrou pouco ou nada eficiente atuando em sua posição de origem, pelos lados do campo, diz muito sobre o estado de confusão que o Flamengo vive hoje o fato de que, contra o São Paulo, numa partida extremamente importante para a consolidação do Flamengo na zona de classificação para a Libertadores do ano que vem, Geuvânio não apenas começou como titular mas também atuando como centroavante, posição com a qual não está familiarizado e onde reforçou o tradicional ensinamento de que “de onde menos se espera é que não vem nada mesmo”

Mas claro, não é apenas de Geuvânio a culpa da atuação apática, triste e inofensiva do Flamengo neste último domingo. Começando pela escalação equivocada de Rueda, passando pela atuação fraca de ambos os laterais, pelas falhas de marcação que geraram os gols, pela incapacidade dos meias de articular jogadas e pela inexistência de alguma coisa que sequer lembre vagamente um ataque, o Flamengo mais uma vez se mostrou uma espécie de Robin Hood do Brasileirão, com a diferença de que o fora da lei das histórias roubava dos ricos e dava aos necessitados, enquanto o rubro-negro carioca dá pontos para os times que lutam contra o rebaixamento sem necessariamente tirar alguma coisa dos líderes do campeonato.

Esperamos coisa melhor para o duelo de quarta-feira contra o Fluminense pela Sulamericana? Claro. Com Diego e Guerrero provavelmente de volta ao time titular ganhamos em dinâmica no meio de campo e ao menos voltamos a ter um atacante de referência que já tenha atuado dentro da área em algum momento da vida, mas isso com certeza não resolve todos os problemas. Seguiremos com laterais fracos, seguiremos com volantes que não vivem exatamente sua melhor fase, seguiremos com uma equipe que parece disposta a jogar apenas uma partida por semana, tirando folga na outra, o tipo de aberração da lei trabalhista com a qual Michel Temer deveria estar mais preocupado.

E ainda que o Flamengo, independente do resultado contra o Fluminense, vá provavelmente se classificar para a Libertadores através do Campeonato Brasileiro, graças principalmente ao imenso número de vagas gerado por um G7 e pelo baixo nível técnico da competição, fica claro que o elenco que já foi considerado “um dos mais fortes do Brasil” precisa de muitas modificações se quisermos realmente brigar de verdade por títulos ano que vem e não apenas morrer na praia de maneiras mais ou menos ridículas, como fizemos esse ano. Geuvânio, o reforço de 500 mil reais mensais que contribui menos para o time que vários jovens recém-promovidos da base, é apenas mais um exemplo disso, mas com certeza não é o único.


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