Espanholização a caminho do futebol brasileiro

Como o Flamengo anda mal das pernas, ninguém está falando, neste momento, da espanholização do futebol brasileiro.

JORNAL DE BRASÍLIA: A Itália perdeu para a Suécia e precisará suar um bocado para não ficar fora da Copa do Mundo de 2018 – se isso acontecer, será a única seleção que já conquistou um título a ficar de fora.

O Peru empatou com a Nova Zelândia, na madrugada de ontem, e precisa de uma vitória simples para voltar ao Mundial depois de anos de ausência.

O que há de similar entre as duas situações? Aparentemente, nada.

Foto: Divulgação
Mas se formos analisar tudo o que cerca as quatro seleções…

A Itália e o Peru decidirão sua passagem para o Mundial em casa. Os peruanos certamente contando com o apoio total e irrestrito de seus torcedores, que lotarão o Estádio Nacional de Lima. A Azzurra também deverá contar com o estádio lotado, só que com uma avaliação crítica dos tifosi, irritados há tempos com as fracas atuações de sua equipe.

Nos dois casos os visitantes podem aprontar.

Os suecos explorando a tensão italiana. Os neozelandeses, a euforia dos peruanos.

Decadência

É claro que, com as partidas que faltam, muita coisa pode mudar.

Apesar de abrir a conversa deste domingo com esta frase, o colunista não pensa desta forma. Ou melhor: escreve porque, matematicamente, isso é real.

No meu interior, porém, não vejo muitas chances de alterações profundas no andamento do Brasileiro (dos “Brasileiros”), nestas últimas rodadas.

E, se na Série A o Corinthians luta (lutava, porque os demais estão tão indiferentes que o Timão vai levar de qualquer jeito o troféu) contra sua vontade de não ser campeão; na Segundona Internacional e América Mineiro estão brigando, estes sim, pelo título, na parte de baixo da tabela de classificação é que estão os sinais da decadência que dão o título à coluna de hoje.

Vejam, por exemplo, o que acontece na Série A.

A elite do futebol brasileiro é, cada vez mais, formada por clubes do Rio (normalmente quatro), São Paulo (cinco, seis, não menos do que quatro), Minas Gerais (normalmente dois) e Rio Grande do Sul (quase que excepcionalmente, neste ano, com apenas um, sendo habitual a presença de dois times).

Esse quantitativo dá um total de 12 equipes, em 20. Convenhamos que não é pouco.

Se levarmos em conta que o Paraná já conquistou títulos nacionais com Coritiba e Atlético, que este ano estão na Série A, teremos 14.

Os times do Nordeste, nesta temporada, marcaram presença com Sport, Vitória e Bahia.

Goiás tem um representante (que está caindo) e Santa Catarina, dois (um também encaminhado para o rebaixamento).

Se formos realizar um levantamento pormenorizado na Série B veremos que o Nordeste aumenta sua participação quantitativa (em 2017 são cinco equipes), mas não qualitativa – só o Ceará alimenta chances de acesso, com ABC, Náutico e Santa Cruz praticamente já rebaixados para a Série C.

O futebol pernambucano poderá ficar em 2018 sem time na Série A – o Sport vem tropeçando. E o rebaixamento do Leão rubro-negro de Recife irá “suprir” a ausência pernambucana na Série B com a quase definida queda do Timbu e da Cobra Coral. E estamos falando de um estado no qual os três times possuem estádio próprio e, de quebra, ganhou um estádio para a Copa do Mundo.

Situação semelhante ocorria (uso o passado porque, nas últimas rodadas, os dois reagiram) com a Bahia.

Houve um momento em que, na Série A, Bahia e Vitória corriam risco de rebaixamento.

Já imaginaram? Poderíamos, numa só tacada, perder os três representantes nordestinos na Série A?

Sem esquecer que não há um só time da região Norte na competição – o Centro-Oeste tem (tinha) o Atlético Goianiense, que não será substituído por ninguém da região.

No pouco espaço que possuo faço esta rápida análise para mostrar o quanto a discrepância de verbas advindas da televisão (principal trem pagador dos times do futebol brasileiro) está prejudicando o futebol brasileiro.

Como o Flamengo anda mal das pernas, ninguém está falando, neste momento, da espanholização do futebol brasileiro – para quem não se liga, “espanholizar” seria dar tantas verbas para poucos times que cada vez mais teríamos apenas duas ou três equipes brigando pelos títulos (como acontece por lá, com Real Madrid e Barcelona, de vez em quando incomodados pelo Atlético de Madrid).

Se os Brasileiros terminassem hoje, em 2018 teríamos na Série A os mesmos três nordestinos (trocando o Sport pelo Ceará) e, na B, a redução da força pernambucana (que receberia o Sport, perdendo Santa Cruz e Náutico). Sem Centro-Oeste na elite (o Vila Nova, de Goiás, não consegue deslanchar) ou Norte.


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