Flamengo e Vasco duelam seus esboços na temporada

CHUTE CRUZADO: Pedro Henrique Torre

Um clássico com nem mesmo 15 dias de temporada necessita ser observado com alguns poréns. São, antes de mais nada, apenas esboços de equipes em campo. Tentativas e erros ali, nus, sem a parte física apurada, o que aumenta a desobediência dos pés à cabeça. Em parte, o empate pobre e sem gols entre Flamengo e Vasco no Maracanã pode ser explicado por isso. Mas ainda que o grau de exigência seja mais reduzido devido às circunstâncias, as duas equipes ficaram em dívida com seus torcedores. Foi, na maior parte, um confronto sonolento, com pouca ousadia e que mostrou até um certo desinteresse mesmo com toda rivalidade envolvida. E teve o seu placar definido com um erro do apito ao fim da partida, ao anular um gol legal rubro-negro. Talvez por isso, acendeu uma maior preocupação no Vasco, às portas de sua estreia na Libertadores, já na quarta-feira.

Ao Flamengo restou o questionamento para a formação da equipe em 2018. Depois de três jogos recheado de jovens e um ritmo mais forte, veloz, Carpegiani aumentou a participação dos jogadores do elenco principal no clássico. César, Pará, Rhodolfo, Cuellar, Everton Ribeiro e Felipe Vizeu debutaram em 2018. E o time piorou. De novo no 4-3-3 ao atacar e no 4-1-4-1 ao defender, o Flamengo teve Romulo como o homem à frente da zaga, como no duelo contra o Bangu. Mas o volante mostrou dificuldade não encontrada na Ilha do Urubu. Muito lento na saída de bola, ele colaborou para a queda de rotação do time em relação aos outros jogos. E deixou Cuellar desajustado como segundo volante. Infiltrar e ser opção para dialogar com Everton Ribeiro e Pará não é a dele, que gosta de enxergar o campo de trás.

Cuéllar em Flamengo x Vasco - Foto: Gilvan de Souza
Everton Ribeiro, o último da trinca do meio, voltou ao time como em 2017. Lento, com dificuldade de movimentação e um tanto quanto indeciso em relação ao seu posicionamento. Com minutos de jogo até achou Vizeu dentro da área, que bateu mal, em cima de Martín Silva, perdendo ótima chance. Mas ficou por aí. Longe de ser o organizador que o time precisa. Tarefa eu encaixava mais em Paquetá. Mas, encostado na direita, com Vinicius Junior na esquerda, o time teve dificuldades por conta da boa marcação do Vasco.

Zé Ricardo montou o time que poderia, esquentando para o duelo contra o Universidad Concepción. Um 4-1-4-1 com Desábato à frente da defesa formada por Erazo e Ricardo, Paulinho e Wagner fechando os lados, Wellington e Evander pelo meio. Este último com a camisa 10, mais adiantado, numa tentativa clara de dublar algo próximo de Nenê e Mateus Vital e dar um sopro de inspiração à criação vascaína. Não foi possível. O time abusava dos lançamentos e cruzamentos por sentir a dificuldade clara pelo centro. Pressionava o Flamengo em seu campo, mas era um Vasco pobre de ideias para atacar embora consciente de que deveria reduzir os espaços de Vinicius Junior e Paquetá pelos lados. Na falta de ousadia rubro-negra, com lentidão, o jogo se tornou muito desinteressante. O intervalo foi uma bênção aos espectadores.

O segundo tempo não trouxe alterações de cara, mas ao menos de postura do lado rubro-negro. O Flamengo voltou mais disposto a arriscar ainda que o preço fosse o erro. Adiantou a equipe e fez Vinicius Junior e Paquetá procurarem um ao outro, com inversões de bola. Em uma dessas, o camisa 10 recuou, puxou para o centro e lançou Paquetá, que invadiu a área e quase tocou de cabeça para o fundo do gol de Martín Silva. Minutos depois, o mesmo Paquetá perdeu ótima chance em contra-ataque fulminante do time após erro de passe vascaíno. Mas rapidamente o jogo retomou o ritmo do primeiro tempo. A demora na saída de bola rubro-negra, com passes lentos e laterais de Romulo e o Vasco fechado à espera de um contra-ataque.

Zé Ricardo deu o primeiro passo para melhorar o jogo. Sacou Evander, jogou Wagner para o meio e pôs Rildo na ponta esquerda. Carpegiani respondeu. Promoveu a estreia de Marlos Moreno na ponta direita. Paquetá foi para dentro e Cuellar assumiu o posto de primeiro volante na vaga do substituído – e vaiado – Romulo. O jogo fluiu melhor ao Flamengo. O colombiano funciona bem como o homem da saída de jogo rubro-negro. E Paquetá mais centralizado dá melhor sequência à criação. Quando Jean Lucas entrou em campo na vaga de Everton Ribeiro, o Flamengo remoçou de vez. Ganhou fôlego e maior disposição. Velocidade. E empurrou o Vasco em seu campo.

Zé Ricardo não moveu uma palha de sua ideia. Mantido no 4-1-4-1, o time tentou explorar os lados com as velocidades de Caio Monteiro e Rildo para encontrar o salseiro chamado Riascos na frente. Mas o time quase não teve oportunidades de aproveitar algum espaço fora uma ou outra escapada de Henrique pela esquerda. Quando tentava lançamentos encontrou uma zaga rubro-negra bem segura com Rhodolfo e, especialmente, Léo Duarte. Pelo terceiro jogo consecutivo, o defensor rubro-negro mostrou segurança nas antecipações e uma calma ao acompanhar os rivais que faziam o torcedor tentar entender o porquê de ter ficado tanto tempo longe de qualquer tipo de oportunidade na equipe. O jogo caminhava para o fim e o Flamengo era melhor.

Muito por conta da movimentação. Vinicius Junior e Marlos Moreno procuravam o meio. Lincoln recuava e abria espaço para a entrada dos pontas. Confundir a marcação vascaína, que já tinha boa ideia de como barrar um Flamengo mais estático. Sem o manual de um rival mais veloz, acabou dando espaços. No lançamento de Cuellar da intermediária, Marlos Moreno saiu da direita para o meio. Ricardo tentou antecipar junto de Henrique e deixou um buraco em suas costas. Erazo tentou evitar a chegada de Vinicius Junior e só viu a bola passar às suas costas, rumo aos pés do camisa 10. A pelota só não entrou por preciosismo do garoto de 17 anos, que deu um leve totó sobre Martín Silva, sem nenhuma direção. Chance claríssima. Estava de bom tamanho para o Vasco.

E de fato estaria até de ótimo tamanho. Com tantos rubro-negros em seu campo foi difícil não ceder escanteios seguidos no fim da partida. Em um deles, Renê cobrou aberto, Léo Duarte tocou de cabeça e fez um gol de forma legal. Inexplicavelmente, o árbitro Burno Arleu de Araújo viu falta do zagueiro do Flamengo e determinou o jogo zerado no placar. Time esboçados que levam as suas lições para o restante da temporada. O Vasco é quem mais deve se alarmar. Não só pelo jogo decisivo em dias, mas pela falta de opções para criação sem Nenê e Mateus Vital. De acordo com o Footstats, o time lançou 43 bolas na partida. Deve ter o mínimo de qualidade ofensiva para avançar na Libertadores

Uma Libertadores desejada pelo Flamengo. Ainda que o elenco seja tecnicamente bem superior ao rival, o time encontrou dificuldades para definir a partida. Um velho problema de 2017. Precisa-se de um atacante que faça gols e acompanhe o nível da equipe. Foram 13 finalizações, apenas três na meta de Martín Silva. E Paulo César Carpegiani, ao escalar tantos garotos no início da temporada, abriu o leque de reflexões. Rejuvenescido, o Flamengo é mais veloz, mais difícil de ser marcado e criativo. Mais perigoso. São pouco mais de dez dias da temporada oficial iniciada. São apenas esboços. Mas o primeiro Clássico do Milhões de 2018 indicou caminhos para reforçar os traços de Flamengo e Vasco na temporada.

O primeiro Clássico do Milhões de 2018 indicou caminhos para reforçar os traços de Flamengo e Vasco na temporada.

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