Romário relembra 95 e aposta no Flamengo: "Agora é outra história"

E mostrou tristeza por não ter conquistado um título internacional pelo clube no qual, apesar dos poucos títulos, teve grande identidade.

SPORTV: O ano era o de 1995, do centenário do Flamengo. Com a camisa 11, Romário, contratado do Barcelona como o maior jogador do mundo eleito pela Fifa. Em 1994, no tetra mundial da Seleção, nos EUA, tinha sido o grande nome. Na equipe rubro-negra, após os três gols marcados na vitória por 3 a 2 sobre o Botafogo na decisão da Taça GB, o Baixinho jogou duas finais importantes no ano emblemático. E as perdeu. No Carioca, sucumbiu com o time no gol de barriga de Renato no Fla-Flu vencido de virada por 3 a 2 pelos tricolores. E na última chance, na decisão da Supercopa, perdeu o título para o Independiente em pleno Maracanã, mesmo marcando o gol do triunfo por 1 a 0 - a equipe perdera em Avellaneda por 2 a 0. Agora, na final desta quarta, pela Sul-Americana, prevê mais uma taça para a sala de troféus rubro-negra.

- Flamengo, Maracanã, Independiente, o adversário de 22 anos atrás... O resultado mais ou menos parecido... O Flamengo foi lá fora e perdeu... Mas é outra história. Desta vez vai dar Flamengo - disse ao "Troca de Passes" o ídolo de várias torcidas, que com a camisa rubro-negra tornou-se um dos maiores artilheiros da história do clube, com 204 gols.

Foto: Reprodução
Sobre a final de 1995, Romário lembrou que a equipe, derrotada no jogo de ida por 2 a 0, dominou totalmente a partida no de volta, com o Maracanã lotado, mas desperdiçou várias oportunidades. E mostrou tristeza por não ter conquistado um título internacional pelo clube no qual, apesar dos poucos títulos, teve grande identidade.

- Acabou sendo uma situação triste para o Flamengo, triste para mim, triste para os rubro-negros (...) A gente tem momentos em que as coisas, quando não têm que acontecer, não acontecem. Aquele foi um momento em que não era a hora do Flamengo. Por tudo o que o Flamengo fez, não só na competição, mas naquele jogo específico, no Maracanã, cara, a gente teve seis, sete chances de fazer gol. Eu tive duas ou três, Sávio teve outra, o Rodrigo (Mendes) teve outra, o Chulapa (Aloísio) acho que também teve. Enfim, a coisa não andou. Não era para a bola entrar.

Naquele 1995, Romário formou com Sávio e Edmundo (que ficou fora da final da Supercopa) o chamado "ataque dos sonhos". Com o amigo e depois desafeto Edmundo, gravou o "Rap dos Bad Boys" logo na chegada do Animal ao Flamengo, no meio do ano. Depois, os atacantes desafinaram dentro e fora de campo com problemas de relacionamento. A final da Supercopa contra o Independiente era a grande esperança de salvar o ano do centenário. E Romário tem como boa recordação a invasão - literalmente - da torcida rubro-negra num Maracanã que, apesar de já menor, recebeu um público de 89.336 pagantes (com pouco mais de 105 mil presentes).

- A gente tinha perdido lá fora de 2 a 0 no primeiro jogo. Em casa, por mais que a gente tenha tido mais chances de gols, a gente jogou muito melhor. O Maracanã, naquela época, talvez tenha recebido um dos cinco maiores públicos da história. A torcida compareceu em massa - disse o Baixinho, exagerando nos números da torcida no estádio.

Romário recordou também a presença, no banco, como treinador, do jornalista Washington Rodrigues, o Apolinho, convocado à época pelo presidente Kléber Leite para comandar a equipe e aparar as arestas no grupo. O camisa 11, inclusive, tinha problemas com o até então comentarista de rádio. Mas desde o primeiro encontro no clube, tornaram-se grandes amigos. O Baixinho lembrou a primeira frase do novo técnico antes da coletiva em que assumiu o posto.

- A primeira frase dele foi exatamente isso: "A gente tem duas coisas para fazer. Não tem outra solução. Ou a gente se abraça aqui agora ou senão a gente vai sair na porrada e vai ver como é que fica. Aí eu falei: "Pô, tu já tá mais velho do que eu, né? Vamos nos abraçar que é bem melhor. Então, a partir dali ficou uma amizade que durou até hoje.

Admirador e amigo de Romário até hoje, Apolinho lembrou que, além do desfalque de Edmundo na final, não teve o Baixinho 100% bem fisicamente - jogou no sacrifício, com desconforto na coxa. Mesmo assim, ainda marcou o gol da vitória e teve boa atuação. Washington Rodrigues fez questão de contar também como recebeu o convite do então presidente Kléber Leite para mudar de profissão.

- Eu estava em casa com o Vanderlei Luxemburgo, ele estava me visitando, tinha acabado de sair do Flamengo, com aquele gol de barriga do Renato (no Fla-Flu da final do Estadual de 1995). Tocou o telefone era o Kléber (Leite, presidente do Fla à época). Eu imaginei que fosse para me consultar, ele me ouvia muito. E havia um problema sério no Flamengo de relacionamento interno e externo. Quando cheguei no restaurante., eu já tinha jantado, ficamos batendo papo, ele querendo saber o que eu achava da situação, aquele negócio todo. "Já temos o nome do novo treinador." "Então por que você está me perguntando?" "O nome está debaixo daquele prato." Aí eu virei o prato, estava o meu nome. "Ah, tá brincando, né? É pegadinha, cadê a câmera?" - disse, para depois explicar que não tinha como recusar o desafio.

Apesar de na época ainda não ter bom relacionamento com o Apolinho, Romário confessou ter adorado a ideia.

- Achei muito legal. Interessante, diferente.


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