Rueda e Bandeira de Mello têm muito a agradecer a César

E que, sob seu comando, o Flamengo não vibrava, não tinha alma. O fracasso no Brasileiro era representativo.

COSME RIMOLI: Reinaldo Rueda e Eduardo Bandeira de Mello respiram aliviados. A tensão ligava o treinador e o presidente do Flamengo. Ambos sabiam o quanto foi fundamental a vitória diante do Junior Barranquila por 2 a 0. O resultado levou o clube à decisão da Copa Sul-Americana. Depois de 16 anos, o Flamengo voltava a decidir um torneio continental. Em 2001, jogou e perdeu a final da extinta Copa Mercosul, para o San Lorenzo.

Com o resultado, Rueda não será demitido. E Bandeira de Mello seguirá forte no comando do seu grupo e fortalecido para fazer seu sucessor em 2018. O treinador colombiano estava seriamente ameaçado. Conselheiros insistiam que havia perdido o comando do grupo. E que, sob seu comando, o Flamengo não vibrava, não tinha alma. O fracasso no Brasileiro era representativo. A queda na Sul-Americana seria a pá de cal no seu trabalho.

César, goleiro do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza


Seria o décimo primeiro técnico a passar pela Gávea desde que Bandeira de Mello assumiu. Já foram despachados Dorival Júnior, Jorginho, Mano Menezes, Jayme de Almeida, Ney Franco, Vanderlei Luxemburgo, Cristóvão Borges, Oswaldo de Oliveira, Zé Ricardo. Muricy Ramalho abandonou a carreira por problemas de saúde.

Já a política de Bandeira de Mello de reconstrução financeira do Flamengo ficaria em último plano. Mesmo com o clube chegando a R$ 529 milhões de receitas nos nove primeiros meses do ano. Resultado importantíssimo. Mas seria desprezado com o fracasso na Libertadores, no Brasileiro e na Copa Sul-Americana. O que importa na Gávea são os resultados do futebol.

Agora que a adrenalina baixou, justiça seja feita. O Flamengo foi sufocado, atuou fechado, buscando os contragolpes em velocidade, para explorar o desespero colombiano. Diego e Everton Ribeiro tiveram uma atuação fraquíssima. Não conseguiram articular as jogadas ofensivas. Elas dependeram de Paquetá e, principalmente, da vibração, da coragem de Vizeu. Juan e Pará cometeram pênaltis não marcados pelo acovardado árbitro chileno Roberto Tobar.

Mas o que ele marcou, outro personagem roubou a cena. César. Quarto goleiro do Flamengo. Criado na Gávea. Campeão da Copa São Paulo de 2011, ele esperava uma chance este ano. Ou sairia de vez. Depois crescer nas Seleções Brasileiras de base, ele era deixado de lado. Sem espaço foi emprestado à Ponte Preta, onde não entrou em campo, sendo mero reserva, em 2016. No começo deste ano, foi para a Ferroviária. Atuou um amistoso. Mas, com a saída de Paulo Victor, voltou ao Flamengo, em fevereiro.

Esteve na reserva do reserva até ontem. Com a fratura na clavícula de Diego Alves, de Thiago, também com fratura, mas no punho esquerdo, e com o afastamento de Alex Muralha, em fase terrível, chegou a inesperada chance. Na sua segunda partida do ano, teve uma atuação decisiva. Passou confiança ao time. Fez ótimas defesas. A maior delas veio no pênalti cobrado por Chará.

Mas por trás de seu grande desempenho, o esforço físico, a tensão do jogo com tanta responsabilidade se juntaram. E cobraram os juros no corpo do jogador. A adrenalina foi tanta que afetou a respiração, a tensão dominou seus músculos. Vieram as cãibras. Dores na coxa direita. Isso aos 14 minutos do primeiro tempo. A partir daí, ele não cobrava mais tiro de meta. E as reposições de bola eram feitas com as mãos. Quando a bola estava longe de sua área, ficava fazendo alongamento.

César foi mesmo o herói improvável.

"Eu estou mito contente. César é formado na base do Flamengo, estava esperando com muito profissionalismo, era o quarto goleiro, tivemos a situação de Diego Alves, antes o Thiago. Creio que ele respondeu com atitude e comportamento. É um jovem muito equilibrado, com trabalho de base", elogiou Rueda.

César acabou cercado pelos jornalistas, após ter garantido a classificação à final da Copa Sul-Americana. Foi quando mostrou seu caráter. Ao apoiar o desmoralizado Alex Muralha, que não foi nem relacionado para o jogo. E não deverá mais atuar com a camisa do Flamengo. Suas falhas o farão ser negociado assim que acabar a temporada. O Figueirense o quer de volta e é o principal interessado.

"O Muralha é um dos caras mais incríveis que tem. A gente está sempre se motivando nos treinos. Queria agradecer a ele, porque ele sempre me deu força e a gente pode sempre se apoiar. Eu pude dar um abraço nele depois do jogo. Agradeço a ele e tenho certeza que Deus ainda vai honrá-lo."

Muito humilde, César detalhou a defesa do pênalti.

"Claro que quando a gente pega um pênalti a gente fica muito feliz, ainda mais na circunstância que foi. A gente estava ganhando por 1 a 0 e um empate incendiaria a partida. Eu aguardei o máximo que pude. Queria agradecer e a gente pode estudar alguns jogadores. A gente analisou o Chará. As últimas três cobranças ele fez o gol e foram naquele canto (esquerdo). Eu tentei perceber a corrida dele, saltei para a esquerda e consegui fazer a defesa."

Não há nenhuma dúvida para Rueda. César será o goleiro do Flamengo daqui para a frente. Contra o Vitória, na última partida do Brasileiro, quando o técnico colombiano espera os três pontos. E já garantir o clube na Libertadores pelo Brasileiro. Porque, se perder a decisão da Copa Sul-Americana, contra o Independiente, e cair em Salvador, poderá ser ultrapassado por Vasco, Botafogo, Chapecoense e Atlético Mineiro. E ficar fora da Libertadores.

Por isso, a concentração total já para vencer no domingo. E esperar as duas partidas finais contra os argentinos do Independiente: primeiro jogo em Avellaneda e o último no Maracanã. Todos eles com César como titular.

"Eu nunca iria imaginar que isso poderia acontecer comigo em 2017. Não parece verdade. Mas tenho de agradecer a Deus. E dar tudo que posso, fazer o melhor para o Flamengo. E não decepcionar tanta gente que confia em mim", diz, humilde, o goleiro.

Reinaldo Rueda e Bandeira de Mello têm muito a agradecer a César...


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