Rueda chega à sua terceira final em quatro copas continentais

Se ainda não joga o futebol dos sonhos, o Flamengo acaba de chegar à sua segunda final de Copa sob o comando do colombiano.

EUGÊNIO LEAL: Reinaldo Rueda classificou o time que dirige para a terceira das últimas quatro finais de torneios sul-americanos. Campeão com o Atlético Nacional da Libertadores 2016, chegou com o mesmo time à final da Copa Sul-americana do ano passado e agora repete a classificação com o Flamengo. Nem vou incluir a Copa do Brasil em que, na verdade, ele passou apenas pelo Botafogo, mas poderia.

O técnico colombiano chegou ao Ninho do Urubu com apoio da torcida. O desempenho ruim nos jogos do Brasileirão, entretanto, trouxe muita desconfiança. De fato o Flamengo não joga o futebol bonito do Atlético Nacional que ele dirigia. É preciso, em primeiro lugar, entender que o trabalho começou no meio da temporada. Rueda não teve como implantar sua filosofia em treinos e se viu obrigado a trabalhar com as peças disponíveis.

Rueda comemorando classificação pelo Flamengo - Foto: AFP/LUIS ACOSTA


Se ainda não joga o futebol dos sonhos, o Flamengo acaba de chegar à sua segunda final de Copa sob o comando do colombiano. E chegou atuando de forma muito competitiva. Foi um time pegador, com muita marcação e vontade de vencer. Mérito de Rueda, que exigiu este espírito publicamente.

Ele acertou também, e principalmente, na estratégia. No Rio, apostou na bola aérea e venceu. Em Barranquilla montou o melhor sistema defensivo do ano rubro-negro. Uma muralha (com o perdão da palavra) que passaria mais duas horas sem sofrer gol. Nem de pênalti!

A escolha óbvia de César para o gol ajudou a dar confiança ao time. O que funcionou, mais do que isso, foram duas outras medidas: segurar os laterais lá atrás e montar uma linha de três volantes para proteger os zagueiros. Sim, ele fez isso. Arão pela direita, Cuellar centralizado e Paquetá pela esquerda. Diego e Everton Ribeiro davam o combate um pouco mais à frente e Vizeu incomodava os zagueiros colombianos. O Flamengo passou do seu tradicional 4-2-3-1 para um 4-3-2-1, com mais combate na intermediária defensiva. O time todo participou. Por isso o excelente Junior, de Barranquilla, não criou chances condizentes com o tempo de posse de bola que teve.

Neste sistema foi importante a movimentação de Paquetá que, quando o time recuperava a bola, saía pela esquerda para dar apoio ao ataque. Não é de se espantar que tenha se cansado mais do que o normal numa cidade onde calor e umidade se unem de forma intensa. Essa versatilidade de Paquetá fez com que a entrada do temido (pela torcida do Flamengo) Marcio Araújo ficasse apenas para os minutos finais da partida.

Desde a semana anterior eu defendi a escalação do Vinicius Jr.. A intenção era dar opção de velocidade ao time para os contra-ataques. Até então Vizeu não tinha mostrado seu lado velocista. Ele surgiu para surpresa de todos no início do segundo tempo, para a marcação do primeiro gol. Que momento vive esse menino! Assim, com a arrancada de Vizeu, o Flamengo reuniu o segundo quesito fundamental para a classificação na Colômbia: defesa forte + contra-ataque letal.

Parabéns ao estrategista Rueda. Ele agora terá de quebrar a cabeça para superar o futebol ousado e insinuante do Independiente. A diferença é que terá mais confiança de todos para isso.


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