Estudante de Jornalismo integra setor de comunicação do Flamengo

VAVEL: Uma vez Flamengo, sempre Flamengo. Flamengo sempre eu hei de ser. Os versos iniciais do hino do clube de maior torcida no país reverberam Brasil afora em diversas situações, fica mais presente quando o rubro-negro carioca se aproxima de alguma conquista ou é citado em outros momentos. Porém, é um privilégio maior estar perto do clube do coração, na convivência diária com atletas, comissão técnica e outros profissionais em uma instituição a qual foi ensinada a amar desde os primeiros anos de vida.

Os relatos de desvalorização e assédio sobre as mulheres aumentam diariamente. Ainda assim, elas lutam bravamente pela conquista de seu espaço com profissionalismo, a melhor resposta diante de tantas batalhas a serem travadas todos os dias – como se não fossem suficientes os perrengues diários de quem labuta.

Esse é o caso de Mariana Sá. Estudante de Jornalismo e uma das pessoas que integram o setor de comunicação do Flamengo, Mariana traz nas redes sociais, no convívio com familiares e colegas de profissão o orgulho de quebrar barreiras e poder trabalhar no rubro-negro, fator que sempre deixou sua família mais unida. E o envolvimento com o clube desde criança foi fundamental em seu caso.

Foto: Divulgação
“O interesse por futebol começou quando eu ainda era pequena, na verdade, desde que nasci. Minha família sempre foi apaixonada, principalmente as mulheres, então é uma coisa muito comum viver isso. Vou ao Maracanã desde os três anos, então foi inevitável ser completamente maluca por esse universo”, disse Mariana, ao citar o início de tudo.

Acompanhar o Flamengo junto com sua irmã, mãe, avós e outros fez com que o envolvimento não ficasse restrito apenas às arquibancadas do Maracanã. Envolver-se nas modalidades esportivas oferecidas pelo clube aumentou a vontade de não ser contabilizada apenas como uma simples torcedora. Com seu crescimento, o jornalismo virou o vetor que deixaria a relação com o Fla mais entrelaçada.

“Sempre foi um sonho trabalhar e viver de esporte, eu só não sabia como. Demorei algum tempo para perceber que minha vocação era justamente falar sobre o assunto. Quando ser atleta não deu certo, acabei encontrando no jornalismo a saída perfeita para realizar esse grande desejo de estar perto não apenas do futebol, mas também de outras modalidades que amo”, continuou.

Desde o início do ano corrente na comunicação do Flamengo, muitas situações desagradáveis já foram vistas, além das que foram de conhecimento público. A concorrência no mercado faz com que alguns comentários depreciativos sejam ouvidos, como também diversas situações de rebaixamento simplesmente pelo fato de ser mulher. Mariana admitiu que existem os pensamentos em desistir como uma forma de não ser alvo desses comentários, mas acredita que a resistência contra tais atos e pessoas pode mudar o panorama e trazer dias melhores nesse quesito.

“Essas situações são frequentes, infelizmente. Comecei a praticar o jornalismo mesmo em 2014 e desde então já passei por muita coisa que me fez pensar em desistir. Muitas vezes vem de pessoas que estão na mesma posição que você, como repórter que diminui a sua opinião, assessor que acha que todas as mulheres vão dar em cima dos atletas, jornalistas que desconsideram uma ordem sua e depois acatam quando um homem faz a mesma solicitação, entre muitos outros momentos. Desanima muito, mas acredito que podemos ter a esperança de um dia melhorar. É um caminho longo, cansativo e muito exigente, mas temos uma geração muito competente e que, graças a oportunidades inéditas e um espaço grande vindo da internet, tem conseguido se destacar mais. Espero, de coração, que o futuro seja mais animador do que o presente”, explicou.

Ser mais que uma simples torcedora não é algo que aconteceu com o início da vida adulta. O desejo de estar lado a lado com o Flamengo, ao mesmo tempo que despertou a vontade de superar todas as barreiras de desmerecimento e preconceito, a motivam a desempenhar seu melhor. De acordo com Mariana, apesar da dificuldade de lidar com os lados pessoal e profissional na mesma situação, a sensação é indescritível e não há arrependimento pela decisão tomada e estar todos os dias no mundo rubro-negro.

“Eu brincava quando pequena que queria ser paga para viver no Flamengo quando crescesse. Hoje me pergunto quantas pessoas aos 20 anos podem dizer que estão exatamente onde sempre sonharam e com uma realização profissional tão grande quanto a minha. É claro que se torna mais difícil quando envolve lado pessoal e profissional, mas quando tudo dá certo é uma sensação indescritível. Fazer parte disso tudo é, sem dúvidas, completamente diferente de tudo que já vivi”, finalizou Mariana.

Com seu crescimento, o jornalismo virou o vetor que deixaria a relação com o Fla mais entrelaçada.

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