"Na guerra psicológica, Flamengo saiu na frente", diz Eugênio Leal

A outra é o Flamengo saber atacar sem deixar a defesa exposta à velocidade dos habilidosos meias do Independiente.

EUGÊNIO LEAL: O Flamengo faz um final de ano heróico. Com mais de oitenta jogos na temporada, o time entra dezembro – quando os demais estão de férias – em ritmo alucinante. Três viagens em menos de uma semana. E com longas distâncias. Isso sem poder contar com pilares do elenco como o atacante Guerrero e o goleiro Diego Alves. Além do colombiano Berrío e de um Everton, que voltou ontem, ainda sem ritmo.

Foi neste cenário que o rubro-negro chegou “somente” até o estádio Libertadores de América, o caldeirão do Independiente, em Avellaneda. Um local onde o “Rey de Copas” costuma impor seu estilo de jogo diante de adversários que se apequenam. O Flamengo, não.

Jogadores comemorando gol pelo Flamengo na Sul-Americana - Foto: Gilvan de Souza
O time de Reinaldo Rueda ganhou personalidade na reta final de temporada. Os triunfos sobre o Junior de Barranquilla e Vitória deram confiança e segurança ao time. O comportamento diante de quarenta mil barulhentos argentinos comprovou isso. O Flamengo, ao contrário de outras oportunidades, não se desesperou. Teve atitude de gente grande. Terminou o jogo forçando o time da casa a buscar no banco volante e zagueiro para se trancar. Quem acompanhou o Independiente na Copa sabe que este não é seu padrão. Contra um adversário qualquer eles estariam buscando o terceiro gol.

Perdeu, sim. Pois errou em algumas opções de jogo. E errar contra um bom time como este dirigido por Ariel Holan tem seu preço. Everton Ribeiro tentou um passe de efeito arriscado quando a defesa estava desprotegida para o contra-ataque, arma mortal dos argentinos. William Arão abandonou a marcação da faixa central para “atrapalhar” quem devia estar atento ao pequeno Barco. Meza entrou no espaço vazio e acertou um lindo chute. Aliás, que partidaça do camisa 8 do Rojo!

Ainda assim, o Flamengo manteve o equilíbrio e saiu para o ataque. Controlou bem, na reta final, a transição veloz do adversário. E incomodou sua defesa com a agilidade de Vinicius Jr.. Se tecnicamente alguns jogadores seguem devendo, a mensagem foi dada (e reforçada pelo site oficial do clube): o Flamengo sai da Argentina vivo. E vai decidir em seu caldeirão.

Num jogo de 180 minutos, perde por um gol de diferença. Terá mais 90, ou 120, para virar. E tem totais condições de chegar ao título. Desde que mantenha a intensidade, concentração, atitude e fé que tem mostrado nas últimas partidas.

O recado rubro-negro já foi compreendido pelo Independiente, que sinalizou no final do jogo de ontem. O time argentino virá ao Rio fora de seu padrão. Deve formar uma linha de três zagueiros e abrir mão da proposição de jogo. O grandão venezuelano Amorebieta, que entrou assustado, deve começar o jogo como líbero para promover a defesa anti-aérea. É claro que esta será uma das chaves do jogo. A outra é o Flamengo saber atacar sem deixar a defesa exposta à velocidade dos habilidosos meias do Independiente.

Na “guerra” psicológica, o time brasileiro saiu na frente.


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