Paulo Sérgio revela ter recusado Man Utd para ficar no Flamengo

Diante de tudo isso, pensa que podia ter aproveitado a primeira grande proposta de sua carreira, para defender o Manchester United.

BLOG 4-3-3: Os últimos tempos não foram dos melhores para o torcedor do Fortaleza. O clube amargou oito anos de angústia na Série C, batendo inúmeras vezes na trave ao tentar o acesso para a segunda divisão nacional. Neste ano, no entanto, a espera chegou ao fim. Paulo Sérgio, que defendeu as cores do Seongnam, da Coréia, na última temporada. Mesmo bastante rodado, o atacante não esconde a satisfação especial pelo acesso que, segundo ele, não pressionou o elenco em momento algum.

Foto: Divulgação
“Sensação única! Depois de tanto tempo sofrendo na Série C, podemos enfim marcar os nossos nomes na história do clube, conquistando este grande acesso que poucos esperavam. Nunca pensávamos no tempo que o clube estava na Série C, somente em realizar o nosso melhor na partida para conquistarmos a vitória”, disse o jogador.

Impressionado e agradecido com o apoio dado pela torcida do Fortaleza, Paulo Sérgio sabe bem o que é um clube de massa. Antes de fazer história pelo clube e rodar o mundo da bola, o jogador deu seus primeiros passos dentro do esporte bretão no Flamengo. Honrado pela passagem em seu time de formação, o atacante não esquece a primeira vez que pisou em campo entre os profissionais – o clima, segundo o jogador, era bastante parecido com o encontrado no Ceará.

“Não tem como esquecer a estreia numa equipe profissional, muito menos se tratando de Flamengo. Ficará guardada para sempre na minha memória, foi mágico! Era a realização do sonho de vestir a camisa de um dos maiores clubes do mundo. Acredito que exista alguma semelhança entre o Fortaleza e o Flamengo, pela quantidade de torcedores e o fanatismo deles. Realmente são torcidas diferenciadas”, relembrou.

Apesar das boas lembranças do passado e do gratificante momento, a carreira de Paulo Sérgio não se resume ao Rio de Janeiro e Fortaleza. Como dito no início do texto, o atacante também deu seus chutes na Ásia, mas, antes disso, passou pelo Estoril, de Portugal. Emprestado pelo Flamengo, Paulo gostou do período em que esteve na Europa, e pensaria com muito carinho na possibilidade de retornar ao país.

“Adorei Portugal. Se tivesse uma boa oportunidade para voltar, analisaria com imenso carinho. É um futebol com qualidade aliada a muito vigor físico. O país é muito bom para se viver e tudo funciona, e em função disso a adaptação foi tranquila! Tive apenas um problema com um treinador que me prejudicou no meu melhor momento. Resolvi chamá-lo, e também o presidente, para uma conversa e resolvemos que seria melhor eu retornar ao Flamengo, clube que detinha meus direitos”, contou.

No Brasil, mais problemas. Desta vez, não com treinadores. Muito falado em seus tempos de base, Paulo não teve a mesma atenção no profissional. Pelo menos é isso que pensa o atacante, que também enfrentou atrasos salariais e falta se sequência no time titular. Diante de tudo isso, pensa que podia ter aproveitado a primeira grande proposta de sua carreira, para defender o Manchester United.

“A maior dificuldade no Flamengo não era no vestiário, que aliás era bem tranquilo. Tivemos alguns problemas na época relacionados a atrasos de pagamentos, apenas, mas que sempre eram solucionados. O que mais lamento foi não ter tido sequência. Eles me valorizaram até a minha subida, depois me largaram de lado. Entretanto, são águas passadas, e desejo o melhor ao Flamengo. Estou muito feliz com o que conquistei até agora”, desabafou.

“Talvez, se soubesse que iriam me prejudicar no Flamengo, tivesse ido para o Manchester United. Porém, na época, por ser muito novo e não ter tido pessoas certas ao meu lado – a não ser meus familiares – acreditei em pessoas lá de dentro e perdi uma grande oportunidade na minha vida. Rafael e Fábio, os gêmeos do Fluminense, conseguiram ir. Porém, eles tinham em volta quem se preocupasse com as suas carreiras. No meu caso, pediram muito e prometeram coisas que não foram cumpridas. Certamente hoje eu agiria de maneira diferente da que optei na época”, completou Paulo Sérgio.

Depois de defender as cores do Náutico, Operário, Paraná, Avaí, Dubai e Criciúma, o atacante aceitou um de seus grandes desafios até aqui: jogar na Coréia. No país, atuou por Daegu e Seognam e, apesar das dificuldades com idioma, tirou muitas coisas positivas do período.

“Já sabia por outros jogadores que era um país maravilhoso e ótimo também no aspecto profissional. Quando recebi a proposta, abracei e resolvi ir bastante focado em arrebentar para que eu pudesse abrir uma boa porta, e assim aconteceu. Adaptei-me bem, pois tinham outros brasileiros na equipe e isso sempre ajuda. Embora a comunicação fosse em inglês com os coreanos, até que deu para aprender algumas coisinhas na língua local! A experiência foi ótima”, ressaltou.

Mais maduro depois da experiência, retornou ao Brasil neste ano para ajudar o Fortaleza na missão do acesso. Mesmo com um time mais desacreditado do que em outras campanhas, o Leão do Pici subiu na base da humildade, como gosta de frisar o atacante. Agora, já apaixonado pelo clube, a intenção é permanecer e auxiliar também na tão sonhada Série B.

“O segredo foi termos humildade, trabalharmos muito e confiarmos em nós mesmos. Desde quando cheguei vi que era um grupo muito bom de trabalhar. Havia uma união genuína e isso ajudou muito na nossa caminhada. No futebol quando existe a “tal” da vaidade, muitos problemas acontecem. O grupo era muito aguerrido e todos tinham em mente que esse acesso seria importantíssimo para a carreira de cada um, para o clube, seus funcionários e seus torcedores. Quem joga, ou já jogou no Fortaleza, sabe que é muito difícil não aprender a amá-lo. Espero permanecer nesse gigante!”, analisou.

“Fico feliz pela oportunidade, agradecido e espero que tenham muito sucesso. Obrigado por me acompanharem e torcerem por mim. Espero permanecer no Fortaleza e torço para que essa seja a vontade de Deus também. Um grande abraço a todos”, finalizou.

PERGUNTAS DE NOSSOS LEITORES:

Thiago Souza – Em 2013, você fazia parte do elenco do Paraná que passou boa parte do campeonato no G4 mas acabou não subindo por uma queda de rendimento no 2° turno. Os problemas financeiros vividos pelo clube na época foram um dos motivos pra essa queda de rendimento?

Se você analisar aquele elenco de 2013 do Paraná, talvez veja que será muito difícil montarem um igual. Era um time qualificadíssimo e que se preparou muito para alcançar o acesso, mas infelizmente nos momentos decisivos sofremos o que vários elencos anteriores também sofreram, a falta de salários. E não subimos apenas por dois pontos. Mas hoje estou na torcida para que eles conquistem o acesso, tenham reconhecimento e acertem suas contas. Comigo principalmente, risos. Tenho um carinho pela torcida e pela maravilhosa cidade, pois são coisas distintas. Mas de fato, a presidência não foi correta conosco.

José Vitor C. Garcia – Qual o melhor jogador que já jogou junto?

Graças a Deus pude atuar ao lado de  grandes jogadores, principalmente nos tempos de Flamengo. Difícil escolher um, pois atuei ao lado de nomes como Juninho Paulista, Roger, Kleberson, Ronaldinho Gaúcho, Vágner Love, treinei com Adriano… Enfim, jogadores consagrados. Em outras equipes também, mas como só pode ser um, fico com o saudoso Cleber Santana. Além de um gigante dentro de campo, fora dele era um ser humano diferenciado. Ainda sofro com a ausência dele. Espero que esteja num lugar de paz.

Victor Martins – Qual a relação com a mídia de um jogador de um time popular, mas que está na série C? Cobrança, incentivo, descaso?

Não tenho problemas. Há alguma cobrança quando não se tem bons resultados, mas vejo reconhecimento quando eles surgem. Na verdade, procuro sempre fazer o meu melhor e deixar para que eles avaliem.

Felipe Leite – O clássico entre Avaí e Figueirense, em 2014, com vitória e gol na estreia, foi o melhor da sua carreira?

Todo clássico tem seu charme e sua importância. São os melhores jogos para se atuar e os que te dão a maior chance de entrar para a história do clube. Com certeza esse clássico está guardado com muito carinho na minha memória e na de muitos torcedores avaianos, até por ter sido na casa do Figueirense. Fiquei extremamente feliz de ter sido coroado com o gol da vitória. Tenho um grande carinho pelo Avaí e minha esposa se tornou torcedora do clube. Para onde vamos, ela sempre está acompanhando a equipe.


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