É tão bom morrer de Flamengo e continuar vivendo

Flamengo me traz meu passado e as lembranças, coisas que eu quis ser e não fui.

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Por Vivi Mariano

O Flamengo tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim. Cheguei no Maracanã pensando nas vezes que fiz amor com o Mais Querido. 90 minutos de sexo animal. Ou aquela coisa morna, dos últimos tempos. 45 minutos de preliminares. Mais 45 de amor ardente. Ele insistindo no zero a zero. E eu querendo um a um. E trazendo as lembranças desses jogos que são nossos, cheios de experiências únicas, de situações mágicas, de resultados surpreendentes, de sonho, realidade, fantasia. O Maracanã é meu templo de amor. Vivo, sozinha, meus momentos de afrodite rubro-negra. Subo a rampa pensando, a cabeça e a diretoria cheia de problemas, não me importo, eu gosto mesmo assim. Quero aquele gol de falta para mim, guardar nas lembranças de vida. Foi o Zico. Foi o Pet. Foi o Diego. Foi a torcida.  Nós reagimos. Nós jogamos juntos. Nós fizemos amor na arquibancada. Acompanhei aquela bola da falta como meu último minuto de vida. Eu vivi aquela batida em câmera lenta. O Flamengo me traz meu passado e as lembranças, coisas que eu quis ser e não fui.

Torcida do Flamengo (Wallpaper) - Foto: Gilvan de Souza
Dois a um. E nós cantamos o HINO. Mas a revolta é inevitável. Um cara me olha e diz: “ESCREVE ISSO, porr*”. Suspiro. Fim do primeiro tempo. Já tô misturada de sentimentos. Quando a saudade bate forte. É envolvente. Eu me possuo. E é na sua intenção. Com a minha cuca. Naqueles momentos quentes. Em que se acelerava o meu coração. Encarar o corredor no intervalo do jogo com o Flamengo perdendo é desafiador. Aquela mistura de cheiros, emoções, reações, olhares. É um deixa viver. Deixa passar. E vem o filme. As lembranças. E a Copa do Brasil. E o “desistir” do Brasileirão. E as bananadas do presidente. As declarações aberrações de diretores, vice-presidentes, executivos, estagiários, o escambau. Vem a escolha única do lado. Vem o conformismo. A mesmice. O treinador de goleiro. Vem o corvo e não o urubu. Quando na fila do banheiro, um pai me pede pra acompanhar e olhar pela sua filha. Garanto a ele que cuidaria da  Giovanna. A mulherada com os nervos à flor da pele. O caos instalado. Ao sair com minha nova amiga de infância encontro o pai aos PRANTOS. Me assusto e pergunto se tinha acontecido algo.  Ele responde: “Tá tudo bem. Você não sabe o que eu vivi agora. Tanta coisa. Tanto sentimento.” Não é só Flamengo. Abraço o desconhecido. Enxugo suas lágrimas. Beijo sua filha. Sigo pensando no poder desse clube, dessas cores, desse time, dessa torcida, desse homem e de sua filha…tanto sentimento.

Saio do transe daquela situação despertada pelos gritos de “Dá porrada no Bandeira, Vivi”. “V i v i, p o r r a d a neles” , “Vivi, não esquece, mete a porrada no B a n d e i r a.” O resultado pune. Prometi continuar RESISTINDO ao discurso deles. Título é bom e nós gostamos. E queremos. E exigimos. Respondo: “VAMOS PRA CIMA”. Voltei pro meu lugar na arquibancada. E o fim do mundo chegou. Três a um. Correr atrás de dois gols em um clássico de mata-mata. Um bom momento pra Jesus voltar. E ELE voltou. Em forma de menino. De negro. De moleque. De Flamengo. Na hora que Vinícius Jr meteu aquela bola de três dedos no meio dos caras, e o Éverton Ribeiro fez AQUILO, eu já não lembro mais de nada. Foi  quando um torcedor  me puxa pra perto dele e beija a MINHA BOCA. Vale. Vale tudo. Vale o que o que vier.  Vem Flamengo, vem seguir comigo o meu caminho. E viver a vida só de amor. Em novembro de 2017.

A noite era nossa. E agora seu POVO pede o mundo de novo. O que nasceu 40 minutos antes do nada foi a torcida do Flamengo. Tinha chegado o momento em que eu não olhava mais pro campo, só para o lado, para a torcida, para as reações, o pranto. Um senhor de cabelos brancos passa mal. Entramos em pânico. O coração realmente não aguenta. Resistir é preciso. Ele se recupera. Falo com o acompanhante dele: “Leva ele daqui. Vamos explodir.” O senhorzinho riu, recuperado, graças à Deus. Ainda estava três a dois. Ele viu o empate e foi embora. Eu não vi mais nada. Apenas senti. Outro beijo do torcedor na minha boca, porr*! Aviso que aquilo já estava virando compromisso. E ele respondeu: “É um segredinho nosso”. NO MEIO DA TORCIDA DO FLAMENGO! Vejo os jogadores comemorando. Abraço tanta gente que não reconheço nem meu próprio irmão que me joga pro alto. Ah, Léo. Somos crianças de novo. Vamos brincar de tobogã na arquibancada de cimento? Vamos correr até a grade pra dar tchau para galera da Geral? Vamos comprar mate-leão? Desperto. É tão bom morrer de Flamengo e continuar vivendo.

Saio do Maracanã mas ele não sai de mim. Eu que sempre fui tão inconstante, te juro, meu amor, agora é pra valer. Caminho sozinha e vejo um casal de amigos voltando em silêncio, de mãos dadas. Imagino o que devem sentir os que vivem o amor pelo Flamengo JUNTOS depois de um jogo daqueles. Muito além do que eu posso ter. Escuto outro grito. “PORR* VIVIIIIIIIIIIII CARALLLLH*”. Respondo baixinho: “Não tenho mais idade”. Perto de mim um menino com seus amigos me olha nos olhos e rebate: Isso aqui é Flamengo, T I A. Fim.

Pra vocês,

Paz, Amor e Seremos Campeões.


Marcadores:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget