Um Flamengo x Fluminense raíz

O Flamengo de EBM se refez. Virou referência. Arrumou a casa, estancou o cofre. Pagou contas que não eram dele.

MAURO BETING: Não sou Flamengo para saber o que é ser rubro-negro. Não sou da turma do arco-íris que não quer ver o Flamengo nem pintado das minhas cores. Fui Flamengo em 1981-82 em alguns jogos pelo mais lindo futebol que vi por mais de seis meses desde 1972. Amo times como aquele, sem necessariamente torcer pelo clube.

No Fla-Flu de volta da Sul-Americana no retorno do que há de melhor no futebol no Maracanã, confesso que torci mesmo pelo clássico não acabar. Só para ver a recuperação do melhor time que segue sem jogar como melhor equipe. Mesmo para ver a cera que é antijogo mas é do futebol. Para ver #cenaslamentáveis que lamentamos quando não vemos. Para rever o Flu que se supera como “timinho” que apronta. Para rever o Fla ganhando quando empata. E não se perdendo em falhas defensivas e falas ofensivas à história.

Diego Alves vibrando pelo Flamengo contra o Fluminense - Foto: Cris Dissat / Fim de Jogo
Márcio Araújo e Gabriel não são o que o cartola Mozer disse no UOL. Mozer que era um dos 11 dos sonhos de 1981-82. Como os dois citados não são. Talvez não sejam para pesadelos. Para criar memes com a mesma facilidade com que também se faz mimimi por qualquer coisa hoje. Dentro e fora de campo. Na média e na mídia.

O Flamengo não é o primor administrativo que papagaia e propagandeia a gestão e nem a falta de alma rubro-negra como propala e urubuza parte da imprensa. Se dá para questionar como se ocupa a Ilha isolada e como se isola o antigo geraldino do novo gourmet de arena, não se pode tudo detonar só porque Vaz não foi, porque Muralha cai, porque não vale a pena rever de velho eliminações inesperadas em competições continentais.

O Flamengo de EBM se refez. Virou referência. Arrumou a casa, estancou o cofre. Pagou contas que não eram dele. Pregou no deserto de ideias e na Ilha de governanças de práticas mais justas e ajustadas. Ainda peca no futebol que prega peças. Mas o elenco montado para 2018 é admirável. Ainda não jogou e ganhou o que pode. Mas está no caminho para tanto. Investimento e expectativa. Como Diego Alves mostra que é possível ter qualidade e intensidade em um mesmo RG.

Ainda não ganhou nada além do RJ-17. Mas, ao empatar como foi buscar o Fla-Flu, fez muito melhor do que se tivesse goleado o rival. Mostrou que ainda existe a essência rubro-negra lá dentro. Ainda tem força para tirar do vermelho e do preto. Com a bola no chão como no segundo gol bonito, com a bola no alto como no gol redentor, como a bola bem colocado no primeiro gol de falta de Diego, de Pet, de Zico, de 10 no Maracanã. Não faltou nada.

É essa a atuação que está “de parabéns” o Flamengo e todos os jogadores e times que nos últimos tempos no Brasil “se parabenizam” pelos desempenhos quando, muitas vezes, eles são apenas medíocres. Medianos. Fazedoras de média.

Essa foi a declaração de grandeza do vencedor e mesmo do Fluminense que foi Flu. Do clássico que começou antes do nada e que foi tudo de bom que existe no futebol além das planilhas e das pranchetas.

Vamos dar um pouco de crédito ao time ainda devedor. E à gestão que ainda não ganhou em campo o que voltou a ganhar no mercado.

(Só uma questão pra outro papo e desabafo: como foi tão pouca gente no Fla-Flu?)


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