Os tipos de ídolos

COSME RIMOLI: Aos 34 anos, Fred demostra o perfil do jogador moderno.

O que veste a camisa do clube que o paga mais.

Não importa se é o maior rival da torcida que o amava.

Ele fez o caminho, que seria considerado traição, o que, por quatro décadas.

"Quando houve a troca do treinador do Barcelona, meu espaço acabou na Espanha. E o Flamengo tentou a minha contratação. A direção do Vasco soube e foi atrás. A decisão foi minha. Então, optei pelo clube que me projetou. Por respeito ao torcedor que sempre me apoiou", revela Roberto Dinamite.

"No Brasil não jogaria em outra equipe a não ser o Flamengo. Sempre tive muita honra e orgulho de ser ídolo na Gávea. Não queria me imaginar marcando gols contra o Flamengo. Ainda mais em qualquer outro clube do Rio.

"Seria algo absurdo para mim. Isso extrapolou a minha carreira como jogador. Como técnico também. Fui procurado por várias equipes grandes de São Paulo, Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Não me senti à vontade para aceitar. Várias vezes presidentes do Flamengo me quiseram como treinador. Mas eu não quis arriscar a minha idolatria. E acredito que acertei."

Zico, ex-jogador do Flamengo - Foto: Michel Barrault / Onze / Icon Sport
Esta é a postura de Zico.

"Por tudo que o Palmeiras fez na minha vida, jamais atuaria no Corinthians, o maior rival. E assim também como no São Paulo ou Santos. Por uma questão de respeito, reconhecimento, consideração. E, principalmente, respeito. Ao clube e ao torcedor palmeirense", Ademir da Guia.

"A camisa do Santos para mim sempre foi a única no Brasil. Como é que eu poderia jogar em outro clube? Foi na Vila Belmiro que eu nasci. Consegui o respeito do mundo. Só atuei nos Estados Unidos quando havia acabado a minha carreira no meu país. Jamais atuaria aqui por outra equipe.

"Principalmente as rivais. Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Fui várias vezes sondado. Não existia essa história de modernidade para mim. Pode ser que tenha perdido muito dinheiro, mas para mim era assim. Importava mais a minha ligação com o Santos", decretou Pelé.

Mas houve exceções. Zagallo depois da conquista do Mundial, trocou o Flamengo pelo Botafogo. Garrincha, já com os joelhos e tornozelos em péssimo estado, jogou com a camisa do Flamengo. Conseguiu entrar em campo apenas 15 vezes e marcar quatro gols. Não houve escândalo porque seu estado financeiro era muito ruim. O alcoolismo já começava a dominá-lo.

Aos poucos, a situação foi mudando.

Em 1986, Belo Horizonte viu espantada, Reinaldo, o grande ídolo atleticano, vestiu a camisa do Cruzeiro. Aos 29 anos, ele queria seguir carreira. Mas operações nos seus joelhos impendiam que voltasse a ser o atacante genial da inesquecível campanha do hexacampeonato mineiro. A direção atleticana tinha seu histórico médico e fechou as portas para o ídolo.

O Cruzeiro, não. E Reinaldo decidiu mostrar que sua vontade de jogar era mais forte. Foi um choque para os torcedores atleticanos, a negociação foi tratada como extrema traição. Só que os joelhos frustraram o atacante, o presidente Benito Masci e os cruzeirenses que foram vê-lo atuar contra o Rio Branco do Espírito Santo e o Bahia.

As mais de 50 mil pessoas que viram essas partidas chegaram à mesma conclusão que o então treinador Carlos Alberto Silva. Reinaldo não tinha mais condições de jogar. Foram apenas dois jogo com a camisa azul celeste. Com o tempo, a torcida atleticana perdoou Reinaldo e fingiu esquecer. Ainda o trata como um dos maiores ídolos da história do clube.

A partir dos anos 80, o pecado passou a ser perdoado. Mário Sérgio foi campeão brasileiro invicto com o Internacional, em 1979. Em 1983, estava dando volta olímpica, campeão mundial com a camisa gremista.

Em 1995, Romário não teve o menor constrangimento. Um dos maiores ídolos da história do Vasco da Gama, vestiu com todo orgulho, a camisa do maior rival. O Flamengo. Foi duas vezes campeão carioca e venceu o Mercosul. Não contente ainda teve uma passagem pelo Fluminense. O Vasco sempre o aceitava de volta. Atuou três vezes em São Januário.

"Minha identificação sempre foi com o Vasco. Mas fui jogador profissional. Tinha o direito de defender o clube que era melhor para mim, para a minha família profissionalmente. Nunca sacaneei ninguém. O torcedor vascaíno entendeu. E sempre respeitou as minhas decisões. Tanto que sou ídolo do Vasco até hoje. A relação tem de ser boa para o jogador. Ele não pode ser escravo de um clube só porque o lançou. Nunca vi nenhum desrespeito nisso", resumiu Romário.

Edmundo, Roger, Paulo Henrique Ganso, Marcelinho Carioca, Ricardinho, Denílson, Müller, Cafu, Antônio Carlos, Viola, Luizão e tantos outros acabaram com a tradição.

"Quero jogar onde me sentir bem. Simples assim", disse Ganso ao trocar o Santos pelo São Paulo. "Respeito o Corinthians, mas a proposta do Palmeiras foi excelente. E vou tocar a minha vida", explicou Viola.

Atualmente, essa ligação umbilical quase não existe mais. Marcos no Palmeiras e Rogério Ceni, no São Paulo, foram duas inesquecíveis exceções.

Fred não pode ser crucificado.

Muito pelo contrário. Ele surgiu no América Mineiro. O Cruzeiro ofereceu melhores condições de trabalho e ele foi para a Toca da Raposa. Passou um ano e meio lá. Se destacou, foi para a França. Quando não teve mais espaço no Lyon, o Fluminense o comprou. Em 2016, o Atlético Mineiro o procurou e não o Cruzeiro. Ele foi. Acabou sendo pela terceira vez artilheiro do Brasileiro.

Seu staff usou muito bem como cortina de fumaça o interesse do Flamengo e do Fluminense, negociou sigilosamente com o Cruzeiro. Se a direção atleticana soubesse não teria rescindido o contrato amigavelmente. Ao ser anunciado como a grande contratação do rival para a Libertadores, o cúpula do Atlético Mineiro vem a público dizer que havia uma cláusula no contrato. Uma multa de R$ 10 milhões que o impedia de ir para o Cruzeiro antes de dezembro de 2018.

Só que qualquer advogado de esquina consegue provar.

Essa cláusula é ilegal.

O trabalhador, livre, pode ir para onde quiser.

O Atlético Mineiro deu seu presente de Natal ao maior inimigo.

Fred vestirá a camisa do Cruzeiro de novo.

Ganhará os mesmos R$ 900 mil mensais.

Só que terá três anos de contrato.

Com o Atlético restava apenas um.

Relembrando: ele já tem 34 anos.

Quem pode atirar a primeira pedra?

Seu staff usou muito bem como cortina de fumaça o interesse do Flamengo e do Fluminense, negociou sigilosamente com o Cruzeiro.



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