Rimoli diz que trabalho de Rueda no Flamengo é "decepcionante"

O time com Reinaldo Rueda não consegue convencer. Segue instável, cheio de falhas e inseguro.

COSME RIMOLI: Não há como negar que a CBF tem sérios problemas de coordenar seu calendário. Ainda mais envolvendo o time preferido da TV Globo, o Flamengo. Não é por acaso que o time completou sua 84ª partida no ano. Não teve a mesma proteção da AFA, que deu o fim de semana de descanso para o Independiente, antes do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana.

Só que o cansaço, a torcida fanática em Avellaneda no estádio Libertadores da América, as ausências de Guerrero e Diego Alves. Não, nada disso justifica a falta de intensidade, a péssima distribuição tática, a falta de coragem do Flamengo. O time saiu na frente e permitiu a virada argentina, de forma muito passiva.

Rueda comemorando gol com jogadores do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
O time até pode ser campeão da Sul-Americana, na próxima quarta, no Maracanã.

Mas o trabalho de Reinaldo Rueda é extremamente decepcionante.

Sim, o colombiano chegou no meio da temporada.

Sim, o Flamengo já está na fase de grupos da Libertadores de 2018.

Só que o time não é nem sombra do time versátil, envolvente, voluntarioso, moderno, que não deixava o adversário respirar. O Atlético Nacional, campeão da Libertadores de 2016, até parecia ser comandado por outro treinador.

A falta de convicção de Rueda é algo assustador.

Diante das expectativas, seu trabalho segue deixando a desejar.

"Temos que igualar a intensidade deles, com ordem. Creio que não vai mudar do que fizemos hoje. Temos que melhorar a contundência e a eficácia nos últimos 20 metros. Temos que sair em busca do jogo em função do placar adverso. Com agressividade ofensiva, mas tem que ter precauções, porque eles têm bom contra-ataque. Vai ser um jogo muito parecido com o de hoje", discursava Rueda, projetando a partida final, na próxima quarta.

"Vocês (jornalistas) sabem que Independiente não jogou no último fim de semana, fizemos o dobro esforço na Bahia. A intensidade do Independiente está a 500%.

"Fomos muito passivos na marcação, evitando faltas perto da área. Mas isso talvez permitiu a opção de desequilíbrio. Queríamos fazer o segundo gol e acabamos propiciando o contra-ataque.

"Vocês (jornalistas) sabem que temos duas ausências grandíssimas: Diego Alves e Guerrero, um goleador. Tivemos essas baixas sensíveis, e naturalmente se sente, ainda mais por sua experiência. Paolo tem sua cota de gol, incomoda os rivais a capacidade de segurar a bola, dar respiro aos volantes. Creio que é determinante a falta dele."

As desculpas de Rueda após o jogo, seguiram sem passar a mínima convicção e confiança na conquista da Sul-Americana. Mesmo com a certeza de que o Maracanã estará lotado, com mais de 60 mil flamenguistas.

O time não adquiriu padrão, segue instável, com muitas falhas, principalmente na marcação. Chegou a ser irritante como o Independiente de Ariel Holan forçou pela direita, explorando o grave defeito na marcação de Trauco. As triangulações ou simples investidas de Meza escancararam a defesa flamenguista. Everton Ribeiro deve passar por uma das piores fases na carreira. Mas segue intocável. Jogou mal demais. Errou passes e lançamentos primários. Além de mostrar improdutivo egoísmo no ataque, ainda perdeu bolas importantes. Como na que ocasionou o contragolpe argentino que empatou o jogo.

Rever marcou o primeiro gol, mas a dupla que forma com Juan, segue lenta e facilmente batida na velocidade. A proteção de Willian Arão segue irregular. Além disso, o Flamengo entrou tenso, irritadiço na final. O jogo coletivo falhou completamente.

Por sorte, o Independiente é apenas uma equipe competitiva. Nada além disso, porque, se tivesse um mínimo a mais de qualidade, poderia ter aberto uma vantagem irreversível.

Rueda parece não estar completamente concentrado no seu trabalho no Flamengo. Sua mãe está internada na Colômbia, com grave problema de saúde. O Deportivo Cali já fez proposta para o técnico voltar a seu país. Reinaldo já percebeu que os dirigentes, os torcedores e os jornalistas brasileiros estão decepcionados. Esperavam muito mais do seu trabalho.

Mesmo diante desse cenário não será surpresa se o Flamengo for campeão na próxima quarta-feira. E em seguida, Rueda anunciar que será obrigado a deixar a Gávea, para cuidar de sua mãe na Colômbia.

Se isso acontecer, haverá até um certo alívio.

O time com Reinaldo Rueda não consegue convencer.

Segue instável, cheio de falhas e inseguro.

Classificou seu time à Libertadores de 2018.

Chegou à decisão da Copa Sul-Americana.

Mais pelo péssimo nível dos rivais.

Do que pelo nada empolgante futebol do seu Flamengo...


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