Rhodolfo exalta grandeza do Flamengo: "Conhecido mundialmente"

Até no meu próprio clube lá fora (Besiktas-TUR), quando falava de times do Brasil, o primeiro que lembravam era do Flamengo.

GLOBO ESPORTE: Rhodolfo chegou há quase cinco meses ao Flamengo, mas já sentiu como é jogar no clube. O zagueiro já entendeu que a euforia e a pressão são separadas por uma linha tênue. Neste pouco tempo, já teve de quase tudo. Lesão, troca de treinador, vice-campeonato de Copa do Brasil (da qual ele não participou) e a recente classificação sofrida sobre o rival Fluminense.

O zagueiro rubro-negro conversou com o GloboEsporte.com nesta sexta-feira, no Ninho do Urubu, e passou a limpo tudo o que já vivenciou no time, inclusive o lance curioso com o atacante Marcos Júnior no Fla-Flu da última quarta-feira.

Rhodolfo comemorando classificação com a torcida do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
Rhodolfo falou também sobre a Copa Sul-Americana, título que resta para o Flamengo brigar na temporada. Em 2012, ele foi campeão pelo São Paulo e lembra das dificuldades diante de times estrangeiros. O zagueiro também falou sobre a adaptação com Rueda, citando a ''arrumada'' do colombiano no sistema defensivo.

Confira o bate-papo na íntegra:

Voltando ao Fla-Flu: sobre um lance que a torcida vem falando bastante, que foi com o Marcos Júnior. Após uma entrada sua, a reação dele chamou atenção. Como foi isso?

No calor da partida, a gente acaba dando uma entrada mais dura no adversário, mas falei até depois para o Dourado, que tentei ir na bola, só que no impulso às vezes acaba pegando o companheiro. Mas não foi na maldade.

Na pilha do jogo, tentando entrar o mais forte possível na bola, e acabei pegando um pouco nele, mas a cena que ele fez também foi gigante, não precisava de tudo aquilo. Depois, ele saiu andando normal. Mas acho que faz parte do futebol, faz parte de um clássico, do tamanho que é o Fla-Flu.

Havia um certo incômodo dos jogadores do Flamengo em relação a ele por causa da entrada no Réver na semana anterior?

É difícil a gente perder um jogador igual o Réver. Nosso capitão, um cara que é muito forte no grupo, que gosta muito dele. Acho que o jogador não vai para machucar o outro. Pelo nível do profissional, pelo o que eu conheço o Marcos Júnior, ele não iria fazer isso.

Acho que no jogo foi dividida normal. Os dois times precisavam muito dessa classificação, então é normal uma chegada mais forte. Futebol é isso aí, a gente tem que tentar fazer um espetáculo para a torcida ver, jogar um futebol bonito, a gente correu atrás e conseguiu alcançar o nosso objetivo.

Ainda falando do Fla-Flu... Quando saiu o terceiro gol, a gente viu o Diego Alves empurrando todo mundo para frente, vocês conversando entre vocês. O que a gente não ouviu? Qual foi a conversa que vocês tiveram quando saiu o terceiro gol?

Eu e Diego conversamos bastante. O Juan também, Pará... A gente tenta passar confiança para o grupo, porque nosso time tem vários jogadores jovens, até ali na parte ofensiva, e se a gente demonstrar preocupação e nervosismo, isso passa para a garotada. Levamos o terceiro gol e a torcida não parou de cantar em nenhum momento. Nós, jogadores, sentimos isso. Sentimos que precisava um pouco mais de cada um, para a gente buscar o resultado. A torcida foi o nosso décimo segundo jogador, empurrou do começo ao fim, apoiando, e o time inteiro foi para cima e conseguimos a classificação.

Sobre sua adaptação ao Flamengo. Você chegou em um momento em que houve uma expectativa grande, principalmente depois do clássico com o Vasco, depois teve um momento difícil, que foi a saída do Zé Ricardo. Como foi isso desde então?

Minha adaptação aqui foi muito rápida, pelo fato dos jogadores me acolherem muito bem. Já comecei jogando rápido. Consegui adaptar rápido, fazer bons jogos, e agora, sendo titular, tendo uma sequência é muito importante para eu poder estar evoluindo.

Também teve um momento difícil, né? A saída do Zé Ricardo, os resultados não apareciam, vice da Copa do Brasil... Deu para sentir a pressão de jogar no Flamengo?

Antes eu já sabia a pressão que era. Vim para o Flamengo sabendo que a responsabilidade era gigante, pelo peso que a camisa do time representa. Até no meu próprio clube lá fora (Besiktas-TUR), quando falava de times do Brasil, o primeiro que lembravam era do Flamengo. O Flamengo é conhecido mundialmente. Estou muito feliz aqui.

Aqui no Rio, onde você vai, só tem flamenguista. A pressão já começa no prédio, você chega na portaria e os caras já começam a cobrar a gente (risos). Só que isso é muito gostoso, fico imaginando como vai ser comemorar um título aqui. Acho que a cidade vai parar se a gente for, se Deus quiser, campeões dessa Sul-Americana.

No Brasil, você também jogou por São Paulo, Atlético-PR Grêmio, que são camisas de peso. Então ente que no Flamengo é diferente?

No Flamengo é diferente. A pressão no Flamengo é no mundo inteiro. Sou do interior do Paraná, vim de uma cidade minúscula, a família torce para o Flamengo, os amigos, ainda tem a parte do Cartola, tem que ir bem sempre, a pressão acontece até em casa. Minha filha de cinco anos está pedindo um gol para mim já faz tempo, eu falo para ela que para defender já é difícil, imagina para fazer um gol... (risos).

Você, por onde passou, fez gols, mas aqui no Flamengo ainda não aconteceu. Sente que pode vim nesses momentos decisivos do fim do ano?

No São Paulo fiz bastante gol, no Atlético-PR também, só que infelizmente ainda não sau o gol aqui. Estou chegando perto, o Sidão, do São Paulo, fez um milagre lá. Mas quando sair o primeiro, vão sair mais. Estamos treinando bastante bola parada para ver se consegue sair um golzinho.

Você chegou depois e não pegou a eliminação da Libertadores. Em 2012, você ganhou a Sul- Americana. Apesar de não ter sido uma prioridade do Flamengo no começo da temporada, mas agora se tornou. O que pode falar da competição?

A gente fica triste por não ter jogado a Libertadores. Mas a gente sente a tristeza dos jogadores no dia a dia, porque dava para a gente chegar, pelo elenco que nós temos. Infelizmente, não aconteceu, mas chegamos na final da Copa do Brasil. O título não veio, é um campeonato muito difícil de se chegar. Agora, o Flamengo pode ter mais uma final, da Sul-Americana, um campeonato extremamente dificil também.

Fui campeão pelo São Paulo. A gente fez vários jogos de muita emoção, jogos difíceis. Uma final polêmica contra um time argentino, é difícil jogar lá. Nosso time apanhou o primeiro jogo inteiro. No segundo jogo, acabou porque não teve segundo tempo, eles arrumaram briga. Então, é um campeonato difícil. A gente pode chegar em mais uma final, estamos lutando, mas tem o Brasileiro pela frente também, agora só tem pedreira. A gente fala com os jogadores que, agora, cada jogo temos que tratar como uma final.

O Flamengo, ultimamente, tem tido dificuldade justamente nisso que você falou, no mata-mata contra os gringos. Que tipo de experiência você pode passar para o grupo?

Nesses três últimos jogos, o que a gente fez dentro de campo, não só na parte técnica, mas também a raça que o time mostrou, que a torcida tanto pedia. A gente estava tentando colocar isso em prática. Um pouco de cada um, que demos nesses três jogos, tem que ser até o final da competição. Na Sul-Americana, os times de fora jogam muito forte, então temos que ter essa pegada. Qualidade nós temos de sobra, mas temos que colocar isso em prática, do começo ao fim.

Sobre o Grêmio, equipe que você defendeu também há alguns anos. O que pode falar desse encontro? Você que trabalhou com o Renato Gaúcho...

Já joguei algumas vezes contra o Grêmio, mas jogando por outras equipes. É um time muito forte, difícil de ser batido, mas já joguei pelo Grêmio contra o Flamengo, e também é muito difícil. Onde o Flamengo vai, as equipes respeitam muito. Minha última partida (pelo Grêmio) foi contra o Flamengo, acabamos perdendo de 1 a 0, um jogo muito difícil, mas tiveram chances para os dois lados.

O Renato Gaúcho me levou para lá em 2013, joguei dois anos lá, fui muito feliz. Infelizmente, não ganhei nenhum título por lá, mas é uma torcida que apoia muito, que cobra bastante também. Não tem a proporção que a do Flamengo tem, mas é uma torcida que sempre vai ao estádio, sempre empurra o time, e eu conheço mais da metade dos jogadores lá, tenho muita amizade, mas domingo temos que ir para ganhar.

Já falou com algum? Alguém já mandou mensagem para você?

Eu falo bastante com eles. Tenho muita amizade com o Geromel, Ramiro, Luan, Maicon... São grandes amigos meus, que estamos sempre conversando. Até quando eles vêm jogar aqui, sempre faço uma visita. São grandes amigos e grandes jogadores. Vai ser difícil segurar a rapaziada, mas nosso elenco é bom e vamos para ganhar.

Sobre Rueda. É diferente ter um treinador colombiano trabalhando aqui no Brasil, tem a questão da língua, conhecimento dos jogadores... O que já dá para falar do estilo do Rueda?

Um cara que o grupo recebeu muito bem. Um cara que pergunta muito para o jogador. Como ele chegou há pouco tempo, ele procura perguntar algumas características dos times, de alguns jogadores. É bom porque ele deixa a gente falar bastante com ele, tem essa abertura.

Um cara de experiência internacional, passa muita coisa para a gente. Deu uma arrumada no sistema defensivo. A gente parou de sofrer muitos gols. A comissão técnica dele também tem muita experiência, está ajudando nós a cada dia, a cada treino, sempre um conselho ou outro, então deu uma evoluída boa com ele.

Voltando um pouco para a Sul-Americana... Já que você está falando do Rueda, ele conhece bem esse time do Junior Barranquilla, rival na semi. Ele já chegou a passar alguma coisa para vocês?

O Cuéllar, que jogou lá, foi quem passou algumas coisas de alguns jogadores. Eu também joguei contra alguns. Assisti ao jogo deles ontem. Um time bom, time que tem jogadores rápidos, jogadores experientes na frente. Vai ser um jogo difícil, mas a gente tem que colocar nosso futebol, vontade, raça, e tenho certeza que vamos fazer dois jogos muito bons contra eles.

Sobre a importância de Juan, que tem jogado algumas vezes ao seu lado. Esse ano, ele voltou a ter sequência e jogado bem. Além de tudo, é um líder?

O Juan é um ídolo, não só para a torcida. Já vi muito o Juan jogar. Ele não é tão mais velho que eu, mas é um pouco, então vi ele jogar na Seleção, gostava muito de ver o estilo de jogo dele. Sempre tranquilo, sempre na dele, sempre bem posicionado. Um cara profissional ao extremo, que sempre chega antes, trabalhador. Está colhendo os frutos, está jogando muito. Para mim, está sendo uma honra jogar ao lado de um cara que tanto vi jogar, me espelhei muito nele. Jogar com ele é um sonho realizado, tomara que a gente possa ser campeão.

Na Turquia, você chegou a jogar contra o Diego. Melhor ter ele ao lado, né?

Joguei uma partida contra ele, meu time saiu vencedor. A minha equipe fazia uns três ou quatro anos que não ganhava um clássico lá, então a pressão era grande. No ano que cheguei, conseguimos ganhar do Fenerbace. Em clássico, o bicho pega lá. A torcida lá é fanática. O Diego jogando ao lado, é muito mais fácil. Marcar ele é muito difícil, um jogador muito inteligente, que vem passando uma grande fase aqui no Flamengo.



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