Mais do que uma barca, um exorcismo rubro-negro

ESPN FC: Por João Luis Jr

Existem pessoas cuja ausência preenche uma lacuna. Aquele colega de trabalho que, quando falta, alegra o escritório, aquele parente que, quando confirma ausência na ceia, a comida fica até mais gostosa, aquele relacionamento que, quando termina, você tira um peso tão grande das costas que na sua próxima consulta o médico te informa que você cresceu 2 cm, sendo que você já tem quase 40 anos.

Não precisa ser necessariamente porque a pessoa é mal-intencionada, não precisa ter nada a ver com a índole dela, não precisa nem mesmo ser uma análise objetiva do que ela oferece ou não. É apenas a sensação, talvez até exagerada mas sincera, de que com ela por perto as coisas não funcionam, com ela ali nada vai dar certo, a certeza inconsciente de que aquela pessoa, até mesmo quando tenta ajudar, só vai conseguir atrapalhar.

Gazeta Press
E é exatamente por conta desse tipo de sentimento, por esse tipo de pessoa, que numa época em que todas as outras torcidas estão comemorando contratações, cobrando movimentação no mercado, ansiosas por chegadas, o flamenguista se vê curiosamente bem mais animado e ansioso com jogadores saindo, com dispensas sendo feitas, com contratos terminando.

Primeiro foi a ida de Marcio Araújo para a Chapecoense, um gesto que cimentou não apenas o papel do time de Chapecó como segunda equipe de todo brasileiro, como também o karma eterno que é Marcinho em nossas vidas – afinal, se a Chapecoense é nosso segundo time e ele foi pra lá, seguimos em certo grau na torcida por um time cuja saída de bola depende do toque lateral do volante mais gente boa de todos os tempos.

Concluídas ou próximas de conclusão neste momento também estariam as negociações de Mancuello para o Cruzeiro – mais um clube a tentar descobrir esse espaço geográfico mais misterioso que o Triângulo das Bermudas chamado “posição certa do Mancuello” –, assim como a ida de Gabriel para o Sport Recife, nessa que talvez seja a mais cruel vingança que o Flamengo poderia fazer por toda a discussão envolvendo nosso título brasileiro de 1987.

Somando a isso as possíveis negociações de Rafael Vaz e Muralha - também teoricamente em andamento mas ainda sem destino certo -, o Flamengo teria, mais do que preenchido a famosa “barca” de dispensas, realizado praticamente a versão esportiva de um daqueles momentos de filme de terror em que a família, após vários sinais cada vez mais graves, percebe finalmente que está vivendo numa casa mal-assombrada e chama alguém pra realizar um exorcismo, com a diferença de que nenhuma boneca possuída pelo demônio cometeria na zaga os vacilos que Vaz cometeu durante a temporada passada.

Se confirmadas essas transferências, todas não apenas essenciais como em muitos casos até vindas com bastante atraso – Gabriel ter completado 5 anos e 205 jogos pelo Flamengo é talvez a estatística mais assustadora que você vai ler hoje e que não tem a ver com a economia no Brasil ou a violência no Rio de Janeiro –, cabe ao Flamengo saber como usar esse espaço e realocar esses recursos, para não cometer novamente esse mesmo tipo de erro.

Contratar é sempre uma ação sujeita a riscos? Claro. Mas você maximiza muito esses riscos quando contrata o zagueiro reserva de uma equipe mais fraca. É importante apostar em revelações? Com certeza. Mas esperar 5 anos para que a revelação revele qualquer coisa talvez seja um pouco de paciência demais. Somando isso a insistência em compor elenco com jogadores medianos recebendo salários altos e não com atletas da base ou mesmo a ideia de contratar atletas por elevados valores mas nunca permitir que eles tenham sequência no time, e você tem uma vasta lista de erros que nos levaram a ter um elenco extremamente caro mas nem sempre capaz de oferecer as opções que precisamos.

Resta agora torcer para que essas transferências marquem então um ciclo de reforços mais pontuais e bem-sucedidos do Flamengo, trazendo jogadores que realmente supram as carências da equipe e não que venham para gastar mais dinheiro, tirar as oportunidades das revelações, ocupar espaço no banco onde poderia, sei lá, caber mais umas garrafas de Gatorade. O rubro-negro já passou tempo demais sendo assombrado por esse tipo de jogador e se continuar assim alguém ainda vai tentar entrar num treino do time pra atirar sal grosso e tentar fazer o Pará desaparecer.

Resta agora torcer para que essas transferências marquem então um ciclo de reforços mais pontuais e bem-sucedidos do Flamengo.



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