"Não tem explicação para dizer o que é o Flamengo", diz Cuéllar

Nas palavras de Cuéllar, a experiência que "vai ficar marcada no coração e na vida profissional".

GLOBO ESPORTE: Quando não está em campo e faz cara de mau até para a sombra, é o sorriso o que mais aparece no rosto de Gustavo Leonardo Cuéllar Gallego. O volante de 25 anos do Flamengo virou a unanimidade que muitos esperavam depois de início promissor de carreira na Colômbia.

Foi no empréstimo do Deportivo Cali para o Junior Barranquilla, adversário desta noite, às 21h45, no Maracanã, que ele se destacou e ganhou a chance de desembarcar no futebol brasileiro. Nas palavras de Cuéllar, a experiência que "vai ficar marcada no coração e na vida profissional".

Foto: Gilvan de Souza
Em entrevista ao GloboEsporte.com, o jogador do Flamengo contou um pouco do que se pode esperar do Junior Barranquilla, do estádio Metropolitano, "um inferno" pelo calor, umidade e tamanho do campo, do polêmico companheiro de seleção Téo Gutierrez e de seu momento no clube da Gávea.

Confira a entrevista com o volante rubro-negro.

GloboEsporte.com: Entre os estrangeiros, você é o jogador que melhor fala português e tem menos sotaque. Como aprendeu bem a língua? Estudou?

Cuéllar: Não estudei nada. As aulas foram aqui no CT, escutando, ouvindo, repetindo tudo que os caras falavam. Perguntando para Rodinei, que diz que me ensinou português. Acho muito importante isso, aprender o idioma, é fundamental para adaptação.

No início, Rueda disse que você o ajudou na comunicação com os outros jogadores.

Falei para ele, se precisasse de qualquer coisa, de tradução, que me falasse que ia tentar fazer com que ele se sentisse em casa. Todos aqui são muito profissionais, vão fazer esforço para te entender. Às vezes ajudava não só no idioma. Teve um jogo em que o Renê machucou e falei para ele que o Pará jogava também de lateral-esquerdo. Então foi algo que todos fariam por outra pessoa.

Rueda mudou seu rumo no Fla. Ele deixou claro que contaria contigo desde o início?

Só percebo a confiança que ele tem em mim. A confiança no futebol é tudo. Se você tem confiança e continuidade vai dar tudo certo. Com as qualidades do time, aqui no Brasil, você aprende muita coisa contra os jogadores que você enfrenta, com quem joga do lado. Vai aprendendo e se adaptando.

É seu melhor momento com a camisa do Flamengo, não?

Acho que é sim. Trabalhei muito para que, quando tivesse oportunidade, eu fizesse meu melhor. Ano passado não estava jogando e me preparava igual. Ano passado foi muito difícil para mim. Cheguei com expectativa muito grande, mas não consegui jogar muito e o time fez um grande campeonato. Agora é a minha vez e com certeza vou seguir trabalhando para melhorar jogo a jogo.

Você é responsável por quase 20% dos desarmes do Fla quando atua. É uma característica que o acompanha desde a base?

Mais novo eu jogava de meia adiantado, mas depois fui recuando. Quando cheguei no profissional eu já era primeiro volante. Tive que aprimorar o desarme. Hoje, minha primeira função é desarmar, tirar a bola do adversário. Depois, é importante também ter um bom passe para sair da marcação. Para tirar o time de trás com a bola no pé, dominada. Mas sempre foi qualidade minha desarmar. Vou tentar seguir melhorando jogo a jogo.

Você tinha noção do que encontraria no Flamengo?

Na verdade, não tinha noção. Não tem explicação para dizer o que é o Flamengo. A pressão aqui, quando não tem o resultado, é difícil de assimilar, entrar no campo e tentar fazer o melhor. Sempre é muita torcida a favor e quando você não vai bem, contra (risos). Nem todo mundo consegue jogar no Flamengo e se manter. Não é fácil. O Flamengo, com certeza, vai ficar marcado no meu coração e na minha vida profissional.

O que você pode falar desse Junior Barranquilla que vocês vão enfrentar?

É um time grande da Colômbia, que sempre briga pelos títulos. No último ano, eles fizeram grande investimento, principalmente em dois jogadores que estão fazendo a diferença no futebol colombiano agora, não só no Junior. O Téo Gutierrez e o Chará. Conheço muito bem eles. Joguei com vários que estão nesse time.

Você é de Barranquilla. Como é jogar no Metropolitano?

Joguei lá um ano e meio e é um inferno jogar lá. Se não está acostumado e não for inteligente para jogar, vai sofrer. Temos que pensar isso muito bem. Temos que planejar o jogo muito bem. O professor conhece o time, conhece a cidade. Então, é um time forte e vai ser difícil passar por eles. Se não se dedicar dentro de campo e fora também cuidando das coisas vai ser difícil. Se a gente quer o título temos que passar pelo Junior ser campeão.

Por que é um inferno jogar lá? A pressão da torcida?

A umidade de lá é diferente do Rio. Parece que o Metropolitano fica com o calor do dia. Joga 20h e sua como se estivesse de dia. Sai do banho e já fica todo molhado no aquecimento. O campo é grande, principalmente a umidade e o calor de lá é muito diferente.

Você conhece bem o Téo Gutierrez. O que pode falar dele?

Ele vai dar trabalho para a gente. Está mais velho, mais experiente, consegue correr o campo melhor. Algo que parece que acontece com o Juan, que parece que está em todo lugar. Ele não fica muito parado. Agora está jogando com o Chará, um ponta, então vai ser difícil por que não vamos ter uma referência. Ou fica no meio dos dois zagueiros, dos dois primeiros volantes ou sai pelo lado. Vai ser complicado marcar ele, mas temos que achar ele para marcar.

Além de bom jogador, ele é conhecido por alguns casos. Houve o episódio da arma no vestiário no Racing, casos de indisciplina... Como ele é? É meio doidinho mesmo?

Ele cometeu erros como todo ser humano. A idade vai dando maturidade. Acho que agora é um cara mais inteligente, mais focado no futebol. Ele cometeu erros com certeza, mas agora é um cara tranquilo. Na época do River se falou muito dele. Na Turquia também, quando eu estava na Colômbia escutava muita coisa, mas agora ele se centrou no futebol, na família. Está passando por bom momento. Ele é gente boa. Está mais calmo (risos).


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