Flamengo: dos sonhos frustrados ao ano da razão

ESPN FC: Por João Luis Jr.

Um erro que grande parte da nossa torcida pode cometer é acreditar que 2017 não serviu pra nada. Não serviu pra ganhar títulos, claro, porque passamos vergonha na Libertadores, perdemos duas finais, fizemos um Brasileirão pra esquecer. Não serviu também pra ajustar o time porque insistimos no 4-3-3, porque o técnico do ano passado não quis ficar, porque, por mais que as deficiências do time tenham ficado claras, ainda não contratamos os reforços pra suprir essas necessidades. Mas ainda assim é preciso admitir que pra uma coisa 2017 serviu: reduzir nossas expectativas para 2018.

Se no começo do ano passado esperávamos um ano mágico, chuva de títulos e um Flamengo de ponta, nesse ano grande parte dos flamenguistas já inicia a temporada plenamente consciente que magia só se o Pará tiver visitado o parque temático do Harry Potter nas férias, títulos não surgem tão facilmente quanto gostaríamos e qualquer coisa acima de um time morno que na hora do desespero começa a cruzar as mais bizarras bolas na área já representa um nível significativo de evolução tática.

Presidente do Flamengo, Carpegiani e Caetano - Foto: Gilvan de Souza
O primeiro na fila das baixas expectativas é o Campeonato Carioca. Um torneio que segue a máxima da franquia Aliens x Predadores, em que, independente de quem vencer todos nós saímos derrotados, o estadual serve basicamente para prejudicar o time que perder, que pode possivelmente atirar no lixo o planejamento do ano todo por conta de uma derrota acidental contra o Bangu, e prejudicar também o time que vencer, que pode se iludir até ser tarde demais também por conta de uma goleada acidental contra o mesmo Bangu.

Num contexto como esse, de uma competição que possivelmente vai ter tanta influência nos nossos prognósticos para outros torneios quanto os resultados da equipe de LOL do Flamengo, tudo que podemos esperar é que ao menos sirva em algum nível como laboratório para os atletas da base, como a escalação da estreia contra o Volta Redonda faz parecer.

Brasileiro que mais vezes caiu na fase de grupos da Libertadores, vindo da sua terceira eliminação seguida antes mesmo do mata-mata e já posicionado no que foi considerado o “grupo da morte”, o Flamengo vai disputar a maior competição do continente mais ou menos com o mesmo nível de otimismo que a maioria de nós nutre diante de uma mensagem de celular que começa com “precisamos conversar”, um cheiro de fumaça em casa durante a madrugada ou um aviso casual do chefe pra dar uma passada no RH. Vindo de uma campanha em que não pontuou fora de casa em 2017, ganhar uma partida diante da torcida adversária e se classificar para a segunda fase parece uma meta pouco ambiciosa, mas na prática significaria um imenso salto em relação às participações recentes de um clube que vem se saindo tão mal na Libertadores que um time como o Emelec começou a ser tratado como “carrasco”.

No Brasileirão, talvez uma das competições mais disputadas e complexas do mundo, o Flamengo não começa o ano entre os favoritos ao título, já que outros times estão se reforçando melhor ou conseguindo aproveitar com mais eficiência a base do ano passado. Mas ao mesmo tempo se espera, na verdade até mesmo se cobra, uma classificação para a Libertadores, tanto pelo fato do time, apesar dos seus vários defeitos estar longe de ser abaixo da média, quanto porque atualmente o Campeonato Brasileiro dá tantas vagas pra Libertadores que pode sair mais barato conhecer Buenos Aires montando um time de futebol do que comprando um pacote na CVC.

Por fim temos a Copa do Brasil, talvez a competição relevante na qual temos mais chance de título, já que entramos só nas oitavas de final e até lá talvez já tenhamos contratado um lateral ou um camisa 9, alguma coisa assim. Torneio onde amargamos um vice-campeonato em 2017, perdeu um pouco do seu poder como “caminho mais curto para a Libertadores” e segue cada vez mais disputado, mas ainda assim é um título importante, algo que falta ao Flamengo atual até com uma certa urgência e ajudaria muito a recuperar a confiança do torcedor.

Em suma, se 2017 foi um ano de sonhos frustrados, 2018 começa como o ano da razão. Aprendemos com nossos erros, estamos mais conscientes das nossas limitações e espera-se que nessa temporada tenhamos um Flamengo como mais pé no chão, controle emocional e que realmente tire dos fracassos da temporada passada as lições para não errar de novo esse ano.

A não ser, é claro, que esse time comece a jogar muita bola durante a Taça Guanabara. Porque aí a gente vai começar a gritar “rumo a Tóquio” e nós sabemos onde isso vai parar.

A não ser, é claro, que esse time comece a jogar muita bola durante a Taça Guanabara.

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