Saiba como Mancu conquistou o Independiente, rival do Flamengo

Destaca-se muito na Segunda Divisão e não se esconde de imprensa e torcedores nas dificuldades.

GLOBO ESPORTE: Desde que o Flamengo chegou a Buenos Aires, na segunda-feira, só deu Mancuello por aqui. É muito ídolo do Independiente. Não deve iniciar a final, na quarta-feira, em Avellaneda, às 21h45 (de Brasília) como titular. Porém sua ligação quase que umbilical com o Rojo o fez um dos protagonistas da decisão.

Arquibancada só na adolescência, amor desde bebê

Apaixonado pelo Rojo e sobrinho do fundador da Peña (espécie de embaixada do clube) de Reconquista, Mancu só pôde começar a torcer por seu time no estádio a partir de 2004, aos 14 anos, quando foi aprovado em testes que o transformaram em jogador da base do Independiente.

Foto: Divulgação
Reconquista Santa Fé, sua cidade, fica a cerca de 900 quilômetros de Buenos Aires. Como era muito novo, não acompanhava seu pai, Mario Mancuello, nem o tio Reynaldo Oscar nas viagens à capital.

- O amor que ele tem pelo Rojo nasceu porque todos somos torcedores do Independiente na família. Com o passar dos anos, esse amor se intensificou. Chegou ao Rojo com 14 anos, onde fez toda a base. Posso dizer que é a segunda casa dele - conta a mãe de Mancu, Monica Prince.

- Chegou ao Independiente no ano de 2004, convidado por um amigo de nossa cidade. Eu e meu marido o autorizamos que viajasse a Buenos Aires pela paixão pelo nosso querido clube - completou Monica.

Monica destaca que Mancuello sofreu muito com a distância de casa, mas com "empenho, sacrifício, responsabilidade e dedicação", pôde se profissionalizar em 12 de dezembro de 2008, aos 19 anos.

Seguia atingindo sonhos que começaram a se realizar aos 14. Ganhou Copa Sul-Americana, fez gols e foi convocado para a seleção argentina. No meio dessas conquistas, uma dor grande: o inédito rebaixamento à "B Nacional", ocorrido em 15 de junho de 2013. Foi quando se transformou SuperMancu. O amigo Renato Della Paolera, jornalista da Fox, conta como virou ídolo.

"Cara à tapa", bom futebol e sociabilidade o aproximaram da torcida

Renato Della Paolera conheceu Mancuello no ano em que o hoje rubro-negro chegou ao Independiente para morar no prédio Santo Domingo, no centro de treinamentos do Rojo, localizado em Villa Dominico.

Paolera narra que Mancu chegou tímido ao clube, bem diferente do tipo extrovertido e brincalhão que exibe hoje nas redes sociais. Garante, em contrapartida, que sempre foi uma pessoa sociável.

É no momento mais doloroso da "história roja" que Mancuello cresce. Destaca-se muito na Segunda Divisão e não se esconde de imprensa e torcedores nas dificuldades.

- Como profissional, teve momentos distintos no Independiente. Um muito bom quando apareceu. Depois não teve tanta continuidade. Foi emprestado ao Belgrano. E quando Independiente joga a série B, na sua pior temporada da história, ele meio que se desbloqueia e tira o melhor de si. As pessoas passam a conhecer a melhor versão de Mancuello - afirma.

- Sempre teve gestos que as pessoas valorizavam. De atender a todos, dar autógrafos, visitar crianças doentes. Sempre valorizaram que ele estava sempre sorrindo. Quando caíram, ele estava sempre com um olhar positivo para o clube. Isso fez com que ganhasse reconhecimento. Por seu carisma, sua personalidade. Era capitão e foi para a seleção antes de ir ao Flamengo. Foram as duas coisas. Sua melhor versão no futebol e a relação com as pessoas o fizeram um ídolo - completou.

"Os sentimentos são para o coração, a profissão é para a cabeça"

Mancuello, ao chegar em Buenos Aires, reafirmou o amor pelo Independiente, mas prometeu lutar para fazer um gol contra o clube de seu coração. A mãe de Mancu diz imaginar como está a cabeça do filho agora, mas se apoia numa frase para apostar em bom rendimento do filho.

- Viemos de uma família "futbolera" e temos bem claros os conceitos esportivos. Ser torcedor é uma paixão, a paixão é um sentimento. "Os sentimentos são para o coração, a profissão é para a cabeça".

- Não posso responder por ele, mas, o conhecendo, deve estar vivendo um momento muito especial, de sentimentos complexos. Posso assegurar que é 100% profissional. Para mim, esse acontecimento nos assegura, qualquer que

Carinho com os rubro-negros

Tão logo que chegou à Gávea, Mancuello trouxe para seu lado os flamenguistas com mensagens engraçadas e por ter se dedicado ao estudo da história do Flamengo e dos costumes cariocas. Hoje já não é mais tão exaltado após alternar boas e más atuações. Tal oscilação o fez perder espaço. Monica Prince crê que o filho é querido no Brasil, mas entende o fato de não ser unanimidade.

- Quando chegou ao Flamengo, fez uma boa relação com a torcida. Sinto que é querido pela torcida, mas é futebol. Alguns não estarão de acordo, outros sim. Acontece no Brasil, na Argentina e em todos os lados.

"Certeza" do retorno entre os torcedores rojos

Se Mancu tem futuro incerto na Gávea, ele não precisa nem pensar duas vezes num lugar para se transferir caso seja necessário deixar o Flamengo. O técnico Ariel Holan, na segunda-feira, disse que deseja treiná-lo um dia. A torcida roja, então, o aguarda de braços abertos.

- Sempre pedem seu retorno. Sabem que se foi há dois anos, mas sabem que vai voltar com certeza - encerrou Renato Della Paolera.


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