Paquetá quase deixou o Flamengo por "falta" de porte físico

GLOBO ESPORTE: Lucas Paquetá sabe muito bem o que é crescer em tempo recorde. Na adolescência, em três anos espichou de 1,53m para os 1,82m atuais e afastou a possibilidade de ser dispensado pelo Flamengo. Em 2017 foi seu futebol que cresceu e terminou a temporada como titular e um dos destaques da equipe de Reinaldo Rueda - marcando gols nas finais da Copa do Brasil e Sul-Americana. Com a motivação em alta, chegou a hora de voltar à ilha do Rio de Janeiro que o batizou no futebol para rever amigos e familiares.

Nos 17 quilômetros de travessia de barca pela Baía de Guanabara – que duram quase 40 minutos –, Lucas Paquetá lembrou o trajeto que fez diariamente durante alguns anos ao lado do avô Mirão, já falecido, e do irmão mais velho, Matheus, para treinar no Ninho do Urubu e realizar o sonho de se profissionalizar pelo Flamengo.

Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images
- Houve um tempo que ele não crescia, não desenvolvia de jeito nenhum. Foi do infantil para o juvenil. E nesse momento o Flamengo o afastou um pouquinho. Fomos chamados para conversar e nos falaram: tecnicamente ele é acima da média, mas não maturou, não tem força. Então foi o momento em que o Lucas sofreu mais - contou a mãe Cristiane.

Ali na ilha ficavam os pais e os amigos com quem jogava pelada nas praias e no clube Municipal e que hoje compõem o time amador treinado pelo próprio Lucas. Se há alguns anos ele era mais um na barca, hoje, da Praça XV à ilha o atacante de 20 anos é celebridade.

- Faz parte da minha vida. Meus avós ainda moram em Paquetá e ainda venho vê-los, ver meus amigos também. Fico feliz de sempre voltar, rever todo mundo, bater um papo. É um lugar onde aproveito para descansar, curtir a família.

Confira os principais trechos do bate-papo com Lucas Paquetá:

Rotina Paquetá-Ninho do Urubu

Meu irmão já era do Flamengo, e a única pessoa que podia nos levar era meu avô. Meu irmão treinava no Ninho às 14h horas e eu treinava às 19h na Gávea. Então eu tinha que descer às 10h pra ir com meu irmão, esperava lá com meu avô, depois ia pra Gávea, treinava no futsal, voltava na última barca, meia-noite, cansado. Chegava em casa à 1h e tinha que descansar para no dia seguinte estar lá de novo. Era bem puxado, mas valeu a pena todo o esforço.

A viagem

Só de pegar a barca e ir olhando a paisagem já vai acalmando o ânimo. A ilha é um lugar mais tranquilo, devido também a não ter carro, moto. Então, é um clima de paz, tranquilidade.

Má lembrança na barca

Teve uma época em que eu saí de Paquetá e fui morar no Rio e antigamente o mar estava batendo muito, teve um acidente chegando nas barcas. Um senhor caiu entre o lugar onde a gente para e a barca encosta, e a perna dele ficou presa. As pessoas tentaram empurrar a barca. Eu fiquei uns cinco meses sem ir a Paquetá porque eu era pequeno e ficava com medo de sair e entrar nas barcas. Fiquei um pouco traumatizado, mas depois passou e não aconteceu mais.

Origem do apelido

Rolou uma brincadeira lá no clube com os meninos de quem morava mais longe. Aí não teve jeito, acabei ganhando, e os meninos me apelidaram de Paquetá. Hoje eu levo esse nome, fico feliz também por levar o nome da ilha de onde eu vim, onde eu cresci. Só me conheciam como Paquetá. Muita gente dentro do clube mesmo não sabia que meu nome era Lucas. Só que quando fui passar para o profissional eles falaram que tinham que colocar o primeiro nome. Aí ficou Lucas Paquetá. Tarzan, Mogli... apelido não faltava. Mas que bom que ficou no Paquetá, né?

Início nas peladas em Paquetá

O mais badalado era meu irmão (Matheus) e um amigo meu chamado Carlos Henrique. Eu era mais quietinho. Hoje meu irmão joga no Tombense (MG) e foi aqui onde a gente começou a brincar como amigos. Gol eu fiz bastante. Queria saber só de fazer gol. Deixava eles se divertirem, fazerem as brincadeiras, e eu só lá na frente.

Sob os cuidados do avô nos tempos do clube Municipal

Foi basicamente onde passei minha vida. No Municipa meu avô sempre tentou buscar, formar, criar algum atleta, mesmo com as dificuldades. Acho que ele estaria muito feliz de estar me vendo voltar aqui depois de ter conseguido me tornar profissional. E só tenho a agradecer a todo mundo que colaborou com um pouquinho disso tudo dessa história.

Guia turístico em Paquetá

Eu apresentava ao pessoal a Ilha de Brocoió, Ilha de Pancaraíba, Ponte de Saudade, Parque Darke de Matos... aí o pessoal aproveitava pra tirar uma foto. Quando tinha carnaval ou uma festa perto, eu aproveitava pra ganhar um dinheirinho extra e me divertir com os amigos.

Quase dispensa pelo Flamengo

Foi bem difícil. Se não tivesse ajuda da minha mãe e do meu pai, principalmente, não sei se teria conseguido. Porque eu ia treinar feliz, falava: “hoje eu vou superar”, e voltava chorando. Pensava: “será mesmo que vai dar pra mim, que eu vou conseguir?” Então é muito gratificante ver que valeu a pena todo o esforço. Mas sei que é só o início de muitas coisas, de muitos outros sonhos que eu quero realizar e conquistar.

Com a motivação em alta, chegou a hora de voltar à ilha do Rio de Janeiro que o batizou no futebol para rever amigos e familiares.



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