O que é raça, amor e paixão

O Flamengo teve uma precisão e concentração pouco vistas ao longo de toda a temporada.

SPORTV: Por Paulo Cesar Vasconcellos

A vitória sobre o Junior Barranquilla exuma o lado mais comum a qualquer torcedor do Flamengo, independentemente de endereço, saldo bancário, raça, gênero ou crença: o otimismo. Antes de Zico e companhia era assim e depois dele e daquela geração ficou mais forte ainda. O que se viu na noite de quinta-feira foi um Flamengo determinado a vencer e com os jogadores entendendo que o raça, amor e paixão não significa distribuir pontapés, botar dedo na cara de juiz - que, por sinal, ignorou um toque de mão do Juan dentro da área - e tampouco vibrar quando coloca uma bola pela lateral. Em ambiente hostil, o Flamengo teve uma precisão e concentração pouco vistas ao longo de toda a temporada.

Vizeu comemorando gol pelo Flamengo contra o Junior Barranquilla - Foto: AFP / Luis Acosta


Conta para isso, o acerto de Reinaldo Rueda ao não escalar o Muralha, que ao lado da diretoria conta as horas para a temporada terminar e trocar de ares em 2018. Não tê-lo em campo deixou os jogadores mais seguros. Muralha, graças aos erros que cometeu e aos exageros cometidos por quem não sabe diferençar crítica de ofensa, é hoje um profissional marcado. Preservá-lo significa entender que não há mais espaço para ele no Flamengo. E o seu substituto, apesar da ausência de partidas seguidas, conseguiu defender um pênalti, sair-se bem quando exigido e devolver aos jogadores a convicção de que há um goleiro mais confiante tecnicamente e seguro emocionalmente.

A dois jogos da conquista de um título que só entrou no radar por fracasso na disputa de outros - Libertadores, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil -, o Flamengo, percebe-se, evolui dentro de campo. Não era para ter sido derrotado pelo Santos e tampouco na noite de quinta-feira, apesar da pressão do time local, mostrou segurança. Tem muito a melhorar, especialmente no planejamento e calendário das contratações.

Até o segundo jogo contra o Independiente, o clima de terra arrasada será minimizado. Mas não pense Reinaldo Rueda que a tranquilidade será a tônica neste final de ano. O jogo contra o Vitória carrega o peso de garantir uma vaga na Libertadores _ não tenho dúvidas de que o Flamengo a disputará - e terminar na tabela de classificação na frente do Vasco da Gama, o maior rival. Ainda engatinhando no entendimento de como é o jeito de andar e pensar do elenco verde e amarelo, Rueda precisa ter muito claro que os efeitos da classificação à final da Sul Americana têm hora e local para cessarem: 17 horas no Barradão.

Cariocas

O domingo marca a última chance de Vasco e Botafogo lutarem pela chance de disputarem vaga na Libertadores. O fundamentalista gritará aqui e ali que os dois clubes tiverem péssimo ano. Não é verdade. O raciocínio simplista e muito comum por essas terras associa bom ou ótimo a conquista de título. O processo de recuperação do Vasco, a partir da chegada de Zé Ricardo, fez com que a ideia de reencontro com a Série B sumisse no tempo e no espaço. Há tempos considerado menor, apesar da biografia de capa dura e papel fino, o Botafogo voltou a ser olhado com atenção e respeito. Passa por momento delicado, pois paga pela conta do alto desempenho ao longo do ano. Tenho dúvidas se terá capacidade para reagir e entrar no grupo de participantes da Libertadores.


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