Histórias da última taça continental do Flamengo

Cenas lamentáveis à parte, deu Flamengo em campo e uma pessoa "cantou a pedra" da classificação antes de a bola rolar.

ESPORTE INTERATIVO: Uma pancadaria generalizada no Uruguai, a premonição de Carlinhos Violino, falecido ídolo rubro-negro, e a resenha de Romário são alguns dos episódios que marcaram o título da Copa Mercosul de 1999, a última conquista continental do Flamengo que completará a "maioridade", 18 anos, no próximo dia 20. Isso além das coincidências com a trajetória atual na Copa Sul-Americana, como a ascensão da garotada da casa e um encontro decisivo contra o Independiente, da Argentina.

No dia da final entre Flamengo e o time argentino, com o primeiro jogo em Avellaneda, às 21h45 (de Brasília) desta quarta-feira (6), o Esporte Interativo traz algumas histórias de bastidores do time da Gávea naquela caminhada vitoriosa, que teve goleada histórica, cenas lamentáveis, mudança com o "carro andando" e finais com 13 gols.

Foto: Divulgação
"Acho que é o que está faltando hoje. Um futebol alegre, espontâneo, com gols. Um outro exemplo é aquele Vasco e Palmeiras. Antigamente tinha muito isso, muitas viradas, um futebol bonito de se ver, com muitos jogadores de qualidade", disse ao Esporte Interativo o atacante Reinaldo, hoje no Brasiliense, que começava a carreira no Flamengo e marcou gol naquela decisão.

Missão Uruguai: premonição de Carlinhos e pancada até de policial

Com a taça na mão, o Flamengo terminou a Mercosul com 12 jogos, seis vitórias, três empates, três derrotas, 31 gols marcados e 17 sofridos. De todos eles, pensava-se que a partida mais fácil seria o jogo de volta contra o Peñarol, apesar de ser uma semifinal. Em campo, até foi, só que com o apito final veio o maior aperto que aquele grupo passou nas viagens pela América do Sul.

"A gente ganhou de 3 a 0, fomos jogar fora de casa e jogamos bem de novo. Eu fiz um gol de pênalti, a gente jogou com muita raça e fizemos o segundo gol com o Reinaldo. Aí, ficamos tranquilos, mesmo com eles virando. Só que acabou o jogo e a 'porrada comeu'. Mais para o lado deles, que vieram para cima da gente. A gente tentava chegar no vestiário do meio do campo e eu lembro que polícia batia na gente, jogadores, torcedor que saía da arquibancada. Eu consegui entrar no vestiário e depois vi o Clemer entrando correndo, Fabão... Todos batalhando para pelo menos entrar no vestiário. Depois, fomos comemorar, porque passamos de fase", conta Athirson, cobrador de pênaltis e um dos líderes daquele grupo, ao Esporte Interativo.

Cenas lamentáveis à parte, deu Flamengo em campo e uma pessoa "cantou a pedra" da classificação antes de a bola rolar: Carlinhos Violino, na época o treinador. O ex-jogador apostou todas as fichas em uma promessa recém-promovida, Reinaldo, para ser o substituto de Romário, que acabara de deixar o clube. A moral se justificou: a cria da Gávea sofreu um pênalti e marcou o gol que deixou o Rubro-Negro com os dois pés na final.

"Eu lembro como se fosse hoje da semifinal contra o Peñarol. O falecido Carlinhos falou comigo assim: 'você vai entrar e tenho certeza que vai fazer o gol da classificação'. Isso lá no Uruguai. Eu entrei naquele jogo e foi o meu primeiro gol com a camisa do Flamengo, golaço de fora da área. Antes, ainda sofri o pênalti. A gente perdeu de 3 a 2, mas conseguimos a classificação", disse Reinaldo.

Saída de Romário, ascensão da base e histórias da final

Apesar de terminar em final feliz, a corrida do Flamengo pela Mercosul foi de azarão. A equipe correu risco de cair na primeira fase, perdeu nada menos do que Romário (afastado por indisciplina) em meio ao torneio e enfrentou, na final, o Palmeiras campeão da Copa Libertadores. Reinaldo lembra bem da saída do Baixinho, em novembro daquele ano, e contou uma história que retrata a importância que o camisa 11 tinha naquele time. Aconteceu depois da vitória de 7 a 0 sobre a Universidad de Chile, com quatro gols do atacante.

"O Romário ainda falou assim: 'pode dar em mim que eu vou decidir. Mesmo se eu estiver marcado, dá a bola em mim'. Nesse jogo, ele fez quatro gols e a gente ganhou de 7 a 0. Ele virou para a gente no banco e disse: 'e aí, molecada, aprenderam como se dá show?' E a gente disse: 'ele é o cara mesmo'. Naquele jogo passamos de fase e começou a nossa arrancada para o título. Foi uma perda muito difícil. Perdemos a referência, o melhor atacante que eu vi jogar".

O Flamengo superou, passou das semifinais sem Romário e foi enfrentar o Palmeiras. Liderado por Felipão, o Verdão foi para aquela decisão com nomes como Marcos, Arce, Júnior Baiano, Zinho, Alex, Euller e Paulo Nunes. Tanto que o Flamengo estudou muito o rival e precisou até montar um esquema especial para neutralizar o adversário. Athirson explica melhor.

"O time do Palmeiras era consagrado, de estrelas, e a gente com um time muito jovem. O Palmeiras tinha jogadores em seleções: Arce, Júnior Baiano, Zinho, Paulo Nunes... Era um time muito forte. A bola parada deles era muito forte e a gente trabalhou muito isso. Lembro que eu e o Juan íamos juntos para tentar impedir o Júnior Baiano. Lembro que eu ia no corpo e o Juan ia para a disputa da bola, para a gente tentar controlar".


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