Flamengo passa pelo Cruzeiro em noite de Everton maestro

Para este fim de 2017 tão irregular é o que Flamengo necessita. Simplesmente ser eficiente e deixar maiores questões para a próxima temporada.

CHUTE CRUZADO: Pedro Henrique Torre

Talvez nenhum outro time no Campeonato Brasileiro tenha tamanha predisposição a sofrer a síndrome de médico e monstro como o Flamengo. Três dias depois de mudar a atitude dentro do mesmo jogo e ser derrotado pelo Grêmio, o time voltou a campo para uma atuação segura diante do Cruzeiro. Um conjunto mais ajustado, mais calmo. E com Everton em uma noite de estado de graça, assumindo até função de maestro. Com uma assistência e um gol do camisa 22, um 2 a 0 sem contestações na Ilha do Urubu.

Everton, atacante do Flamengo - Foto: André Mourão
Contestações que, de forma pertinente, encharcaram o noticiário da equipe depois do fiasco na Arena do Grêmio. Com muitos desfalques – conte aí Guerrero, Diego, Juan, Réver, Trauco – Reinaldo Rueda preferiu mandar a campo um time seguro, sem improvisações. Jogar 2017 sem ainda pensar em 2018. Diante disso Lucas Paquetá, enfim, atuou como meia, não atacante, sob o comando do colombiano. No 4-2-3-1, o menino era cercado pelos Evertons nos lados, com Vizeu à frente. Mas não estático. Não um time de totó. A troca de posições foi marcante. Paquetá para a direita, Everton Ribeiro ao centro. Everton ao centro, Paquetá na esquerda. O Cruzeiro sentiu.

Também indicado em um 4-2-3-1, o time de Mano Menezes tinha Rafael Marques mais à frente, mas também revezando com Alisson pelo lado esquerdo. Ocorre que como a bola era em maior parte do Flamengo, o time mineiro se fechava em boa parte do tempo deixando Thiago Neves e Alisson mais avançados, num 4-4-2. Tentava bloquear os lados do Flamengo, sempre muito fortes. Mas o time rubro-negro, nesta noite, não teve pressa. Ignorou pressões de fora do campo. E tocou a bola. Se estava ruim de um lado, tentava o outro. Da esquerda para a direita. Da direita para a esquerda.

O início do jogo era bem feito por Cuellar, que avançava até a intermediária acompanhado por Willian Arão, empurrando ainda mais o Cruzeiro para o seu campo. A troca de posições entre Paquetá e Everton Ribeiro confundia os volantes cruzeirenses, principalmente Lucas Romero. Não foi raro vê-lo acompanhando Everton Ribeiro mais ao centro e correndo para o lado esquerdo de sua defesa para tentar continuar na trilha do camisa 7. Mas, quando percebia, já havia deixado um buraco pelo meio e estava perdido. Everton Ribeiro recuara um pouco para começar as jogadas.

Com essa boa troca de passes o Flamengo abria espaço para infiltrações pelo meio, próximo à área. Arão e, principalmente, Everton se beneficiaram disso. E houve chances em arremates de fora da área, como o de Paquetá, salvo com um tapinha por Fábio. O Cruzeiro pouco – ou nada – ameaçava o Flamengo numa Ilha do Urubu vazia diante dos salgados preços de ingressos. Confortável, o time rubro-negro trocava passes, mas não perdia uma característica marcante: os cruzamentos. Abusava deles sem necessidade extrema. Mas foi nessa combinação de fatores que chegou ao gol: cruzamento e infiltração de um dos jogadores. Everton, no caso. Renê para Vizeu, que ajeita de cabeça. O camisa 22 para o gol. 1 a 0. Vantagem importante para a segunda etapa e que fez justiça a Everton.

Talvez seja o camisa 22 o jogador mais regular do elenco na temporada. Incansável no vaivém pelo lado esquerdo, em 2017 ele aparece com mais frequência na área e capricha em passes para gol. A boa atuação no primeiro tempo o deixou ainda mais confortável para a parte final. O Cruzeiro voltou com Sobis na vaga de Rafael Marques. Mas, no fundo, iniciou o segundo tempo apenas um pouco mais avançado do que no primeiro tempo. Um retrato bem parecido com a final da Copa do Brasil, principalmente na Maracanã. Um time com muito receio de atacar o adversário. Não se ouvia, por exemplo, falar de Thiago Neves, o responsável pela criação celeste.

Quase rouco à beira do campo, Mano tentou mudar o Cruzeiro. Sacou Robinho e Alisson pelos lados, pôs Elber pela direita, fez Sobis compor o lado esquerdo e deixou o jovem Jonata mais avançado. Pouco. O jogo era inteiramente do Flamengo. Ao contrário da partida contra o Grêmio, a equipe se fechava bem e saía com consistência para o ataque. Mais frio, mais cerebral, sem espaço para atitudes atabalhoadas como as de Pará no Sul. Prova foi uma jogada pouco antes da entrada de Vinicius Junior. Diogo Barbosa tentou atacar, foi desarmado por Renê, tocou em Everton Ribeiro. Em segundos a bola passou por Cuellar na direita, Paquetá ao centro e Everton, entrando na área, bateu de fora para boa defesa de Fábio. Flamengo mais leve, solto.

Com a entrada de Vinicius Junior na direita na vaga de Paquetá, Everton Ribeiro se inclinou ao centro, com Everton permanecendo na direita. Havia campo para velocidade. Ao trocar Everton por Rodinei, Rueda deixou claro que gostaria de explorar os lados. E a troca foi interessante. Everton passou ao meio, com Vinicius pela esquerda, Rodinei à direita. Do centro saiu o passe que tanto se exige de Diego e Everton Ribeiro em jogos na temporada. Mas foi de Everton. Onipresente, o camisa 22 aproveitou o contra-ataque e achou Vinicius Junior nas costas de Manoel, como um foguete. Com a alegria de moleque, o garoto mostrou frieza de veterano e bateu rasteiro diante de Fábio. 2 a 0.

Vitória segura e convincente de um Flamengo que vinha dialogando com o divã até domingo. O desafio, agora, é manter a consistência. Foi uma noite feliz de jogadores como Cuellar – um festival de desarmes e passes certos, sempre à frente – Paquetá, em sua posição original com leitura para segurar e fazer a bola a andar, e, claro, Everton. Centralizado por alguns minutos, soube enxergar de novo um companheiro em condições de finalizar. Noite, quem diria, de maestro do camisa 22, um jogador que pode não ter o futebol mais vistoso do elenco, mas preza pela eficiência. Para este fim de 2017 tão irregular é o que Flamengo necessita. Simplesmente ser eficiente e deixar maiores questões para a próxima temporada.


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