Técnicos gringos têm média de quatro meses de trabalho no Brasil

GLOBO ESPORTE: A saída de Reinaldo Rueda do Flamengo para assumir a seleção chilena reacendeu a discussão sobre o comando de clubes brasileiros por treinadores estrangeiros. Será que vale a pena apostar em um técnico gringo? Segundo os números de 2011 para cá, a resposta é negativa. A vinda de técnicos de outros países não tem sido boa para o clube e nem para os “professores”.

Quando o treinador não consegue implementar a sua filosofia, dificilmente os clubes têm paciência para aguardar os resultados do projeto do comandante. E caso se destaquem - raridade por aqui -, a possibilidade de saída precoce para outros desafios tem se tornado comum, como foi nos casos de Rueda no Fla, e Bauza e Osorio no São Paulo. Na pesquisa feita pelo GloboEsporte.com, foram levados em conta os números na década dos times que mais disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro.

O tempo médio de trabalho dos técnicos no Brasil é de 134 dias, pouco mais quatro meses. Quem mais ficou no cargo no período foi o argentino Edgardo Bauza (231 dias) no São Paulo, em 2016, até deixar o Tricolor para assumir a seleção argentina. Já o recordista negativo é o sérvio Dejan Petkovic, que comandou o Vitória por apenas quatro partidas no último Campeonato Brasileiro, sem ter vencido nenhuma delas.

Confira abaixo a duração dos trabalhos (em dias) dos gringos nos clubes brasileiros. Para o cálculo, foram utilizadas as datas de anúncio da contratação e de anúncio do desligamento do clube - ou do último jogo que o técnico em questão comandou a equipe.

Um título e aproveitamento médio de 45%

A pesquisa verificou que apostar em técnicos estrangeiros ainda não tem sido sinônimo de títulos e resultados satisfatórios. Isso porque os comandantes gringos não conseguiram uma grande sequência de jogos à frente dos times - Diego Aguirre (Internacional) e Edgardo Bauza (São Paulo) são os treinadores com mais partidas oficiais em cada passagem, 48.

A média de aproveitamento dos trabalhos dos gringos no futebol brasileiro na década é de apenas 45,47%. Petkovic puxa a fila com o trabalho de pior rendimento. Ele deixou o Vitória apenas quatro partidas depois de assumir o comando: um ponto conquistado e 8,33% de aproveitamento. Do outro lado, Juan Carrasco foi o que teve melhor performance. Na passagem pelo Furacão, o uruguaio alcançou 22 vitórias em 36 jogos. No entanto, após perder a final do Campeonato Paranaense de 2012 para o rival Coritiba e cair nas quartas de final da Copa do Brasil para o Palmeiras, o treinador não resistiu a uma sequência negativa de resultados e deixou o comando do clube paranaense.


Os trabalhos dos estrangeiros ainda estão acompanhados por uma singela lista de eliminações em competições e apenas uma taça levantada. Diego Aguirre foi o único a conquistar uma taça do elenco de treinadores gringos no país. O uruguaio foi campeão gaúcho pelo Internacional em 2015, mas acabou demitido duas semanas após ser eliminado pelo Tigres na semifinal da Libertadores do mesmo ano. O treinador, aliás, não ficou nem no banco nas partidas decisivas contra o clube mexicano em função de uma suspensão após expulsão no jogo diante do Santa Fe. Aguirre ainda chegou perto de conquistar outra taça em sua passagem pelo Atlético-MG. Porém, deixou o título estadual escapar para o América-MG, em 2016.

Outro treinador que ficou perto da conquista de um título foi Reinaldo Rueda. O colombiano parou no Cruzeiro na final da Copa do Brasil de 2017 e viu o Independiente ser campeão da Sul-Americana em pleno Maracanã. O ex-comandante do Rubro-Negro ainda foi eliminado pelo Paraná, nas quartas da Primeira Liga do ano passado.

Vale destacar ainda que em 2014, o Atlético-PR foi comandado por dois gringos simultaneamente, mas em situações diferentes. Naquele ano, o clube decidiu disputar o estadual com a equipe sub-23, treinada pelo sérvio Petkovic. Logo, o time disputou as partidas oficiais do torneio com um treinador diferente dos outros compromissos do início de temporada - no caso Libertadores e Brasileiro. A equipe principal, comandada pelo espanhol Miguel Ángel Portugal, estava concentrada nas disputas do torneio continental. No entanto, o enfoque não foi suficiente porque a equipe não conseguiu avançar para as oitavas, sendo eliminada na fase de grupos da competição.

A possibilidade de saída precoce para outros desafios tem se tornado comum, como nos casos de Rueda no Flamengo, e Bauza e Osorio no São Paulo


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