A volta do drible

SPORTV: Por PC Vasconcellos

Olá,

Por um tempo, o drible virou artigo de luxo a caminho da extinção no futebol brasileiro. Se nos anos sessenta Caetano Veloso cantou que era "Proibido Proibir", os professores de plantão, a partir do começo deste século, decretaram que era "Proibido Driblar". O corte se deu a partir da jogada do Robinho naquela final do Campeonato Brasileiro, entre Santos e Corinthians, e houve uma interrupção para o Neymar com a camisa do Santos (tem que honrar o uniforme) enfileirar os jogadores do Flamengo dez anos depois das pedaladas do Robinho.

Saímos do culto ao drible para a valorização do "Domina e Toca", como se o futebol fosse matemático e infalível. Uma coisa não pode anular a outra, mas a sociedade que clama por inclusão tem o DNA da exclusão. Se o que vigora é o domina e toca, a arte do drible está aposentada. Nas categorias de base, o decreto foi cumprido à risca, e o garoto que desembarcava no profissional já chegava com o mantra "Domina e Toca" decorado e repetido infinitamente por aqueles pés loucos para pedalarem por sobre a bola. De uns tempos para cá, noto que há alguma coisa fora da ordem. E para o bem!

Vinicius Júnior e Paulinho em Flamengo x Vasco - Foto: Andre Melo Andrade/Eleven/Estadão
O drible volta aos campos brasileiros sem muxoxos, uso de números ou cara de nojo. É saudável que aconteça. Antes que os estudiosos me critiquem, deixo claro que nada tenho contra o "Domina e Toca". O que me desconforta é a tentativa de "robotização" do jogador. Inibi-lo em nome de um conceito não me parece saudável para o futuro profissional e tampouco para o futebol. Neste começo de temporada, é animador para o futebol ver o Vinícius Júnior, o Rodrygo e o Keno bailarem com a bola nos pés. Tanto Vinícius como o Rodrygo ainda são adolescentes, que já convivem no meio de adultos e recebem, indevidamente, as mesmas cobranças dos marmanjos. Ainda mais confiante, o VJ não tem pudor em jogar a bola por um lado e buscar do outro; em passar o pé por sobre a bola ou tentar colocá-la no meio das pernas do adversário. O mesmo se aplica ao Rodrygo. Vejam o gol que marcou contra a Ponte Preta. Dá uma ginga e manda a bola para o gol. Há quanto tempo você não ouve a palavra ginga no futebol? É do tempo em que o bom sambista "dizia no pé".

O mesmo se aplica ao Keno. É de outra geração, mas tem algo que o futebol necessita, independentemente do país em que joga ou do técnico que te orienta: gosta de jogar pelos lados do campo. Em outros tempos, ele seria um ponta e hoje podem chamá-lo de externo. Mas o que importa aí e o prazer de atuar numa faixa de campo que ajuda na busca pelo gol. Neste começo de temporada no Palmeiras, o Keno dribla _ tanto pelo lado direito como pelo esquerdo _ e tem sido incentivado pelo Roger Machado. Que assim seja!

Não defendo o drible improdutivo e tampouco a posse de bola com passes para trás e para os lados, mas entendo que o estímulo ao drible, assim como a troca de passes para que o seu time evolua, são fundamentais para a qualidade do jogo. E o gosto pela qualidade do jogo foi perdido durante anos no Brasil. O jogo pensado perdeu espaço para o jogo bruto, com pouca inspiração e muita transpiração. Quem sabe o que se observa aqui e ali neste começo de temporada não é um sopro.

Houve uma interrupção para o Neymar com a camisa do Santos (tem que honrar o uniforme) enfileirar os jogadores do Flamengo dez anos depois.

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