Citadini dispara contra o Flamengo: "Não é tudo isso que falam"

GLOBO ESPORTE: Candidado à presidência do Corinthians, Antonio Roque Citadini fez duras críticas não só à atual gestão do clube, mas também à Confederação Brasileira de Futebol. No embalo, sobrou até para o Flamengo, que, segundo ele, "é muita propaganda".

Citadini foi, nesta quarta-feira, o terceiro ouvido na série de entrevistas feitas pelo GloboEsporte.com. O primeiro, por ordem estabelecida em sorteio, foi Romeu Tuma Júnior na segunda-feira, com Felipe Ezabella no dia seguinte. Andrés Sanchez (quinta) e Paulo Garcia (sexta) serão os próximos entrevistados, sempre às 15h (de Brasília), neste LINK AQUI. Os sócios do clube vão eleger, no próximo sábado, o presidente do Corinthians pelos próximos três anos.

Falando sobre o atual status dos clubes, não só do Corinthians, Citadini criticou a CBF, especialmente pela reforma de seu estatuto, aprovado em 2017 e que dá mais poder às federações estaduais em detrimento dos clubes. De acordo com o documento, os votos das federações terão peso 3, os dos clubes da Série A terão peso 2 e os da Série B, peso 1. Na prática, as 27 federações poderão eleger candidatos sozinhos, pois somam 81 votos, enquanto que os clubes, se unidos, terão no máximo 60 votos.

Antonio Roque Citadini, candidato no Corinthians - Foto: Flávio Florido
– O que fez a CBF? Uma reforma no estatuto que ferrou os clubes. O futebol brasileiro vive porque tem corintiano, gremista, palmeirense... é disso que vive o futebol. Não vive dessa burocracia da CBF, nem das federações. No entanto, ela (CBF) fez uma reforma no estatuto em que o voto da Federação do Acre, que não tem nem campeonato, vale mais que o do Corinthians. Todos os clubes da Série A valem menos que as federações, muitas delas sustentada pelas CBF – disse Citadini.

Questionado se toparia liderar uma mudança, o candidato respondeu, citando Corinthians e Flamengo como os dois únicos clubes capazes de peitar a CBF sem serem "prejudicados pela arbitragem":

– Se a CBF não mudar o estatuto, eu não voto na eleição para presidente da CBF. Isso é um escárnio não só com o Corinthians, mas com a população brasileira. Não só não voto, como vou me queixar pra Fifa. A Fifa não sabe diso. O que fez o Corinthians nesses anos? Não fez nada. A CBF mudou o estatuto, e o Corinthians não falou nem A, nem B, nem C. Nós temos dois clubes no Brasil que poderiam liderar isso, o Corinthians e o Flamengo, mas nem sei se o Flamengo faria isso. Clubes médios e pequenos teriam medo de serem prejudicados com arbitragem. Mas você acha que nos prejudicariam com arbitragem? Nós? Corinthians?

A pergunta seguinte foi se Citadini tentaria, por conta disso, uma aproximação com o Flamengo, em especial com seu presidente, Eduardo Bandeira de Mello. Ele respondeu:

– Eu não conheço (Bandeira), o Flamengo é muita propaganda, eu não sei bem se é tudo isso o que estão falando por aí, se acertou de fato suas finanças, que aliás é outro ponto grave do Corinthians. O Corinthians precisa acertar suas finanças. O maior problema desse grupo (que está no poder) é que se está vivendo de antecipar receitas. Você gasta muito, daí não tem mais dinheiro, e pega dinheiro da Nike, da Globo, pega dinheiro de todo mundo. Já tem contrato que está (antecipado) até 2029.

Citadini prosseguiu:

– O clube precisa encontrar receitas de outras áreas, mas não pode viver de antecipar receitas, tem de encontrar equilíbrio, e equilíbrio tem de vir do marketing. Nós estamos vivendo um momento absolutamente medíocre do marketing. No ano passado lideramos o campeonato do começo ao fim, sem uma propaganda máster.

Quando se fala em dívida no Corinthians, claro, logo se vem a questão da Arena. A comissão de conselheiros que analisou a construção da Arena Corinthians fala de uma dívida de aproximadamente R$ 1,37 bilhão para a Caixa e outros R$ 360 milhões para a Odebrecht, superando R$ 1,7 bilhão no total. O valor pode ultrapassar R$ 2 bilhões até o fim do contrato.

– É preciso sentar com a Odebrecht para resolver isso, não adianta ter uma postura infantil – disse Citadini, que fala em criar mais receitas a partir da Arena, principalmente com eventos no estacionamento.

– Não vamos fazer nada no gramado do estádio. Isso é coisa de quem não entende nada de futebol, porque você estraga o gramado – completou o candidato, numa referência óbvia aos rivais Palmeiras e São Paulo.

Todas as entrevistas estão sendo transmitidas ao vivo a partir das 15h, com o seguinte cronograma, estabelecido em sorteio: Roque Tuma Júnior (segunda-feira), Felipe Ezabella (terça-feira), Antônio Roque Citadini (quarta), Andrés Sanchez (quinta) e Paulo Garcia (sexta). Para enviar perguntas, basta twittar usando #gecorinthians.



A pergunta foi se Citadini tentaria uma aproximação do Corinthians com o Flamengo, em especial com seu presidente, Eduardo Bandeira de Mello.



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