Um Flamengo mal escalado e com baixa intensidade

Atuação tão fraca que até tira um pouco do peso do erro da arbitragem comandada por Rafael Traci ao validar o gol de Lucas Pratto usando o braço.

Geuvânio, atacante do Flamengo - Foto: Staff Images
ANDRÉ ROCHA: O campeão de 1970 e hoje colunista Tostão tem razão na crítica à valorização excessiva dos treinadores, no Brasil e no mundo. Em qualquer tempo, os grandes protagonistas são os jogadores, especialmente os capazes de lidar com situações imprevistas e, obviamente, os craques que definem jogos e campeonatos.

Mas em algumas ocasiões as escolhas e decisões dos comandantes são capazes de desequilibrar duelos, para o bem e para o mal.

Foi difícil entender o que Reinaldo Rueda queria com Berrío e Everton nos flancos e Geuvânio reaparecendo entre os titulares por dentro, fazendo dupla com Everton Ribeiro numa espécie de 4-2-2-2 que não se mostrou nada funcional.

Primeiro porque o Flamengo é um time moldado ofensivamente a partir do trabalho de seu pivô, seja Paolo Guerrero ou a improvisação de Lucas Paquetá. Sem ele, o que se viu foi uma equipe sem ideias, vivendo dos sprints de seus ponteiros e os cruzamentos que não encontravam uma referência na área adversária. Foram 16 nos primeiros 45 minutos, apenas um correto. Na maior parte do tempo, a área adversária ficou vazia.

Melhor para Dorival Júnior, que preparou sua equipe para enfrentar um Flamengo dentro do seu padrão, mesmo com a ausência confirmada do peruano camisa nove. Plantou Jucilei na proteção a Arboleda e Rodrigo Caio e fez a mudança no setor ofensivo que terminou de pender a balança a favor do São Paulo.

Cueva foi o ponta armador no 4-1-4-1 tricolor. Na maior parte do tempo saindo do lado direito para circular às costas de Cuéllar e Willian Arão. Sem maiores atribuições defensivas, já que Petros abria para ajudar Militão contra Trauco e Everton. O peruano era o grande articulador jogando entre as linhas espaçadas do adversário.

Um Flamengo mal escalado e novamente com baixa intensidade, displicente em um jogo do Brasileiro.  Desta vez pensando no Fla-Flu de quarta-feira, primeira partida das quartas de final da Sul-Americana. Apenas 42% de posse, uma finalização de Everton na direção da meta de Sidão.

Atuação tão fraca que até tira um pouco do peso do erro da arbitragem comandada por Rafael Traci ao validar o gol de Lucas Pratto usando o braço direito completando cobrança de escanteio e aproveitando desatenção de Rever. Vantagem que parecia questão de tempo, tal o domínio do time mandante no Pacaembu.

Superioridade consolidada com o segundo gol. De novo Cueva, mas aberto à direita para receber desvio de Militão após ligação direta de Sidão, chegar ao fundo com facilidade no setor de Trauco e colocar na cabeça de Hernanes. Quatro finalizações, três no alvo. Duas nas redes de Diego Alves.

Com Paquetá na vaga de Geuvânio, o reparo tardio na escalação inexplicável. E o Fla naturalmente teve mais posse, terminando praticamente empatado no controle da bola nos 90 minutos. Finalizou cinco vezes, com Sidão no final salvando cabeçada de Rhodolfo. Diego, poupado no banco para o Fla-Flu, até entrou bem no lugar de Berrío, lesionado.

Com Everton Ribeiro aberto pela direita, o Fla teve mais volume. O excesso de cruzamentos mais uma vez atrapalhou: 40, só dois executados com precisão. E faltou novamente a contundência do ataque ''arame liso'' em jogos mais parelhos.

O São Paulo viveu de contragolpes esporádicos, controlou espaços, finalizou só mais uma vez. Dorival sofreu outra vez com as limitações do elenco. As substituições pioraram o desempenho. Sorte do tricolor paulista, que respira na fuga do Z-4, que o jogo foi definido no primeiro tempo.

Resolvido pelas decisões dos treinadores. Desta vez o resultado pode ser creditado na conta do contestado Dorival Júnior e debitada na de Rueda. Tostão que me perdoe.

Em tempo: o gol de Pratto é um erro de arbitragem, como tantos outros no campeonato. O marcado por Jõ sobre o Vasco em lance semelhante causou mais polêmica pelo contexto. Ou seja, as declarações do atacante do Corinthians depois do fair play de Rodrigo Caio.


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