Flamengo finalmente mostrou que sabe ser mau

O importante é garantir que o Flamengo bonzinho e acomodado que vimos durante o ano tenha sim ido embora.

Diego vibrando com gol pelo Flamengo - Foto: Luciano Belford/ Agif/Gazeta Press
ESPN FC: Por João Luis Jr.

De todas as críticas ao Flamengo de 2017 - e não são poucas -, duas das mais frequentes eram sobre como o rubro-negro esse ano se mostrou um time, na falta de palavras melhores, “bonzinho” e “acomodado”.

Bonzinho porque é um time de poucas faltas, não afeito à violência, com jogadores disciplinados e que na maior parte do tempo se mostram bons moços, do tipo que se sua mãe, atualmente divorciada, desse um match no tinder, você pensaria “bem, tá aí um cara que parece de confiança, né?”. Já a acomodação, possivelmente uma das maiores queixas da torcida, vem do fato de que esse mesmo grupo não passava a sensação de se indignar com derrotas, se inflamar com gols sofridos, se revoltar com momentos negativos. Era um time que virava poucos jogos, buscava poucos resultados, deixava apenas o Paquetá correndo atrás da bola feito uma criança torturada no futebol do churrasco dos tios, enquanto parecia satisfeito com resultados que não eram em hipótese alguma satisfatórios.

Mas nessa noite de quarta-feira, durante o empate heroico que garantiu a classificação para a semifinal da Sul-Americana, o Flamengo foi tudo menos bonzinho. Bateu até quando não precisava bater, meteu dedo na cara, fez cera quando o jogo caminhava para o final e teve como principal símbolo um William Arão que não apenas fez o gol decisivo, como também quase chegou as vias de fato com o lateral Lucas, do Fluminense, e o convidou para resolver a diferenças depois do jogo, no que seria a primeira partida de futebol a começar com transmissão na tv aberta e terminar como um evento do Canal Combate.

E acima de tudo, o Flamengo não foi acomodado. Começou perdendo, buscou o empate na linda cobrança de falta de Diego e, mesmo quando o adversário abriu 3x1 e os torcedores em casa já começavam a consultar na internet as datas do Campeonato Carioca 2018, não desistiu. Foi buscar com Vizeu, em bonita jogada de Vinícius Jr e com passe brilhante de Éverton Ribeiro, empatou faltando 7 minutos pro fim na cabeçada de Arão, quase virou a partida num chute de Diego na reta final. Se essa Sulamericana fosse um filme de super-heróis, o nosso time estava disposto a ficar na sala até a última cena pós-créditos.

Isso fez a diferença. Numa noite em que não se mostrou tão brilhante taticamente e alguns jogadores estiveram longe de sua melhor forma técnica, o Flamengo se classificou por uma soma de brilho individual - o gol de Diego, o passe de Éverton Ribeiro, a entrada de Vinícius Jr que mudou os rumos do jogo - e vontade coletiva - Vizeu correndo para o meio de campo e chamando a torcida após fazer seu gol, Paquetá lutando por todas as bolas até o final. Numa temporada em que várias vezes o time pareceu abatido, desanimado, conformado, finalmente tivemos uma noite em que o Flamengo, tal qual um Rocky Balboa coletivo, mostrou que sabe, sim, apanhar e se levantar mais forte ainda.

Faltando agora 4 jogos até um possível título da Sulamericana e outros 7 até o fim do Campeonato Brasileiro, resta esperar que a postura, a coragem e a vontade de hoje continuem nas próximas partidas, que a lesão de Juan não seja grave, que Vizeu continue deixando seus gols e que Vinícius Jr não apenas se torne mais presente entre os titulares, como, se possível, alguém envie uma carta ao Real Madrid e aos pais do garoto pedindo para ele poder ficar no Flamengo até mais tarde, só mais uns 5 anos, não sei. O importante é garantir que o Flamengo bonzinho e acomodado que vimos durante o ano tenha sim ido embora, deixando no lugar dele um Flamengo mau e que não aceita outro resultado diferente da vitória.


Marcadores:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget