Plano para Organizadas do Flamengo previa até 500 ingressos

GLOBO ESPORTE: A relação entre o Flamengo e a organizada, que teve o presidente Alesson Galvão de Souza preso na última segunda-feira (a justiça determinou nesta terça a soltura dele e de outros detidos na investigação), está no papel. O Globoesporte.com teve acesso ao contrato que regula a liberação de lotes de até 500 ingressos para jogos com mando do clube para a Raça Rubro-Negra (RRN).

Nesta segunda-feira, foi deflagrada a Operação Limpidus da Polícia Civil, que investiga envolvimento de integrantes de organizadas e funcionários e dirigentes de clubes em esquema de revenda ilegal de ingressos com preços majorados. Cinco pessoas ligadas à operação de ingressos do clube da Gávea foram detidas.

Foto: Divulgação
O plano de sócio corporativo foi uma saída jurídica da atual diretoria em 2013 (o acordo com a RRN foi firmado em março daquele ano) para controlar a venda de lotes de ingressos para torcidas organizadas. Cada uma tem sua cota fixa, que tem de ser comprada inteira, para cada jogo. A RRN, por ser a maior das organizadas do clube, tem a maior cota. O acordo prevê o cadastro de até 500 usuários. A organizada pode, com 10 dias de antecedência, desistir de até um terço de sua cota.

Os integrantes da organizada, ao custo mensal de R$ 10 por integrante beneficiado, são equiparados aos sócios-torcedores do plano "Amor" (R$ 99 por mês) na ordem de preferência para compra dos bilhetes - sem desconto -, ou aos integrantes do plano "Raça" (R$ 39 por mês) - no caso de entradas com valor promocional.

Para se registrar no programa de sócio corporativo, é necessário CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) ativo e nenhuma restrição de comparecer a estádios em território nacional. O texto do contrato também fala em cadastro dos beneficiários, os torcedores que usariam os ingressos comprados através do programa.

A cláusula 1.4.1 do contrato prevê que os descontos podem chegar a 100%. Diz o texto: "Os descontos concedidos ao Plano Corporativo poderão variar de 0 (zero) a 100% (cem por cento) sobre o valor inteiro do ingresso vendido ao público em geral, sendo definido o percentual de desconto concedido a cada partida, conforme as regras definidas neste termo". A cláusula 1.4, no entanto, determina que os descontos deverão ser equiparados aos oferecidos para sócios-torcedores do plano "Raça".

O advogado da organizada, Paulo Victor Lima, diz que jamais houve cessão de ingressos sem custo, somente com desconto. O Flamengo, por sua vez, informou que não vai se pronunciar sobre o assunto no momento. Em outras ocasiões a cúpula do clube já declarou que não doa ingressos para as suas organizadas. O programa corporativo sequer é anunciado na página oficial do clube que expõe os planos para sócios-torcedores. Além da RRN, outras três organizadas estão vinculadas ao programa.

Questionado sobre o funcionamento do programa, o advogado da RRN explicou, em entrevista na Cidade da Polícia, na segunda-feira, horas depois das prisões:

- Criaram uma espécie de sócio corporativo, onde qualquer pessoa jurídica pode chegar ao Flamengo, preencher os requisitos, é feita uma análise do jurídico do Flamengo, e eles fazem um cadastro. A gente apresenta uma lista de integrantes da torcida e é feito um valor para esse sócio corporativo que não é o mesmo valor do individual, até porque você compra para muita gente, é uma carga maior. E é nesse sentido que a Raça ou qualquer torcida do Flamengo consegue os ingressos. A gente tem contrato com eles. A torcida arrecada o dinheiro, a gente comprova quantos torcedores temos ativos, e temos o representante que paga na conta do Flamengo.

Lima afirmou que a média é de 200 ingressos por jogo:

- É uma média de 200 torcedores, mas isso oscila muito, ainda mais com a crise. Tem mês que pagam mais, tem mês que pagam menos, a gente não consegue ter um controle muito fidedigno, mas a gente tenta sempre passar ao Flamengo quantos estão ativos.

Ele disse ainda que os ingressos fornecidos não são nominais:

- Não é nominal, não sai com o nome do torcedor que paga.

Segundo o advogado, a cessão dos ingressos para os integrantes da RRN é feita de forma individual com obrigação de assinatura de recibo de retirada:

- Quando o sócio está retirando o ingresso, assina um recibo. Lá é individual. A Raça não passa em lotes. Por exemplo, um grupo de 20 amigos, não passa para um representante, tem de ir os 20 lá, a gente tem um canhoto, eles assinam esse canhoto de retirada. Temos esse controle. A gente não passa lote de 20, 30, 50 ingressos.

O promotor Marcos Kac ressaltou que novas prisões podem acontecer:

- A investigação permanece em curso. Existe participação de pessoas de dentro dos quatro grandes clubes, isso é inegável, e essa participação dos clubes que faz com que a organizada se empodere e gere essa briga por espaço, poder e dinheiro.

Os integrantes da organizada, ao custo mensal de R$ 10 por integrante beneficiado, são equiparados aos sócios-torcedores do plano "Amor".


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