André Kfouri critica postura de Rueda e amadorismo do Flamengo

ANDRÉ KFOURI: O ambiente era tão ruim na redação paulistana de um canal de televisão aberta, durante os anos noventa, que um conhecido narrador desenvolveu uma estratégia para não cair em “armadilhas” de colegas – alterações na escala de trabalho motivadas por problemas pessoais, nem sempre verificados – e parou de atender telefonemas originados do prédio. Identificado o número pelo BINA, ele deixava a ligação cair na secretária eletrônica e, dependendo do motivo, não a retornava. A falta de comunicação protegia sua agenda de ataques e sua consciência da sensação de ser feito de tolo por pessoas em quem não confiava. Os contatos só aconteciam quando lhe interessavam.

Eram os primórdios da telefonia celular, quando a tecnologia engatinhava, as baterias duravam pouco e desaparecer não causava suspeitas imediatas. Na era das mensagens instantâneas, tal expediente não seria possível. Motivo pelo qual não há como crer que um técnico seja capaz de deixar o clube em que trabalha no escuro, mesmo no período de festas, aguardando o momento em que lhe convém retornar os contatos e esclarecer se cumprirá o contrato que assinou. A mentira dá voltas ao mundo antes que a verdade vista as calças, Churchill teria dito, numa época em que não se imaginava algo como o WhatsApp. Não é plausível que o Flamengo seja o marido traído, aquele que sempre é o último a saber, no episódio com Reinaldo Rueda.

Foto: Divulgação
Porque se este for o caso, seria não só uma flagrante falta de profissionalismo por parte do técnico, como também uma exibição de inabilidade por parte do clube. Uma combinação na qual é difícil acreditar. Nesses dias misteriosos em que se divulga, no Chile, o acerto definitivo entre Rueda e a federação local, e o Flamengo aguarda pelo retorno de seu treinador para o início da pré-temporada, o cenário mais provável é a tentativa do clube de controlar o que se diz enquanto trabalha para garantir a manutenção do que planejou para 2018. Só isso explica o silêncio de Rueda e a repetição incessante da mensagem enviada pela direção rubro-negra. Isto, é claro, assumindo que a informação da mídia chilena está errada.

Ontem, o site do diário La Tercera informou detalhes do contrato para que Rueda dirija a seleção chilena. Duração, cláusulas, salário. De acordo com a reportagem, o técnico do Flamengo será apresentado na próxima semana, após ir ao Rio de Janeiro para comunicar pessoalmente sua decisão. O Flamengo sustenta que segue em comunicação constante com o treinador colombiano, que não fez qualquer comentário a respeito de uma eventual saída. A realidade provavelmente está no meio do caminho entre dois pontos tão distantes, ou seja: o Chile quer contratar Rueda e o Flamengo quer mantê-lo. São duas negociações paralelas. Rueda não se manifesta publicamente porque não se decidiu, e como não pode afirmar que continuará no Flamengo, o melhor para o clube é que não diga nada.

Um quadro diferente desse seria muito negativo, especialmente na hipótese da negociação com a federação chilena ter sido concluída enquanto o clube olhava para o telefone, ansioso. Pensando nessa possibilidade assustadora, o que poderia levar Reinaldo Rueda, treinador que até agora deu todas as mostras de um relacionamento respeitoso com o Flamengo, a adotar a estratégia do narrador que não atendia os telefonemas da redação?


Não é plausível que o Flamengo seja o marido traído, aquele que sempre é o último a saber, no episódio com Reinaldo Rueda.



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