Bap nega ser elitista e revela papo franco com elenco do Flamengo

Eduardo Baptista revelou ter conversas francas com o elenco no período em que esteve no Clube, cobrando reciprocidade entre elenco e diretoria.

Grande responsável por parte da reestruturação do Flamengo na questão financeira, Luiz Eduardo Baptista acabou sendo rotulado como “elitista” por grande parte dos torcedores. Diante disso, o ex-vice-Presidente de Marketing do Rubro-Negro explicou algumas das suas atitudes quando ainda pertencia ao grupo de gestores que comandavam o Clube. Segundo ele, os preços praticados em relação aos ingressos na sua época era uma das únicas formas de tirar o Clube da “UTI”.

- O Flamengo não tinha lâmpada, papel higiênico, todas as rendas eram penhoradas... Não tinha dinheiro para absolutamente nada. E o que primeiro a gente tentou fazer foi trazer dinheiro pro Clube. Eu tive que ser duríssimo e tentar buscar dinheiro de quem tinha. E eu não me arrependo do que fiz, porque aquilo ali foi o início de uma arrancada sensacional e que ajudou o Flamengo a acelerar este processo. Eu admito e não tenho a menor dúvida disso, que aquela política num momento foi elitista, mas ela foi necessária. Porque o meu compromisso era entre o torcedor do Flamengo e o Flamengo sair da UTI naquele momento. Eu peço desculpas à Nação, mas eu acho que privilegiei o Flamengo. Se não fosse aquilo mesmo, eu não sei em que situação o Flamengo ficaria. Eu sempre disse que o maior patrimônio do Flamengo é a torcida, mas uma parte da torcida teve que sofrer um pouco naquele momento. E acho que um pouco deste sofrimento foi uma forma de “contribuição” que ela poderia dar naquele momento. Mas eu tenho a alma tranquila, porque no final daquele ano a gente conseguiu devolver pra cada um destes caras um título de Copa do Brasil, que não tínhamos há 7 anos. Um título de expressão, declarou à Rádio Flamengo.


Luiz Eduardo Baptista, o Bap - Foto: Divulgação


Ele ainda revelou que o contrato com a Adidas, quando assumiram a gestão do Flamengo, estava longe do acordado atualmente, destacando ainda a importância do dinheiro para o caixa na época.

- Pra quem acha que o contrato da Adidas estava fechado, era na verdade de R$ 12 milhões por ano e sem nenhuma bonificação. A gente conseguiu fechar por R$ 37,5 milhões, dos quais R$ 27 milhões eram em dinheiro e a Adidas ainda pagou R$ 62 milhões em Luvas. Este dinheiro ajudou para que a gente fizesse todas as renegociações de dívidas trabalhistas, e com isso diminuísse as penhoras do Clube. Então, o Clube que estava na UTI e passou a respirar por aparelhos. Depois veio a Caixa Econômica, a Peugeot, o Programa de Sócio-Torcedor... Naquele momento não tinha dinheiro para absolutamente nada. Eu dei aval pessoal para o Flamengo, Landim deu aval pessoal para o Flamengo... E a gente dizia que, se talvez não fosse rubro-negro, não emprestaríamos dinheiro pro Flamengo. Era um momento em que tínhamos que arrecadar dinheiro de quem podia, e na verdade o Programa de Sócio-Torcedor foi uma forma dessas maneiras.

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Bap chegou a admitir atitudes “elitistas” em certos momentos, mas sem mostrar arrependimento. Segundo ele, tal conduta foi necessária na época para a reconstrução do Flamengo, salientando também o título da Copa do Brasil ao termina da temporada.

- As pessoas falam do que eu fiz naquela época, mas consideram que eu fiz aquilo pra prejudicar quem não tinha dinheiro. Gente, eu fui torcedor de arquibancada a vida inteira, era uma coisa maravilhosa. Mas a realidade de 30 anos atrás mudou e o Flamengo precisava de dinheiro. E olha, nós saímos de R$ 5 milhões em receita com Bilheteria da Patrícia Amorim, em 2012, para R$ 51 milhões em 2013. Isso ajudou o Flamengo a renegociar um mundo de coisas, sair de dívidas há curto prazo. O Flamengo estava na UTI e no final de 2013 a gente foi agraciado com o título da Copa do Brasil, que foi o único importante desta gestão, muito em cima destes conceitos.

Sem o poderio financeiro atual, Eduardo Baptista revelou ter tido conversas francas com os jogadores, cobrando reciprocidade entre elenco e diretoria.

- A gente tinha pouco dinheiro, mas tinha união. Deixávamos claro que os jogadores seriam tratados na mesma medida. Eu disse para os jogadores algumas vezes, que “nós vamos fazer por vocês fora de campo exatamente na medida que vocês fizerem dentro de campo. Não acredito que vai ter migué, que vai ter dor na coxa quando exame de imagem não mostra isso. Jogar em Criciúma quando tem que pegar dois aviões, e de alguma forma sentirem dor e não quiserem ir. Olha, isso não vai voar com a gente. Ou nós estamos no mesmo barco, ou vai todo mundo morrer aqui”. E a gente acabou sendo campeão. E a maior lição que eu tive ali é que dinheiro é bom, mas que sem gestão e liderança não adianta de absolutamente nada. Às vezes você tem dinheiro demais, que não sabe o que fazer com ele, e dá no que está dando hoje. O que eu vejo agora, é que ninguém lembra que o Rio de Janeiro tem ingresso gratuito, meia-entrada, que é difícil o relacionamento com a PM - que não quer conferir na entrada do estádio quem está com carteira de estudante, idoso entrando de graça... Você vê uma porrada de rubro-negros com 40 anos dando migué dizendo que não trouxe carteira de identidade, mas você olha na cara dele e percebe que não é idoso pra pagar meia.

Por fim, ele criticou os altos custos para se jogar no Maracanã e a relação “obscura” entre o governo do Rio de Janeiro e a Odebrecht, atual concessionária do estádio.

- Um acordo obscuro do Estado do Rio de Janeiro com a Odebrecht, que hoje todo mundo sabe como foi feito, onde um segurança custava R$ 200 por jogo em Brasília e no Maracanã custava R$ 800. Uma renda de R$ 100 mil no Estádio de Brasília, sem fechar acordo de longo prazo, o Flamengo ficava com R$ 64 a cada R$ 100. No Maracanã, dos mesmos R$ 100, o Flamengo ficaria com R$ 37 se desse tudo certo. Era Governo de Estado jogando contra, todo mundo jogando contra, e o Flamengo precisando de dinheiro.

*Matéria de www.FlaResenha.com


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