O dilema da torcida do Flamengo

EUGÊNIO LEAL: Deixei passar uns dias. O que aconteceu na decisão da Copa Sul-americana mexeu muito comigo. Me entristeceu de verdade. Se tem uma coisa que me tira do sério é o futebol ser motivo para violência. Não consigo conceber que uma final de competição continental fique em segundo plano diante da barbárie.

A torcida do Flamengo protagonizou um vexame gigantesco, de proporções mundiais. Uma vergonha que ganhou o mundo. Sim, a torcida, do Flamengo! Porque não dá pra dizer que não são torcedores. Claro que não é a maior parte, mas é impossível dissociar milhares de pessoas da torcida. Foram muitos, falam em milhares, que invadiram o Maracanã.

A vergonha das cenas de todo tipo de vandalismo é infinitamente superior à derrota no campo. Esta faz parte do jogo: se ganha e se perde. E quando se perde em campo com dignidade, numa final, também se sai vencedor. Sim, o esporte não é feito só de vitórias. Elas não são obrigação!

Torcida Organizada do Flamengo na Ilha do Urubu - Foto: Marcelo Gonçalves
Portanto, o torcedor do Flamengo que tanto gosta de reclamar de jogadores e dirigentes, desta vez foi o motivo de uma das grandes vergonhas da instituição.  Uma pena.

Um título internacional é uma conquista. Chegar a uma decisão, um privilégio. Cinquenta e quatro clubes jogaram a Copa Sul-americana. Cinquenta e três não foram campeões. Nenhuma torcida pode exigir que seu time seja o campeão. Há adversários lutando pelo mesmo objetivo. Eles precisam ser respeitados.

E aí está um dos problemas. Não se respeita adversário algum, especialmente os sul-americanos. Faz parte da tal “cultura do futebol brasileiro” desprezar a capacidade dos vizinhos. Um desprezo burro, arrogante, cego. Torcedores e grande parte de mídia diziam, e alguns seguem dizendo, que o time, campeão, do Independiente é fraco. Colocam toda a responsabilidade da derrota nos erros do Flamengo. Não sabem o que é futebol. Não entendem nada do esporte que dizem amar.

Não se interessam em saber como jogam as outras equipes. Só acham que são sempre os maiores. A torcida egocêntrica do Flamengo precisa fazer um mea-culpa. Enquanto seguir achando que o mundo do futebol se curva aos pés de seu time, seguirá testemunhando fracassos.

O clube rubro-negro tem, sem dúvida, a maior torcida do Brasil. Mas seus feitos em campo não são do mesmo tamanho. Historicamente. O Flamengo lidera o número de estaduais no Rio de Janeiro, mas em nível nacional e internacional não é o maior vencedor. Fora do país, então, a lista de títulos é pequena.

A ficha precisa cair. Enquanto o torcedor envolver o Flamengo nesta ciranda de excessos para o bem e para o mal, estará atrapalhando. Ele se ilude facilmente com vitórias eventuais e critica de forma louca quando, infantil, se frustra com algum resultado. Esta postura precisa mudar. A torcida do Flamengo precisa evoluir sua mentalidade esportiva. Caso contrário fará do clube um refém de sua incapacidade de entender o futebol atual.

Imagino esta torcida gigantesca e criativa apoiando sempre o time, incondicionalmente. Promovendo festas e lotando todos os jogos, incentivando os atletas mesmo nos momentos de erro. Respeitando o seu próprio time e também os adversários. Recebendo com, pelo menos, civilidade os rivais mesmo quando a reciprocidade não acontecer.

Ajudaria muito mais o time. Seria uma referência positiva mundial. Quem sabe um dia?

Não há diretoria que suporte a tamanho da pressão exercida no Flamengo. Seja nas mídias sociais, na imprensa, na vida política do clube ou nos estádios e suas cercanias. O clube sangra com a grande quantidade de interesses que o cerca. E que muitas vezes não são os seus verdadeiros interesses. Tal pressão leva a decisões equivocadas tomadas em momentos de nervosismo e medo em que a razão perde de goleada para a emoção.

O clube sofre com atitudes como as da final da Sul-americana. Corre o risco de sofrer uma grave punição. Com razão. Vândalos, que atrapalham o trabalho de profissionais e o sonho de milhões de torcedores realmente apaixonados pelo clube.

Não cabe como explicação a questão da “elitização” da torcida no estádio. Ela existe, sim. É irreversível. Faz parte do sistema capitalista que domina o mundo. A pergunta é: porque tantos “apaixonados” não compareceram à semifinal? Havia muitos espaços vazios nos jogo com o Junior de Barranquilla. Ou nos jogos da Ilha do Urubu, que teve média de 13 mil torcedores, quando a capacidade é de 20 mil. Quem é louco pelo clube a ponto de promover tamanha bandalheira deveria querer ir a todos os jogos, não apenas a final.

É utopia, sim. Parece impossível reverter a tendência Kamikaze da torcida rubro-negra. Mas, você, torcedor apaixonado pelo clube, é quem pode fazer isso. Vai ficar de que lado?

O torcedor do Flamengo que tanto gosta de reclamar de jogadores e dirigentes, desta vez foi o motivo de uma das grandes vergonhas da instituição.

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