Sou mais Mengão

Arquirrivais históricos, mas, por profunda ironia rubro-negra, estão obrigatoriamente na dolorosa torcida pelo título do nosso Flamengo.

POR WAGNER SERPA

Foram 16 anos de espera. E finalmente o Flamengo voltou a disputar uma final de competição internacional. Mas decisão mesmo ficou pro Rio de Janeiro, pois, embora tenha havido a vitória dos donos da casa, foi pelo placar mínimo. Assim, tudo é possível, tudo está em aberto. E bota aberto nisso.

É sempre duro jogar fora de casa contra times argentinos. Sempre. E o rival da vez é sete vezes campeão da Libertadores. Só sete. E não houve nada nesse primeiro jogo da final que não sabíamos que iria acontecer. Teve pressão, teve sufoco e teve a qualificada, envolvente e bem treinada equipe do Independiente mostrando suas garras. O que não sabíamos é que o rubro-negro iria abusar do jeito que abusou dos erros de passe. Foram dezenas deles. Nem vale a pena enumerar.

Éverton Ribeiro em Independiente x Flamengo - Foto: Getty Images
A partida começou toda nossa, inclusive no placar. Logo no começo, o gigante Rever acertou mais uma daquelas cabeçadas e colocou o Fla na frente. Era o presságio de um resultado todo favorável ao rubro-negro. Só que não. Os hermanos sabiam muito bem o que fazer com a bola e quando conseguiram se encaixar em campo, pra nossa infelicidade, as coisas começaram a mudar.

Ainda no 1º tempo, numa perda de bola de Everton Ribeiro lá no ataque, surgiu o gol de empate. Aliás, o ponta não esteve bem, errando muitos passes e se posicionando muito mal em campo. Willian Arão também oscilou demais, alternando lances importantes com jogadas de pouca ou nenhuma qualidade. Os argentinos poderiam facilmente ter ampliado o marcador ainda no 1º tempo, pois foram superiores e dominaram praticamente todas as ações.  

No começo do 2º, a já anunciada virada do Independiente. E foi com belo gol, um chutaço de primeira no cantinho de César.

Mas foi aí que o Flamengo passou a mudar de perspectiva. Corajosamente, Rueda fez substituições ousadas, colocou o time pra frente e encarou de igual pra igual os donos da casa e o lotadíssimo estádio-caldeirão. O Flamengo cresceu e empurrou os argentinos pro seu campo. Mas, meu amigo, os contra-ataques eram de arrepiar. Eles também são muito bons nisso.

O placar não foi mais alterado, não houve o sonhado e desejado gol de empate. Mas foi ali, naquele Flamengo dos últimos 20, 25 minutos de jogo que vi que essa taça só não é nossa se não quisermos. A vantagem é mínima, apenas de um gol, e dentro do Maracanã, não preciso nem dizer, sou muito mais Flamengo.

O fato inusitado desta final de torneio é que, além dos 40 milhões de privilegiados flamenguistas, está rolando também um apoio extra de torcedores. Tem uns gatos pingados por aí que também estão ligadinhos no confronto. Fato é que existem outros três clubes brasileiros, digamos, nada simpáticos ao Maior do Mundo, que serão diretamente beneficiados em caso de título do Mengão. São eles: Vasco da Gama, Atlético Mineiro e Sport Recife. O Vasco querendo conquistar uma vaga na fase de grupos da Libertadores. O Atlético, se classificar pelo menos pro mata-mata prévio daquela competição. E o poderoso Sport Recife, o grande campeão do Módulo Amarelo de 1987, que anda mendigando uma vaga na Sula do ano que vem. Todos eles atingem seus objetivos com a conquista da Sudamerica pelo Fla. São Arquirrivais históricos, mas, por profunda ironia rubro-negra, estão obrigatoriamente na dolorosa torcida pelo título do nosso Flamengo. Eles dizem que não.

Semana que vem tem mais, tem o jogo derradeiro, a final de verdade, o jogo em que a taça ficará aguardando, no campo, qual capitão a pegará nos braços. Réver neles.

SRN. E não é pouco não.


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