Para PC Vasconcellos, Rueda se assustou com o futebol brasileiro

Márvio lembrou também a pressão por bons resultados até no Estadual e a falta de unanimidade no próprio Flamengo como fatores.

SPORTV: Por mais um dia segue a novela envolvendo o técnico do Flamengo, Reinaldo Rueda, com a possível ida para a seleção chilena. Apesar das especulações dos jornais chilenos dando como certa a negociação para "La Roja", o clube, ainda que esteja desconfortável com a situação, confia no cumprimento do contrato e mantém contatos com o colombiano. O comentarista PC Vasconcellos sente uma oscilação do treinador nesses momentos decisivos e vê como origem uma certa perplexidade dele com o jeito de ser do futebol brasileiro.

- Tem um detalhe que deve ter influenciado muito, no mínimo esse balanço das horas do Rueda, e fica essa lição para todo clube brasileiro que quiser buscar um técnico no exterior, ou no continente ou fora do continente. Por várias vezes no ano passado eu fiquei com a impressão de que o Rueda estava absolutamente assustado com o jeito de ser do futebol brasileiro. Da maneira como as coisas aqui se processam, de que cada jogo é uma decisão. Não é jogar quarta, domingo, porque isso acontece em vários países. Mas é a maneira como as relações se dão. Da maneira como você pega um jogador e elege aquele jogador a soma de todos os vilões que você conheceu do cinema, do teatro e da televisão. Eu, muitas vezes, ficava com a impressão assim: "Esse cara está perplexo com isso aqui." E acredito que muito desse balançar se deve a isso.

Foto: Reprodução
Ainda no "Redação SporTV", PC lembrou um fato após a partida em que o Flamengo arrancou empate heroico de 3 a 3 com o Fluminense - chegou a estar perdendo por 3 a 1 - e avançou na Copa Sul-Americana. Na coletiva, a imprensa perguntava já sobre o Vasco, adversário do Brasileirão.

- Na entrevista depois do jogo, alguém fala assim: "Mas vem cá, e o Vasco?", que era o jogo de sábado. "E o Vasco?", segunda pergunta. "E o Vasco?", terceira pergunta. Quando chegou na quarta... "Mas vem cá, eu acabei de me classificar aqui na Sul-Americana e vocês já estão querendo saber do clássico de sábado?" Aí alguém falou assim: "É." Nada contra um profissional de fora. Você tem é que trazer gente de qualidade, seja de fora, seja de dentro. Agora, você tem que mostrar para o cara em que mundo ele está entrando. E acho que essa conversa e essa ausência de clareza do Rueda sobre se continua no Flamengo ou se vai para a seleção do Chile passa muito por toda perplexidade que tomou conta dele nesse período do ano passado em que estava à frente do Flamengo.

PC Vasconcellos lembrou que outros clubes brasileiros cometeram o mesmo erro com treinadores estrangeiros "importados".

- Você pode tentar trazer qualquer um, mas fica claro que antes de trazer... Isso aconteceu com Ozório, Bauza (ambos no São Paulo), Gareca (Palmeiras)... Tem que explicar para o cara como é aqui. Tem que contextualizar: "Olha, você está indo para um lugar... Estou fazendo com você um contrato de um ano, mas nós temos já uns hábitos, pode ser que eu te demita na questão do resultado. E outra coisa: a cobrança é permanente." Me parece que os clubes, todos... O São Paulo, o Cruzeiro quando trouxe o Paulo Bento, o Palmeiras quando trouxe o Gareca, o Atlético-PR, que trouxe o Matthaus, o Carrasco, e agora o Flamengo, que trouxe o Rueda... que não há inicialmente uma explanação sobre o jeito de ser do futebol brasileiro e do brasileiro.

Para o editor de Esportes dos jornais "O Globo" e "Extra", Márvio dos Anjos, a questão é mais complexa: os treinadores estrangeiros usam o futebol brasileiro como trampolim para dirigir seleções no futuro e não criam raízes.

- Quando ele assinou, deixou claro que se houvesse uma possibilidade de ir para uma seleção, ele preferia. Isso a gente sabe desde que o Rueda chegou. Então, para você trazer esse técnico, não basta só explicar. Ele tem que criar raízes aqui. Não sinto que se ele tivesse mais estabilidade, tranqulidade, se o ambiente não fosse tão hostil, não sinto que ele gostaria de ficar aqui por muito tempo.

Márvio lembrou também a pressão por bons resultados até no Estadual e a falta de unanimidade no próprio Flamengo como fatores para fazer o técnico tomar a decisão de arrumar as malas.

- Você soma a isso o fato de o Rueda estar pegando a tabela dele de janeiro e fevereiro, está olhando ali os jogos de Campeonato Estadual que vai fazer, nos estádios que ele vai enfrentar, e ao mesmo tempo olhando tudo aquilo e falando assim: "E ainda posso ser demitido por causa dos resultados daqui?" Então, toda essa instabilidade que o Rueda viveu... Há uma contestação interna no Flamengo, de alguns setores mais técnicos, que acham o trabalho dele um pouco antiquado, que não é um técnico tão moderno assim...


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