Cruzeiro livra Flamengo de uma loucura

ESPN: Mauro Cezar Pereira

Aos 34 anos e prestes a sair do segundo clube por ser caro em relação ao que é capaz de entregar em campo, Fred virou o seu mais importante jogo. O contrato com o Cruzeiro é excelente, fechado em reta final de carreira como se estivesse no auge.

Compromisso por três anos mantendo o ótimo patamar salarial e multa de R$ 10 milhões a ser paga (obviamente pelos cruzeirenses) ao Atlético, já que uma cláusula do contrato assinado em 2016 estipulava tal penalidade, caso o artilheiro assinasse com o rival.

O Galo não assume o arrependimento pela aventura na qual se meteu ao tirar o veterano do Fluminense a peso de ouro em 2016. Mas comemora por deixar de gastar de R$ 12 milhões a R$ 13 milhões em 2018 só com Fred. Recém-contratado para seu lugar, Ricardo Oliveira deverá custar menos de R$ 3,7 milhões no período.

Foto: Thomás Santos/AGIF
A sondagem do Flamengo fez o Fluminense se esforçar para repatriar o antigo ídolo. Mas Fred não queria voltar para o Rio de Janeiro, até por razões pessoais - em breve será pai. E a conversa com rubro-negros esfriou devido à redução da pena de Guerrero, ainda suspenso.

Ao contratar um novo camisa 9, o Atlético forçou a rescisão.

Fred, se sentindo desvalorizado, iniciou conversas com o Cruzeiro antes de assinar o rompimento com os atleticanos. Na sexta-feira à noite, por volta das 23 horas, os advogados das duas partes acertaram a rescisão. Horas depois, sua volta ao Cruzeiro foi anunciada.

Para Fred foi excelente. Vai ganhar mais ao longo de um contrato válido por três anos, permanece em Belo Horizonte, como queria, e jogará mais uma Libertadores. Terá apenas que se acertar com o técnico Mano Menezes, a quem criticou depois que Luiz Felipe Scolari o substituiu na seleção brasileira.

 Embora seja grande artilheiro, é um investimento elevado em jogador veterano e por três temporadas, algo extremamente arriscado para o Cruzeiro. Num primeiro momento deverá parecer ótimo, ele certamente fará gols; como quando chegou ao Atlético. Mas no médio ou longo prazo, a chance de (mais um) arrependimento é grande.

Bom para o Galo, que sente a água bater no pescoço com os custos elevados de seu elenco por anos (sim, a conta chegou), e para a dupla Fla-Flu. Sem dinheiro, os tricolores deixam de entrar numa cara aventura sentimental para evitar a ida do velho ídolo para o rival.

Já os rubro-negros, cujos dirigentes emitem sinais seguidos de que não têm ideia do que fazer, se livram de uma contratação cara, arriscada. E marcada pelo forte vínculo do goleador com o clube das Laranjeiras.

Fred é um grande artilheiro, mas sua supervalorização é surreal. Típica de um futebol onde dirigentes decidem com o coração, na empolgação, no achismo, para provocar um rival ou agradar a torcida. Sorte dele, autor de gols dos mais caros do mercado.


Mas Fred não queria voltar para o Rio de Janeiro, até por razões pessoais - em breve será pai.



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