Tim Vickery diz que Flamengo repate os mesmos erros

SPORTV: O Flamengo empatou por 1 a 1 com o Independiente nesta última quarta-feira e, vindo de derrota na Argentina, acabou com o vice-campeonato da Copa Sul-Americana. Para o jornalista inglês Tim Vickery, da BBC, um dos principais problemas do time carioca está em sua defesa, com a dupla de zaga formada pelos veteranos Réver, de 32, e Juan, de 38. Ele vê um “buracão” entre os setores de defesa e de meio-campo do time de Reinaldo Rueda, e criticou o planejamento da diretoria.

- Não dá para esquecer que o Flamengo estava na Sul-Americana porque fracassou na Libertadores. Perdeu os dois jogos pelos mesmos defeitos que mostrou na fase de grupos da Libertadores. Vamos supor que aquela última bola do Réver entra e vai para a prorrogação, e o Flamengo ganha nos pênaltis... Aí tem aquele oba-oba do DNA do Flamengo. E a gente esqueceu os defeitos que custaram a Libertadores e acabaram custando o jogo de ontem, um time com limitações, um time sem aptidão para jogar futebol ofensivo em sua plenitude. Você não pode jogar um futebol ofensivo e moderno com uma zaga dessas, não pode. Quantas vezes ontem o Flamengo perdeu a bola entre a linha da zaga e o meio-campo? Tem um buracão aí. Porquê? Porque você tem uma zaga lenta, e isso não é culpa dos jogadores, é culpa do planejamento do clube em buscar jogadores com perfil de zagueiro moderno. Zagueiro moderno não pode jogar em cima do goleiro, não pode ter essa lentidão. Se você quer defender em espaço reduzido, tudo bem, mas se você quer pressionar o adversário no campo dele precisa de zagueiro que jogue longe do gol dele - afirmou o jornalista no Redação SporTV.

Foto: Reprodução
Tim Vickery lembrou ainda a atuação de Réver quando defendia o Atlético-MG no Mundial de Clubes de 2013, quando o time mineiro foi eliminado pelo marroquino Raja Casablanca, por 3 a 1, na semifinal.

- A gente viu isso quatro anos atrás no Mundial, pelo Galo. Contra o Raja Casablanca, a lentidão dele contra a velocidade em transição parecia um poste. É um jogador que tem técnica, é muito interessante nas duas grandes áreas, mas espaço aberto é muito vulnerável. O que ele faz? Ele se coloca bem atrás, então tem um buraco lá. É nesse buraco que o adversário toma conta do jogo.

André Rizek, apresentador do SporTV, fez um contraponto elogiando as atuações individuais de Réver e Juan nos últimos jogos, mas deixando a discussão aberta quanto ao posicionamento da dupla com o time.

- Interessante essa análise, porque sempre fui um crítico esse ano da formação da defesa do Flamengo, que acho bem abaixo do resto do elenco, mas com o passar dos jogos, individualmente Réver e Juan foram me convencendo muito positivamente. O que você está destacando é que apesar dos méritos deles em bolas áreas e coberturas, o posicionamento deles muito atrás faz com que o time fique desarrumado.

O jornalista inglês lembrou o trabalho de Tite à frente da Seleção Brasileira, posicionando a linha de zaga mais à frente, próxima de marcar o time adversário no campo dele.

- O time não é defesa e ataque, o time é uma unidade só. Qual foi o grande mérito do Tite na Seleção? Como o Tite conseguiu resultados basicamente com o mesmo time de jogadores? Depois da vitória em cima da Argentina em BH, o grande (César) Menotti, ex-técnico argentino e amante do futebol brasileiro dos velhos tempos, falou: “Olha o que o Tite fez, adiantou a zaga”. E aí tem um futebol associativo que lembra um pouco de 82, mas para isso você precisa de zaga com mais velocidade (...). Que tem riscos, obviamente, a gente viu, mas também te proporciona a possibilidade de se plantar no campo do adversário pressionando.

No empate desta quarta no Maracanã, Juan evitou um segundo gol argentino na etapa final num lance que chamou a atenção. Para Tim Vickery, apenas essa jogada merece o destaque positivo para o jogador. Segundo o inglês, o Brasil precisa esquecer a ideia de “xerifão” na casa para produzir jogadores mais velozes.

- Não gostei dele ontem, com exceção disso aí. Foi um jogador espetacular, mas obviamente ele está no final (da carreira). No auge, ele fazia desarmes sem se jogar no chão, ontem qualquer desarme que ele fez se jogou no chão porque não tem recurso físico mais. Não pode colocar a culpa nele e nem em Réver, a culpa é na falta de planejamento de pensar: "Bem, somos Flamengo, vamos jogar futebol global, e precisamos de um tipo de zagueiro". Mas acho que isso no futebol de clubes do Brasil virou problema, porque aquele xerifão a época dele acabou, precisa de mais velocidade.

- Vou te contar o maior fracasso do futebol brasileiro na Inglaterra: Bruno Uvini. É meio esquecido agora, mas foi criado pelo São Paulo, foi capitão da seleção sub-20, então tem muito investido nele. E foi para as Olimpíadas e jogou até pela Seleção principal. Ele foi para o Tottenham, na Inglaterra, por empréstimo de R$ 1 milhão de reais. Depois, o clube mandou embora os olheiros, porque ele não serve nem para reserva. Falei com outro olheiro de clube que foi olhar para ele: “De jeito nenhum, ele não sai de lugar”. É a produção de um tipo de zagueiro lento que não serve para o futebol moderno, tem que repensar a formação de zagueiros capazes de atuar longe do gol - concluiu.

Ele vê um “buracão” entre os setores de defesa e de meio-campo do time de Reinaldo Rueda, e criticou o planejamento da diretoria.


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