Como ainda acreditar no Flamengo?

O otimismo está no DNA do torcedor rubro-negro, assim como ter asas está no DNA das aves.

ESPN FC: Por João Luis Jr.

A torcida do Flamengo é, por natureza, otimista. Impossível dizer se é uma característica natural do brasileiro e que se faz presente numa torcida de dimensões tão nacionais, se é algo do carioca que com o tempo foi transpirando para todo flamenguista ao redor do mundo, se é uma consequência automática de torcer para uma equipe que historicamente soube se mostrar guerreira mesmo quando não era capaz de se mostrar qualificada.

Everton reclamando de dor pelo Flamengo - Foto: GERALDO BUBNIAK/AGB


O flamenguista acredita, o flamenguista confia, o flamenguista espera. Cada derrota é apenas um obstáculo no inevitável caminho em direção ao sucesso, cada empate é uma glória que nos foi temporariamente negada, cada vitória é um passo rumo ao título mundial, mesmo se ela for uma vitória já sem muito valor numa rodada obscura de um campeonato onde não brigamos por nada. O otimismo está no DNA do torcedor rubro-negro, assim como ter asas está no DNA das aves.

Mas, ainda assim, por mais otimista que a torcida seja, por mais que sejamos capazes de acreditar que uma vitória sobre o Olaria com gol impedido de Iranildo poderia ser o primeiro passo rumo a uma final de Mundial contra o Real Madrid, não existe otimismo o bastante para permitir acreditar no Flamengo nesse ano de 2017. Uma equipe confusa, irregular, inofensiva, incapaz de ameaçar até mesmo o mais frágil dos adversários, o rubro-negro se tornou uma espécie de desafio constante para a capacidade do seu torcedor de ainda manter alguma fagulha de esperança em um ano que prometia ser mágico, mas rapidamente se mostrou incapaz de fazer desaparecer um mísero pombo que fosse.

Fomos eliminados da Libertadores de maneira vergonhosa na fase de grupos? Ainda existia uma Copa do Brasil, um Campeonato Brasileiro, uma Sul-Americana em que acreditar. Nos distanciamos dos líderes no Brasileirão? Copa do Brasil e a Sula seguiam firmes. Fomos eliminados da Primeira Liga pelo Paraná, um time de Série B? Ah, quem se importa com a Primeira Liga. Perdemos a Copa do Brasil para o Cruzeiro? Tudo bem, ainda existe a Sula pra garantir um título e o Brasileirão como plano b para a Libertadores. Mas agora que estamos em 7º no brasileiro, perdendo de equipes que lutam contra o rebaixamento, ainda é possível, racionalmente, acreditar no Flamengo?

Isso porque, diante das últimas partidas, das atuações da equipe, da sequência de resultados frustrantes e desanimadores, fica cada vez mais complicado acreditar em qualquer retorno para essa temporada. Um time que é incapaz de vencer do Coritiba, 14º colocado do Campeonato Brasileiro, e que sofre gol num cruzamento do lateral Carleto, parece propenso a vencer um torneio continental? Uma equipe que realizou um investimento milionário e manteve a base do ano passado mas está quase sendo ultrapassada pela Chapecoense, que perdeu grande parte de sua equipe numa tragédia histórica e precisou recomeçar do zero, parece ter potencial para se manter no G7?

E ainda que as respostas lógicas para essas duas questões obviamente sejam “não”, tudo que nos resta é acreditar. Acreditar que ainda possamos ter surpresas, acreditar que ainda existe brio e coragem nesse grupo, acreditar que o Flamengo ainda pode, na última hora, mostrar que 2017 não precisa ser um ano jogado fora. É improvável? Certamente. A tendência é que tenhamos apenas decepções? Cada dia mais. Mas, como eu disse, a tendência do flamenguista é ser otimista. Só passou da hora do Flamengo nos dar alguma razão pra isso.


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