"Em minas, é 90% Flamengo e 10% Corinthians", diz Felipe

Em sua carreira revisitada, garante que não se arrepende da ida para Europa, tampouco lamenta não ter ido para a seleção brasileira.

R7: Por onde passa, torcedores de diferentes camisas ainda gritam: “Feeeliiipppeee”. Em Uberlândia para jogar o Campeonato Mineiro de 2018 e tentar voltar ao cenário nacional não poderia ser diferente. Goleiro campeão por Corinthians e Flamengo, Felipe nem bem chegou e já caiu nas graças da torcida, que também tem grande identificação com os clubes de São Paulo e Rio de Janeiro.

Foto: Divulgação
O Verdão do Triângulo Mineiro não tem o mesmo orçamento dos rivais Atlético e Cruzeiro. Mesmo assim, não deixa a desejar em termos de infraestrutura. Esse, aliás, foi um dos fatores que fizeram o goleiro campeão aceitar o convite para jogar na cidade – no Corinthians, conquistou a Série B (2008), o Paulista e Copa do Brasil (ambos em 2009); no Flamengo, levantou a Copa do Brasil (2013), além do Carioca (2011 e 2014).

“Vivi praticamente oito anos no auge, quatro anos de Corinthians, quatro anos de Flamengo, mas a queda foi muito grande também”, disse Felipe.

Aos 33 anos, Felipe confia na idade próxima a goleiros da Série A para realizar o desejo de voltar a um grande clube. Em sua carreira revisitada, garante que não se arrepende da ida para Europa, tampouco lamenta não ter ido para a seleção brasileira.

Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

R7: Como você está fisicamente?
Felipe: Estou bem, estou novo ainda. Quero fazer um bom Mineiro e voltar para o cenário nacional novamente. Nunca tive problemas de lesão grave, não tive lesão muscular. Meu corpo está apto a jogar e o principal é a cabeça. Quando você não está com a cabeça boa, não adianta o corpo não estar bem que as coisas não andam. E hoje acho que estou em um momento muito tranquilo. Estou bem disposto, como se fosse meu primeiro clube porque quero dar alegria para a torcida do Uberlândia que abriu as portas para mim.

R7: A estrutura do clube foi algo que chamou atenção?
Felipe: A estrutura do clube aqui é muito boa. Melhor que muito time. Tem o estádio, um centro de treinamento adequado. Gostei do que vi. Então, minha preocupação realmente vai ser só em jogar. O extra-campo dá essa condição de só entrar em campo e jogar. Quando você chega e sabe que, se machucar, tem uma estrutura para atender. Em Uberlândia, o médico do melhor hospital é médico do clube. Está todo mundo trabalhando e empolgado. A diretoria também é correta. Você sabe que não vão atrasar salários e por aí vai. A chance de dar certo é muito grande.

R7: O interior de Minas Gerais tem muita simpatia com times do Rio. Como foi sua recepção?
Felipe: A reação da cidade foi muito boa. Logo que houve o contato e a história se espalhou, principalmente nas redes sociais, muitos torcedores demonstraram um carinho muito grande: 90% da cidade é flamenguista, 10% é corintiano e eu joguei nos dois então foi uma recepção muito boa. Estou torcendo para que dê certo. Fazia tempo que não me sentia assim. Estou ansioso para chegar lá e fazer um bom Mineiro. Sei que tenho condições ainda de render bastante.

R7: Você acredita que ainda tem bola para jogar na Série A?
Felipe: O que me deixa animado é isso. Dos goleiros da Série A, pelo menos uns 12 ou 13 tem pelo menos a minha idade ou são mais velhos do que eu. Um goleiro preparado joga bastante tempo. Você vê o Fernando Prass em alto nível, o Magrão do Sport com 40 anos jogando para caramba ainda, o próprio Jaílson, o Sidão voltou a jogar bem no São Paulo. Então, a idade é detalhe. O importante é estar bem para poder render.

R7: Seu auge foi tão grande quanto sua queda? Por que você fala em recomeço?
Felipe: A gente sabe que a vida são altos e baixos. Vivi praticamente oito anos no auge, quatro anos de Corinthians, quatro anos de Flamengo, mas a queda foi muito grande também. Em dois anos, no Figueirense não joguei, no Bragantino fiquei seis meses bem e depois as coisas não saíram legais. No Boavista não foi como a gente esperava, então, falo em nova história porque ainda não acabou.

R7: As pessoas ainda gritam sem nome na rua?
Felipe: Até hoje, passo na rua e o pessoal grita “Feeeliiipppeee”. O pessoal ainda lembra daqueles bons tempos. Andei um pouco sumido, mas é a história que a gente tem. Jogar nas duas maiores equipes do País não é para qualquer um. E o mais importante: jogando. Não é ficar no elenco. Joguei nos dois, conquistei título nos dois. Então isso não é sorte. Posso e tenho muito para render ainda.

R7: Por que sua carreira não seguiu rumos de seleção brasileira?
Felipe: No momento, acho que tinham outros melhores. Não é porque você está vivendo um bom momento que você tem que ir para a seleção. Quando estava vivendo bom momento no Corinthians e no Flamengo, outros goleiros também estavam fazendo boas partidas também. Isso nunca foi uma obsessão para mim. Vejo hoje o Vanderlei por exemplo. Ele é um dos melhores goleiros do Brasil na atualidade, mas outros grandes goleiros estão em uma boa fase também. Nas minhas grandes fases, tinham outros grandes goleiros também.

R7: Você se arrepende de ter ido para a Europa quando poderia ficar em grandes clubes no Brasil?
Felipe: Eu joguei uma Champions. O Braga nunca tinha passado da pré-Champions e a gente conseguiu eliminar o Sevilla, foi uma festa na cidade, ouvi aquele hinozinho de quando começa as partidas, não sei se foi o momento certo, mas foi uma coisa que vivi e não vou esquecer.


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