Ainda existe trono para Adriano Imperador no Flamengo?

ESPN FC: Por João Luis Jr

Primeiro eu preciso deixar claro que sou suspeito pra falar. Garoto do interior de Minas, me mudei pro Rio de Janeiro exatamente em 2009, no meio daquele que se tornaria o ano do nosso sexto título brasileiro. Apaixonado pelo Flamengo desde a tarde em que, ao lado do meu avô, vi o gol de falta do Junior que garantiu a vitória contra o Botafogo em 92, minha chegada na Cidade Maravilhosa foi mais ou menos como se após uma vida num relacionamento à distância eu finalmente pudesse morar com a pessoa que eu gostava, estar na casa dela o tempo todo, não gastar mais uma fortuna em passagens.

E o Rio me deu as melhores boas vindas possíveis, claro. Numa fase em que tudo era meio místico e improvável, desde o gol do título feito pelo zagueiro mais humilde do mundo até um meio de campo comandado por um veterano que o clube só havia aceitado de volta para tentar abater uma dívida, aquela arrancada do Flamengo ficou marcada na minha memória afetiva de torcedor como a experiência mais real e presencial de ser rubro-negro que eu já havia tido a oportunidade de viver.

Foto: Reprodução
No meio disso tudo estava Adriano Imperador. Artilheiro do campeonato e destaque do time, ele não era o primeiro craque que eu via com a camisa do Flamengo, já que eu havia visto um pouco de Junior, bastante de Romário, já conhecia Petkovic desde a época do tricampeonato carioca. Mas sempre houve nele, ao menos pra mim, algo de diferente. Um pouco pela relação diferente que sempre temos com jogadores da base, outro tanto pela origem humilde, um pouco pela aura de mistério envolvendo um jogador que os noticiários acusavam de realizar orgias em motéis envolvendo anões e o grupo Revelação tocando ao vivo, Adriano era um jogador especial num ano que foi especial para o Flamengo e também especial para mim.

Depois muitas coisas aconteceram, claro. Desde a ida para a Roma até as passagens por outros clubes, o retorno sem sucesso ao Flamengo e a aposentadoria não-oficial que deixou Adriano longe dos campos e cada vez mais presente no Instagram, onde criou praticamente uma nova escola de legendas minimalistas, a trajetória do nosso antigo camisa 10 foi tão longa quanto confusa, sempre com a promessa de um eterno retorno que nunca acontecia, sempre com a expectativa de um novo velho Adriano que nunca realmente chegava até os campos.

Nesse fim de ano mais uma vez Adriano disse que planeja voltar ao futebol. Visivelmente fora de forma mas obviamente ainda um fora de série, participou de uma pelada de fim de ano comandada por Zico e deu passes, fez gol, abriu o sorriso que o flamenguista se acostumou a associar a momentos de alegria pra nossa torcida. E vendo o Imperador ali, calçando as chuteiras, recebendo o carinho do Galinho e tabelando com Petkovic, ao menos pra mim é impossível não pensar que o lugar dele é no Flamengo.

Não falo como titular, não falo como reforço, não falo como substituto de Guerrero na Libertadores. Adriano precisa de acompanhamento, precisa de um projeto, e nem faz sentido que todas as expectativas de uma torcida de milhões sejam colocadas nos ombros de um veterano que ainda tem pela frente um longo caminho antes de poder atuar novamente em nível profissional.

Mas Adriano é um craque, Adriano é um vencedor e Adriano é acima de tudo uma parte importante da história do Flamengo. E eu acredito que cabe ao clube – dentro dos limites das suas possibilidades, claro, não podemos construir um teleférico legando o CT e a Vila Cruzeiro apenas porque o jogador pediu – buscar sempre cuidar dos seus e preservar a sua história, do veterano mais veterano até ídolo em recuperação que está em busca de uma nova oportunidade.

O Imperador pode mudar novamente de ideia e nem mesmo chegar a treinar? Claro, é um risco. Adriano pode só ficar no CT fazendo exercícios e nunca sequer chegar a entrar em campo? Já fizemos isso com Conca, gastando muito mais dinheiro. Ele pode apenas treinar o bastante pra descobrir que não tem condições e jogar agora só se for no nosso time de Showbol? Com certeza. Mas acho que num Flamengo tão carente de ídolos, tão distante das nossas raízes, tão dissociado do espírito vencedor que sempre nos marcou, talvez seja bom tanto para o jogador quanto para o clube ter novamente Adriano pelos corredores da Gávea, treinando no CT, batendo bola com os moleques da base. E se não der certo, se nada disso acontecer, ao menos o Flamengo vai ter estendido a mão, tentado conversar, se negado a deixar de lado seu ídolo mais recente e um dos principais responsáveis por um dos últimos capítulos vitoriosos da nossa história.

Pode ser ilusão da minha parte. Pode ser dificuldade pra me desapegar de um jogador que marcou muito a minha vida. Pode ser apenas o otimismo natural do flamenguista se manifestando na minha relação com Adriano. Mas alguma alegria de Adriano ao fazer um gol, na felicidade do torcedor ao gritar que o “o Imperador voltou”, me faz ainda acreditar que império que todos já dão como acabado ainda pode ter mais territórios a conquistar.

Pode ser ilusão da minha parte. Pode ser dificuldade pra me desapegar de um jogador que marcou muito a minha vida.

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