Jogar feio e ganhar ainda não é o ideal

GLOBO ESPORTE: Por Pedro Venancio,

A narrativa do sofrimento após uma conquista é sempre mais emocionante. O soco no peito, o grito de guerra com o nome do time, os feitos heroicos de cada jogador. O tal do "grupo fechado". A repetição desses termos banalizou, de certa forma, esse tipo de abordagem quando se fala de títulos conquistados no sufoco, por uma cabeça, ou uma unha, no futebol. Mas a história do Flamengo na Copa São Paulo merece uma junção desses clichês que, na maioria das vezes, são realmente exagerados. Ou pelo menos alguns deles.

Não, não houve nenhuma lesão grave no grupo. Também não houve nenhuma história daquelas mirabolantes, inacreditáveis, incomuns no futebol. Houve, sim, trabalho em equipe. E quando se fala em equipe, não há como se referir só aos 11 titulares. Que em vários momentos da Copinha ficaram indefinidos, tamanho foi o número de desfalques.

Wendel em Flamengo x São Paulo, na final da Copinha - Foto: Staff Images
Houve, sim, histórias de superação. Como a de Matheus Dantas, que passou por um calvário de lesões no ano passado e depois de cada vitória chegava no vestiário berrando, incendiando os companheiros na comemoração. Bastava ver a atitude dele para perceber que alguém no grupo poderia querer o título tanto quanto ele, mas ninguém o queria mais. De Hugo Moura, que também superou contusões e ergueu a Taça, dois anos depois de ser cortado da Copinha de 2016.

Há também como contar histórias de improviso, como a de Bernardo, zagueiro que superou limitações e deu conta do recado na lateral-direita ao marcar o perigoso Jonas Toró. De Pepê, que era questionado demais na base e fez uma Copinha muito boa. De Wendel, igualmente questionado e autor do gol do título. De Vitor Gabriel, o reserva decisivo que ficou suspenso na final. De Yago, o goleiro reserva que pegou tudo na decisão.

Cada uma é parte de um todo. De um todo que, se trocou de técnico no sub-20 há apenas seis meses e não mostrou ainda um processo consolidado de modelo de jogo para bater de frente com o excelente time do São Paulo (não em resultado, mas em volume), compensou na organização defensiva. Na vontade de vencer, no coração gigantesco de cada um que entrou em campo. Em um pouco de anti-jogo e cera, é verdade. Em um pouco de sorte na bola na trave de Toró, e nas cabeçadas ruins de Gabriel Novais.

Faz parte do jogo. Jogar feio e ganhar ainda não é o ideal. Mas histórias bonitas não precisam necessariamente ser construídas, em campo, da maneira ideal. Ao Flamengo, resta saber que ainda há muito a ser feito para se chegar lá e que esse título não pode, de forma alguma, servir como uma maquiagem para o que precisa evoluir e dar o próximo passo na consolidação de um modelo de jogo que bata de frente com todos os clubes do Brasil, pois há potencial e material humano dentro e fora de campo para isso. Resta também, aos rubro-negros, comemorar uma conquista improvável e heroica, sintomática de uma notável evolução na base. Porque o futebol, como tudo o que é bem feito na vida, evolui com a ciência e o método. Mas se alimenta do amor de quem o vive.

Ao Flamengo, resta saber que ainda há muito a ser feito para se chegar lá e que esse título não pode, de forma alguma, servir como uma maquiagem.

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