Diego Alves vira liderança necessária no Flamengo

O comportamento, que poderia ser protocolar, é reflexo da liderança que o goleiro passou a exercer em tempo recorde no elenco rubro-negro.

O GLOBO: Minutos finais do primeiro tempo na Ilha do Urubu. Com o placar de 2 a 0 a favor do Flamengo, o zagueiro Rhodolfo cobra Felipe Vizeu por uma desatenção na marcação. O atacante não gosta, e a dupla rubro-negra se desentende, com movimentos de soco e testada do defensor. Antes que o clima ficasse mais pesado, o camisa 44 é contido por Diego Alves. A atuação do goleiro no caso seguiu em uma entrevista após a partida, quando minimizou o problema, argumentando que não havia sido a primeira e nem seria a última vez que dois companheiros de equipe se desentendiam em campo. O comportamento, que poderia ser protocolar, é reflexo da liderança que o goleiro passou a exercer em tempo recorde no elenco rubro-negro.

Diego Alves foi o último reforço do time para a atual temporada. Chegou em julho, quando buscava espaço na seleção brasileira e não tinha garantias no Valencia. Depois de ter suas redes sociais invadidas por rubro-negros, fez uma forcinha para acertar sua transferência — mostrando já ali que levaria a sério o compromisso com o Flamengo. Passados cerca de quatro meses e algumas crises, a relação se tornou ainda mais sólida.

Rhodolfo sendo segurado por Diego Alves no Flamengo - Foto: Reprodução
Em campo, Diego Alves usou sua experiência a favor do time já nas primeiras partidas. Era comum que, durante momentos de pressão dos adversários, fizesse sinal de calma para os companheiros e retardasse o reinício das partidas a fim de que os jogadores se reposicionassem em campo. Mas também soube ser duro. Após a derrota por 2 a 0 para o Palmeiras, em São Paulo, o goleiro declarou que os adversários ganhavam do time rubro-negro com "muito pouco" e cobrou concentração.

Há, claro, outros focos de liderança no elenco. O zagueiro Juan, de 38 anos, vê sua experiência refletida em campo. Mas a discrição que marcou sua carreira talvez o contenha. Também há bons exemplos vindos de Diego, de postura profissional mesmo em momentos de declínio técnico que lhe renderam vaias da torcida. Mas nenhuma liderança se mostra mais positiva, hoje, que a do goleiro.

Além do que oferece sob aspectos intangíveis, Diego Alves representa um ganho há muito tempo necessário do ponto de vista técnico. Cerca de dois meses atrás, o Flamengo perdeu nos pênaltis uma final de Copa do Brasil para o Cruzeiro, no que parece ter sido o último ato da desastrosa temporada de Alex Muralha. Tivesse em campo o camisa 1, especialista nesse tipo de defesa, o Fla ao menos teria tido chances diante do time mineiro.

Há mais uma chance de o rubro-negro salvar a temporada, com o título da Sul-Americana e a vaga na fase de grupos da Libertadores. Para tal, precisará jogar mais bola do que tem apresentado nas últimas partidas. Terá também que superar a apatia que tomou conta do grupo em momentos decisivos e se tornou objeto de crítica da torcida. Para a sorte do Flamengo, Diego Alves estará lá a fim de impedir que o trem rubro-negro saia dos trilhos.


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