Tréllez relembra passado no Flamengo: "Financeiramente estava mal"

É o que contou o jogador ao GloboEsporte.com, em entrevista na última sexta-feira, depois do treino no CT do Vitória.

GLOBO ESPORTE: Santiago Tréllez passa os últimos dias em Salvador antes de embarcar para a Alemanha. Vai passar férias com o velho amigo James Rodriguez, estrela do Bayern de Munique. Fora da última rodada por suspensão, o atacante colombiano torcer pelo Vitória nesta tarde, às 17h, no Barradão, contra o Flamengo enquanto está na mira de outros clubes brasileiros - o Corinthians entre eles.

No passado deste jogador de 27 anos, filho do ex-atacante John Jairo Tréllez, que atuou no Palmeiras, há uma história com o rubro-negro carioca. Eram outros tempos. De vacas magras, salários atrasados e desorganização. É o que contou o jogador ao GloboEsporte.com, em entrevista na última sexta-feira, depois do treino no CT do Vitória.

Foto: Raphael Zarko
Tréllez era o terceiro estrangeiro da base do Fla na época. Ele foi comprado ao Independiente de Medellín depois do vice-campeonato no Sul-Americano sub-17 - perdeu a final para o Brasil. No sub-17 do Fla, ainda havia o uruguaio Hugo e o paraguaio Igor. Nenhum deles vingou. E Tréllez dá seu depoimento e explica por que passou despercebido em um ano e meio na Gávea.

- Foi uma experiência boa e um pouco não tão boa. Eu era jovem ainda e aprendi muita coisa do futebol no Brasil. Gostei muito de morar no Rio, do time, de tudo. Mas o Flamengo não passava por um bom momento. Financeiramente estava mal. A gente ficava três, quatro meses sem receber - revelou o colombiano.

Ele contou ainda que o Flamengo, à época, não o regularizou para a disputa de competições oficiais. Por isso, praticamente não jogou no período e decidiu sair do Brasil.

- Sempre tinha problema para tirar meus papeis, para jogar. Viajava para ficar com a seleção uma, duas vezes no mês e quando voltava não estava liberado para jogar. Eles sempre ficaram enrolando com isso, então foi situação meio chata por isso. Então, depois do Mundial sub-17 tomei a decisão de ir embora por isso - explicou ele, que jogou com Camacho, hoje no Corinthians, e Paulo Victor na base do Flamengo.

Tréllez tem 10 gols em 23 jogos no Brasileiro e contrato com o Vitória até dezembro de 2018. Foi destaque no Brasileiro e chamou a atenção também em dois episódios. Foi acusado de racismo por Renê Junior, do Bahia - ele negou a ofensa e pediu desculpas depois - e foi provocado por Rodrigo em lance que determinou a expulsão do zagueiro da Ponte Preta, na virada da última rodada.

Pai amigo de Rueda e Redín

A adaptação a Salvador foi fácil, segundo ele, pelo bom relacionamento com os jogadores e com os funcionários do Vitória, que o fizeram se sentir em casa. Da passagem pelo Fla ficaram boas lembranças da cidade e o aprendizado da língua portuguesa. Ele morou com uma família brasileira e aprendeu no dia a dia a se comunicar.

Com nove clubes na carreira, Tréllez quer encerrar a fase cigana na sua carreira. Entende que tantas mudanças prejudicaram seu desenvolvimento e o afastaram até do sonho de defender a seleção principal de seu país.

- Acho que às vezes, por falta de experiência, a gente toma decisões erradas. Acho que às vezes tinha proposta muito boa e eu ia embora, mas não pensava muito na parte esportiva e acabava não jogando muito. Eu saía na primeira oportunidade. Mas estou tranquilo aqui no Vitória. A relação que tenho aqui é muito boa. Infelizmente este ano tivemos que brigar contra o rebaixamento. Mas ano que vem vamos brigar por coisas mais importantes, vamos buscar outros objetivos - prometeu Tréllez.

Do lado adversário, neste domingo, Tréllez vai ver dois velhos conhecidos. Rueda e Redín, que jogou com o pai de Tréllez, o conhecem desde criança. O jogador mira o exemplo de Cuéllar, que consolidou sua convocação para a seleção colombiana na passagem pelo Flamengo. Ele torce pelo título do Flamengo na Sul-Americana e sonha se juntar ao meia do Flamengo por uma vaga para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

- Joguei em todas as seleções de base, só me falta a maior. Estou trabalhando bem, fazendo coisas boas aqui no Brasil. Vai ser importante começar bem o ano que vem para ter chance de ser chamado. Se continuar fazendo as coisas assim, seguir melhorando, acho que tenho chance. Vou fazer tudo que depende de mim. Sei que é difícil, mas meu sonho ainda está vivo. Com a ajuda de Deus vou conseguir.


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