Carpegiani e a missão de resgatar as origens do Flamengo

O último ano de mandato da gestão Bandeira de Mello tem tudo para ser marcado então como um resgate das origens.

GILMAR FERREIRA: Desde a negativa de Reinaldo Rueda em confirmar o desejo de treinar a seleção chilena, à escolha de Paulo César Carpegiani para substitui-lo.

Passando, é claro, pelo descontentamento da diretoria do Flamengo com a postura do colombiano em que se depositava grande expectativa.

Com, Rueda o Flamengo venceu 13 dos 31 jogos (41,9%) que disputou entre agosto e dezembro, e somou 49 dos 93 pontos (52,6%).

Não era o retrospecto esperado mas, apesar dos revezes, acreditava-se no trabalho de médio prazo.

Paulo César Carpegiani é o novo treinador do Flamengo - Foto: Gilvan de Souza
Principalmente com a classificação para a Libertadores deste ano.

Rueda chegou a ficar numa situação muito ruim às vésperas do segundo jogo das semifinais da Sul-Americana,

Comentamos por aqui que ele corria risco de demissão em caso de eliminação no torneio e o próprio Rueda sabia disso.

O vice campeonato, com todo aquele cenário trágico, só não trouxe um quadro definitivo por conta da classificação a Libertadores festejada no Barradão.

Há exatos dez anos que o Flamengo não disputava duas edições seguidas da compoetição e isso contava positivamente para o seguimento do trabalho.

E assim os dirigentes rubro-negros (estatutários e profissionais) viraram o ano, até terem a certeza do blefe colombiano...

Foi preciso relaxar os nervos, administrar a ira, manter a frieza e pensar numa solução estratégica.

O clube estava amparado pelo contrato e a demissão por desencantamento acabaria como prêmio a um profissional que não foi transparente.

Rueda tinha acertado bases de um contrato com a Federação chilena, mas só o assumiu depois de ter todas as garantias necessárias.

Cumpriu o que tinha acordado com seu empregador até ter a oficialização do seu novo endereço de trabalho.

E o Flamengo, que já percebia a manobra, calçou-se com Paulo César Carpegiani, depois de estudar o mercado.

É a relação regida pela frieza dos contratos, tutelada pelos advogados, e administrada por executivos que procuram deixar a paixão de lado.

Carpegiani, convidado para ser o coordenador que auxiliaria Rueda na aplicação dos conceitos táticos, foi então avisado que a função poderia ser outra.

E volta à Gávea não pelo que seus times mais recentes produziram no Brasileiro de 2016 (Coritiba) e de 2017 (Bahia).

No primeiro, trabalhou em 19 rodadas e obtendo a média de 1,32 ponto por rodada.

E no outro, dirigiu o time em 12 jogos e conseguiu 1,58 ponto por rodada.

Nos dois casos, pontuações que levariam os times ao meio da tabela de classificação.

Mas, há de se observar que foram trabalhos assumidos com a competição em andamento e bem sucedidos em seus propósitos.

Em 2011, Carpegiani assumiu o time do São Paulo em maio, no início do Brasileiro, e deixou o cube em agosto com a boa média 1,88 ponto por rodada.

Nada disso, porém, peso tanto para a escolha quanto o respeíto à mística rubro-negra.

O novo treinador tem identificação com a cultura do Flamengo, apoio irrestrito do maior ídolo do clube e afinidade com profissionais do departamento.

Formará com Mozer um forte comando de vestiário, não por coincidência dois remanescentes da conquista da Libertadores de 1981.

O último ano de mandato da gestão Bandeira de Mello tem tudo para ser marcado então como um resgate das origens.

O que já não era sem tempo...


Marcadores:

Postar um comentário

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.
Javascript DisablePlease Enable Javascript To See All Widget