"Joguei no Boca, no Palmeiras, mas o Flamengo supera tudo", diz Mancuso

O argentino de 49 anos foi campeão carioca invicto em 1996, e a conquista se consolidou num empate por 0 a 0 contra o Vasco, maior rival.

GLOBO ESPORTE: Mancuso deixou o Flamengo há 20 anos, mas o Flamengo não saiu de Mancuso.

Torcedor do Vélez Sársfield, clube que o formou, ele garante que é rubro-negro até hoje. Em rápido papo no seu escritório, perto do Aeroporto de Ezeiza, o ex-volante qualificou o clube da Gávea como o maior que defendeu na carreira e cuja camisa não aceitava trocar com rival algum após os jogos.

- Qual camisa no Brasil é melhor que a do Flamengo? Eu vou trocar? - disse, sorridente.

Foto: Fred Gomes
Das lembranças mais gostosas, a música "Quando Mancuso sacode a cabeleira, a Raça toda vermelha, o Sávio pega na bola, e a Raça pede mais um" ainda está viva na memória. Não a canta perfeitamente, porém não desafina (veja em vídeo acima). Por isso, ainda torce pelo Flamengo e fará isso na próxima quarta-feira, contra o Independiente, às 21h45 (de Brasília), em Avellaneda.

- Quando você está num time grande, de chegada, você sente muitas saudades da torcida. Jogar naquele campo lotado... Era tudo lotado, no Nordeste, no Sul. Para qualquer brasileiro ou argentino, não tem coisa mais importante no Brasil que jogar no Flamengo.

E completa, sem hesitar:

- Para mim, é o maior time que joguei na minha vida. Joguei no Boca, no Palmeiras, mas o Flamengo supera tudo. Aquele místico estádio do Maracanã. Ser campeão lá dentro foi muito forte.

O argentino de 49 anos foi campeão carioca invicto em 1996, e a conquista se consolidou num empate por 0 a 0 contra o Vasco, maior rival. Questionado se lembra quem era o rival do jogo derradeiro, deu um sorriso maroto e disparou:

- Vasco da Gama.

Hoje Mancuso lidera a Indoor Show Producciones, empresa que promove eventos de showbol e torneios de verão no futebol profissional. Além disso, há a atuação na intermediação de jogadores. Mas, às vésperas da decisão da Copa Sul-Americana, você quer ler sobre o duelo de quarta-feira e as recordações do ex-jogador sobre o Rubro-Negro. Pois leia abaixo.

O que acha da decisão da Sul-Americana: quem chega mais forte?

Independiente joga um futebol muito bom hoje, com uma garotada muito boa (cita Barco, Bustos e Fernández). Tem três jogadores em alto nível, mas o Flamengo tem mais experiência. Para mim, a experiência vai sobressair.

Você também jogou no Independiente. Vai ficar com o coração dividido?

Vou torcer para o Flamengo. Independiente passou muito rápido, não peguei identificação. Não virei ídolo como virei no Flamengo. Tenho carinho com eles.

Aquela eliminação da Libertadores para o San Lorenzo, em maio, te doeu, não é?

Ninguém imaginava. Um jogo difícil, porque San Lorenzo é de massa, mas tinha tudo para o Flamengo continuar. Agora é uma final muito boa para se jogar.

Por que, após sua saída, nenhum argentino conseguiu virar ídolo da torcida?

Eu acho que não é fácil jogar no Brasil e não é fácil jogar no Flamengo. Quem joga no Flamengo tem que ter muita raça, muita personalidade. porque o Flamengo é muito grande. Tem que ter uma cabeça muito forte. Se você não tem, não vira ídolo. Passa, como passam muitos.

Você tem que contratar jogadores com essas características. Não com outra. Para jogar no Flamengo, tem que ter personalidade. Se você só procura parte técnica e não vê a outra parte de dar um pouquinho a mais, é difícil.

Como mantém o contato com o Flamengo?

Sigo o Flamengo na Copa (Libertadores), sempre assisto aos jogos quando posso. Gosto muito. Amigos me ligam, me mandam mensagem. Para mim, foi maravilhoso jogar no Flamengo. Para eles, também ficou na cabeça.

Uma frase marcou sua passagem: "não troco a camisa do Flamengo". Por que falava isso?

Quando cheguei no Flamengo, virei ídolo da torcida. Me dava muito bem com meus companheiros, mas me dava muito mal com os outros. Brigava com Botafogo, com Vasco. Quando acabava o jogo, vinham pedir camisa. Camisa do Flamengo não troco com ninguém, deixava comigo no vestiário. Eles ficavam mais p... ainda. 'Mas acabou o jogo, acabou o jogo', diziam. F...-se. Tinha um xerife central deles, esqueci o nome.

Gonçalves, Gottardo...?

Gottardo. Wilson Gottardo. Depois virou parceiro meu. Jogou no Sport, e eu, no Santa Cruz. Brigávamos toda hora e depois viramos amigo. Gente boa. Brigava com Vasco quando jogava Edmundo, contra Fluminense, Botafogo, Corinthians... Não troco camisa do Flamengo com ninguém. Qual camisa no Brasil é melhor que a do Flamengo? Eu vou trocar? (risos).

Quando cheguei ao escritório, você se disse surpreso por Juan, que está em alto nível, ainda jogar. Que acha dele?

Juan já jogava quando eu estava lá. Garoto muito bom, é um profissional do c... Muito respeitoso e um grande jogador. Fiquei feliz de vê-lo como capitão e no último jogo fez gol. Está numa fase física boa.

Quem se lembra do Flamengo, tantos dos bons amigos quanto dos melhores jogadores?

Joguei com Maradona, Caniggia, Batistuta, mas eu joguei com Romário. Foi extraordinário. Depois de Maradona, foi o melhor que vi na minha carreira. Era muito rápido, habilidoso, artilheiro... Tinha tudo... Malandro. Romário foi o melhor que eu vi no Brasil.

E como funciona sua atuação agora como empresário?

Além dos eventos, faço assessoria. Muita gente me procura para saber de jogadores para jogar no Brasil. Sei muito bem que tem que ter colhão para jogar no Brasil. Joga bonito... Joga bonito o cacete, para jogar no Brasil tem que ter colhão, caráter forte.


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