Não foi fácil, mas o Flamengo está na Libertadores

A vaga na fase de grupos é nossa, vamos poder tentar esquecer esse ano e parar de xingar sempre que alguém fala de Libertadores perto da gente.

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Fosse o planejamento do futebol do Flamengo uma pessoa, 2017 seria o ônibus que não apenas atropelou essa pessoa, como deu ré para atropelar de novo, voltou e atropelou outra vez, e o motorista ainda convidou todos os passageiros a saírem do veículo e chutarem o planejamento apenas mais uma vez cada um, pra garantir, pode pisar forte mesmo.

A Libertadores para a qual estávamos otimistas foi um vexame, a Su-Americana que nem esperávamos disputar é nossa principal chance de título, o nosso goleiro titular é a antiga 5ª opção para o gol e o nosso principal reforço no começo do ano, Conca, basicamente descobriu no Flamengo o melhor plano de saúde do mundo, já que não apenas foi pago pra fazer fisioterapia, como nem teve que marcar horário ou pegar fila.

Diego comemorando gol pelo Flamengo contra o Vitória - Foto: Gilvan de Souza


Então, nada mais normal que a classificação para a Libertadores, que deveria vir tranquilamente num ano em que disputaríamos rodada a rodada o título brasileiro, tenha vindo na rodada final, quando obviamente já não brigávamos pelo título faz meses, num gol de pênalti no último segundo de uma partida disputada fora de casa contra uma outra equipe também desesperada. Sim, lá se foi o menino planejamento ser atropelado mais uma vez.

Mas o Flamengo está na Libertadores 2018. Não foi fácil, não foi como o planejado, por alguns instantes existiu a chance real de que nem mesmo na pré-Libertadores fôssemos nos garantir através do Campeonato Brasileiro e num dado momento nos vimos comemorando a classificação através de um gol do Rafael Vaz, situação essa que, se você viajasse no tempo até a semana passada e contasse para alguém, a pessoa iria dizer “ok, viagem no tempo tudo bem, mas gol do Rafael Vaz me desculpa, isso é cientificamente impossível”. Mas, sim, a vaga na fase de grupos é nossa, vamos poder tentar esquecer esse ano e parar de xingar sempre que alguém fala de Libertadores perto da gente.

E garantida a classificação, é claro que agora temos apenas um foco nesse fim de ano: a Sul-Americana. A competição da qual nem esperávamos participar, vindos de uma semifinal da qual muitos não acreditavam que fôssemos passar, mas que agora é o centro das nossas atenções não apenas por ser a última chance de título num ano frustrante, mas também por ser esse um título internacional, experiência que o Flamengo não vive desde a Mercosul de 1999. E qualquer coisa que você não faz desde a época em que existia a Copa Mercosul é algo que você não faz há tempo demais.

Então que venha a Sul-Americana. Que venha o Independiente. Que nessa loucura alucinada que vem sendo o Flamengo 2017, quando os planos foram todos jogados pela janela e a única coisa que podemos esperar é o totalmente inesperado, o rubro-negro tenha nos reservado para o fim de ano a única boa surpresa possível, que é tirar da garganta um grito de campeão em portunhol que apague os xingamentos e lamentações que ocuparam o ano todo.

Mesmo porque eu li na Wikipedia que existe uma competição chamada Supercopa Euroamericana, em que o vencedor da Sula enfrenta o vencedor da Liga Europa. E, se ela for mesmo real, podemos acabar vendo Pará partindo com a bola pra cima de Pogba. Se o Flamengo quer o inesperado, vamos admitir: não dá pra ir mais longe do que isso.


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