Flamengo: um título para controlar três crises

Não vai ser fácil, mas é a hora do Flamengo vencer por eles, pela torcida, por todos nós.

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Por mais que seja clichê, por mais que seja uma frase repetida periodicamente, por mais que ocorra com uma frequência quase tão grande quanto aquela com que serviam algum cozido suspeito no bandejão da sua faculdade, é inevitável dizer que vivemos mais uma vez uma crise na Gávea.

Quer dizer, não só uma crise. Na verdade vivemos, se você for reparar bem, três crises na Gávea.

A primeira delas, uma crise administrativa e até conceitual, diz respeito a uma diretoria que, apesar de uma brilhante gestão no aspecto econômico, se vê cada vez mais acuada no aspecto esportivo da coisa. Isso porque, apesar da estabilidade financeira, apesar dos bons patrocínios, apesar do excelente trabalho em termos de CT e até mesmo dos avanços em direção ao estádio próprio, o Flamengo segue, sob o comando do atual presidente, com apenas um título de expressão, a Copa do Brasil de 2013, num choque cognitivo entre o valor investido e o retorno esportivo alcançado pela equipe que aparentemente parece nos lembrar que o dinheiro, além de não comprar felicidade, não é nem mesmo capaz de contratar uns laterais decentes.

Protesto da torcida do Flamengo - Foto: Divulgação
Nesse cenário, e com uma eleição em 2018 já surgindo no horizonte, é mais importante do que nunca para essa diretoria conquistar ao menos um título de alguma relevância para não ficar marcada como o primeiro grupo a precisar levar um balancete positivo para a sala de troféus.

A segunda delas é uma crise de elenco. Criticado por todos os lados, carente em diversas posições e aparentemente num momento mais propenso ao Street Fighter do que ao Fifa Soccer, o grupo outrora considerado um dos melhores do Brasil se vê agora passando por uma prova de fogo. Ainda que uma barca pareça inevitável para o próximo ano, um título agora poderia não apenas garantir sobrevida para alguns jogadores no clube, como melhorar a situação dos que inevitavelmente ficarão, já que mesmo alguns dos que têm presença garantida em 2018 sofrem críticas fortes.

Fora que, num cenário apocalíptico em que o Flamengo perde a Sula, não se classifica para a Libertadores e jogadores como Vaz, Gabriel e Márcio Araújo seguem no Flamengo, qualquer jogo de primeiro turno do carioca já tende a se tornar um inferno de cobrança e desesperança, e não apenas porque todo jogo do estadual é mais ou menos assim mesmo.

E por fim, temos a situação de Rueda. Ainda que com apenas três meses de clube e trabalhando com um elenco montado por outro treinador, o colombiano já começa a ter suas decisões questionadas por certos setores da torcida e da imprensa, mostrando que, como bem explicou o atacante Carlinhos Bala, “a mão que aplaude é a mesma que vaia”. Um título continental já no início do trabalho serviria para aumentar a confiança no treinador e garantir até mesmo o respaldo necessário no clube para que ele realize mudanças no elenco para a próxima temporada.

Diante desse cenário, o título da Sul-Americana, que definitivamente não seria visto como prioridade no começo do ano, se torna uma espécie de tábua de salvação do Flamengo nessa reta final. A possibilidade de reafirmar o trabalho de uma diretoria em crise, de validar um elenco cada vez mais questionado, de garantir mais tempo para que o treinador recém-chegado mostre o que pode oferecer para o clube. E claro, dar algum tipo mínimo de alegria para uma torcida que aguentou durante esse ano níveis de constrangimento, vergonha e arrependimento que ninguém deveria precisar passar depois da sua primeira tentativa de chamar uma garota do colégio pra sair durante o ensino fundamental. Era um telefone fixo, quem atendeu foi o pai dela, vocês podem imaginar.

Não vai ser fácil, mas é a hora do Flamengo vencer por eles, pela torcida, por todos nós.


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