Galinho de Liverpool

Basta ter mais gente de vermelho e preto torcendo e jogando junto com o espírito dele. A alma do Flamengo.

MAURO BETING: Só deu para conectar a transmissão via laptop via catnet aos 26 minutos. Réver já havia aberto o placar em Avellaneda em bela cabeçada contra o Rey de Copas Libertadores. Melhor que a encomenda o gol cedo e até então, pelos relatos, a atuação rubro-negra.

No lobby do hotel Pullman (que não é o pão do Neto), enfim se ajeita na poltrona e passa a ansiedade o cara que fez infeliz a cidade onde estamos para transmitir a Champions. Em 13 de dezembro de 1981, o Liverpool caía diante de Zico e do melhor Flamengo (e também melhor time) que vi. Reds com história tão rica na Europa e ainda mais no mundo que os rojos de Avellaneda.

Zico erguendo a taça de campeão Mundial pelo Flamengo - Foto: Peter Robinson
Mas que foram em 1981 empacotados e despachados por Zico e companhia ilimitada do Japão para a Inglaterra. Do jeito (mesmo sem tanto jeito) que o Flamengo ainda pode devolver o Independiente no retorno no Rio sem a Copa Sul-Americana. Há como devolver o 2 x 1 com juros e correção futebolística. Há como refazer no Maracanã o espírito rubro-negro. Desde que se jogue um tanto mais. E com a alma de meu companheiro de transmissão no Esporte Interativo.

O Zico torcedor rubro-negro é um rubro-negro típico. Xinga quem merece, corneta quem deve, sugere o que pode, vê o que quase ninguém enxerga. Lamenta a fase de Everton Ribeiro. Quer mais gente na frente além de Vizeu. Cogita começar com Vinicius Jr. E ainda quer estar lá dentro. Como ninguém esteve melhor do que ele em qualquer esporte do clube desde 1895.

Numa falta próxima da área, depois da bela virada platina, e quando o Flamengo já havia se arrumado e jogava melhor, o Galinho de Liverpool pensou como milhões. Mas falou a frase que só ele pode falar desse modo:

– Baixa o meu espírito em alguém! Baixa o meu espirito!

Não havia como. Não se batem mais faltas como Zico – não tantas. Poucos jogaram e ainda menos jogam do que ele.

E ainda menos vibram hoje como ele honrou sempre.

Cuellar até bateu bem como tem jogado. Mas não deu. A posição era parecida com aquele gol decisivo de Zico contra o Cobreloa. O que levou ao Japão em 1981. O que traria o mundo para a Gávea.

Acabou mesmo em derrota. Mas ainda pode ser vitória. Mais um título. E nem é preciso Zico voltar a campo. Basta ter mais gente de vermelho e preto torcendo e jogando junto com o espírito dele. A alma do Flamengo.


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