Joguem pelo título

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Por Vivi Mariano

O Flamengo já me deu um grande amor. E já me tirou ele. Já meu encheu de esperanças. E arrancou tudo do meu peito. Já me transbordou de felicidade. E já me fez ter vontade de morrer. E continuar vivendo. Decisão do Flamengo sempre me vira do avesso. Eu estava realmente decidida a dar um tempo de viver Flamengo. É nisso que penso num intervalo de uma partida medíocre e o próximo jogo. De uma derrota e uma decisão. Da saída do estádio para casa. Aquele tempo que dura exatamente menos que um…nada. Mas existe. Esse ano vivi alguns “nadas”. Eu chorei. Deprimi. Criei expectativa. Acreditei. Desisti. Perdi a confiança. E recuperei. Xinguei e fiz declaração de amor. SONHEI. É tanto tempo que ele nos tira. Tanto sentimento que ele consome. Tanta VIDA que transforma. E a gente faz o que? A gente quer mais, e mais e muito mais. A gente quer viver de Flamengo. “Ei, moça, faz o que da vida?” “Eu?” “Eu faço Flamengo.” “Ei, senhora, você vive de que?” “Eu vivo de Flamengo.” “E você aí, minha garota, como está?” “Eu estou Flamengo.”

Foto oficial do time do Flamengo na final da Sul-Americana 2017 - Foto: Gilvan de Souza
Diante de mais uma final eu fico pedindo ao amor que refaça o que a eliminação da Libertadores, a Copa do Brasil, o Márcio Aráujo e o Muralha, entre outros, desfizeram. Mas que eu já perdoei. Mas não esqueci. E então imploro para que o Flamengo recolha toda esse sentimento que ficou pelo ano de 2017 e coloque no meu corpo outra vez. Não preciso pedir tanto. É só sentir. É só lembrar. É só deixar aquele filme da vida rodar. E lá vem as decisões. Os jogos históricos. Aquela imagem de um casal de velhinhos de mãos dadas assistindo o jogo do meu lado. Ela apertando a mão dele a cada perigo de gol. E eu ali sendo testemunha de amor eterno. De amor de Flamengo. Eu tenho tanta lembrança linda que já sinto vontade de abraçar estranhos e gritar gol. De abaixar a cabeça na arquibancada e chorar escondidinha de tanto sentimento.

Eu queria voltar a ser criança na final da Sul-Americana pra poder entrar de mãos dadas com o time. Segurar as mãos do César e pedir pra carregar as luvas dele e de leve dar um beijinho nelas. Ou correr pra agarrar nas pernas do Diego e não largar mais chorando: eu quero ir com ele. E não quero ser mais criança. Já pensei em outra fantasia. Se bem que a Vivi moleque ía querer segurar a mão do Paquetá, do Vizeu, do Vinícius Jr para viver com eles a esperança, o futuro, a grana no bolso. Pra fazer dancinha. Brincar de pique e só parar quando a bola tivesse dentro do gol. Quero entrar com o Juan só pra poder dizer pra ele: somos tão jovens! Pensando bem, eu ía querer entrar de mãos dadas com o Réver. Sou criança de atitude. Sou criança de faixa de capitão. Ah, sei lá. Eu queria poder entrar de mãos dadas com o Arão pra dar uma mordidinha nele pra ele acordar e dizer se não jogar direito eu te mordo mais. Quando sou criança, sou mais Flamengo.

Eu queria poder fazer parte da corrente no meio de campo. Sim eu estou querendo muitas coisas. Hoje e sempre. Inclusive esse “títulozinho continental” pra embalar as noites de sono do meu sobrinho Arthur, que com apenas 4 meses vai cantar bem alto “Em dezembro de 81 botou os ingleses na roooodaaaa…” A tia dele vai ensinar. E ali na corrente propor uma pra galera. Virem para a torcida. Achem a Sarinha lá no meio da arquibancada. Uma amiga que fiz no Instituto Benjamin Constant. A mãe me contou que ela era MUITO Flamengo, que ía aos jogos no Maracanã. “Você é Flamengo mesmo, Sara?” Ela respondeu empolgada: “SOU. Eu amo o Flamengo. E a coisa que eu acho mais linda nesse clube é a nossa torcida. Ela é bonita, né?”  “Sim. É bonita. É bonita. E é bonita.” Sara nasceu com uma doença que tirou sua visão. E consegue enxergar o Flamengo mais que um time, mais que uma diretoria, mais que eu. Encontrei com ela no jogo que fizemos contra o Junior Barranquilla no Maracanã: “Sarinha, que alegria reencontrar você.” E ela respondeu: “Eu não poderia deixar de ver esse jogo.”  Me arrepiei.

Joguem pelo olhar da Sara, eu diria na corrente. Joguem pelo meu. Que tá cansado. E vazio. E que volta a brilhar em dia de jogo do Flamengo. Joguem pelos meus 11 leitores. Joguem pelos que ficaram sem ingresso. Pelos que não puderam comprar. Joguem pelos que estão sem emprego se sacrificando para estarem nessa decisão. Joguem pelos que deixarão famílias, filhos, filhas, amores para estarem no Maracanã. Joguem pelos que estarão em cada canto do Brasil e do mundo. Joguem pela diretoria que paga seus salários em dia. Joguem pelo Zico, Adriano, Pet, Adílio, Andrade! Joguem pelo Piá! Pelo Bujica! Joguem pelo Maurinho. Pelo Maurinho SIMMMM. Joguem por mais de 45 milhões. Joguem pelo José que vai nascer. Joguem pelo título. Joguem por uma canção para ninar o Arthur…que a tia dele vai escrever um dia sobre esse jogo.

Pra vocês,

Paz, Amor e Seremos Campeões.

Joguem pelo olhar da Sara, eu diria na corrente. Joguem pelo meu. Que tá cansado. E vazio. E que volta a brilhar em dia de jogo do Flamengo.


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