A fórmula do lucro do Nova Iguaçu, adversário do Flamengo

O GLOBO: Os irmãos Moraes juntaram a fome com a vontade de comer, unindo a paixão pelo futebol com o tino para os negócios. Do sonho de criar um clube na cidade em que nasceram, surgiu o Nova Iguaçu, adversário do Flamengo hoje. Da possibilidade de lucrarem com o futebol, veio a Bloom Soccer, empresa que representa atletas. De certa maneira, formar jogadores e se manter atrelado a eles através do gerenciamento de suas carreiras foi o pulo do gato que permitiu ao clube da Baixada Fluminense chegar onde chegou.

Fundado em 1990, o “Laranjinha” é administrado com pulso firme por Jânio Moraes, que garante: praticamente todo dinheiro que entra no caixa vai para manutenção e melhoria da infraestrutura que possui, de dar inveja a clubes de maior tradição no estado. Além do estádio próprio, o centro de treinamento bem equipado é motivo de orgulho.

Foto: Divulgação
Seu irmão gêmeo, Jorge, é quem está à frente da empresa de agenciamento de jogadores, que cuida da carreira de atletas como Gum, Andrezinho (que assinou com o clube para o Carioca), Biro-Biro (ex-Flu), entre outros. Quem é revelado no Nova Iguaçu não é obrigado a contratar a Bloom Soccer para gerenciar sua carreira, mas é um “caminho natural, baseado na credibilidade”, afirma Jânio. Entretanto, há sempre os casos em que a ovelha se desgarra do pastor.

— Se o jogador quiser ser empresariado por outro, quem vai se ferrar é ele, não tem problema — diz Jânio. — Antes da viagem do time para a Copa São Paulo, conversei com os pais dos atletas, avisei que teria o assédio, é normal. Já deixei agente do lado de fora do clube, não vai entrar aqui. Tivemos vários casos de roubo de jogador. Cortez (lateral-esquerdo do Grêmio) é um exemplo. Depois que foi campeão da Libertadores, mandou mensagem agradecendo. Tem uns que saem e depois pedem para voltar, mas não tem como. Não há mais confiança.

O problema para a família Moraes é realmente sério. É do gerenciamento da carreira dos jogadores que vem o grosso do lucro com o negócio futebol. De acordo com o presidente, os sócios fundadores que ainda trabalham no Nova Iguaçu ganham apenas uma “ajuda de custo, às vezes R$ 2 mil, às vezes R$ 1 mil”. Em relação ao que é arrecadado com a venda de jogadores, por exemplo, Jânio Moraes garante ser irredutível: tudo deve ser revertido para o clube. Segundo ele, esse foi o motivo da maior crise política na Baixada.

Em 2003, o atacante Deivid foi a primeira grande venda do Nova Iguaçu, 13 anos após a fundação. O jogador revelado pelo clube, depois de brilhar por Corinthians e Cruzeiro, recebeu proposta do Bordeaux, da França. O clube ainda tinha 30% dos direitos econômicos do atacante, negociado na época por US$ 5,1 milhões — e coube ao Nova Iguaçu cerca de US$ 1,5 milhão. De acordo com Jânio Moraes, parte dos 25 sócios-fundadores quis resgatar o investimento no clube. O presidente bateu o pé e usou o dinheiro para construir o centro de treinamento atual. Insatisfeitos, dez sócios romperam. Atualmente, dos fundadores, restam 11.

O episódio ajuda a entender um pouco do papel de Jânio Moraes no Nova Iguaçu. Ele é o único presidente desde a fundação e resume seu estilo como situacional, “democrata com quem acha que pode dar confiança e autocrata com quem deve ser”. O estádio do clube leva seu nome, algo que garante não gostar. Sua ideia é encontrar uma empresa para comprar o naming rights do campo, o que imagina ser viável assim que instalar refletores no estádio, próxima benfeitoria nos planos. Da sala da presidência, acompanha tudo que acontece graças a uma televisão em que monitora as câmeras de segurança. Segundo ele, os outros sócios poderiam tirá-lo da presidência se quisessem:

— Temos cotas de poder aqui. Se juntar seis deles, podem me derrubar. Mas sempre fui presidente por unanimidade. Ninguém quer segurar essa rabuda.

Longe dos medalhões

Se internamente o Nova Iguaçu parece um rochedo, a relação com o poder público não é assim tão estável. Na contramão de outros pequenos, que dependem do dinheiro das prefeituras, o clube da Baixada se orgulha de manter pouco contato com os gabinetes:

— Não tenho porque não quero. O clube é a secretaria de esportes da cidade. Atendemos a mil crianças aqui.

Em 2005, baixou a guarda e viu o prefeito Lindberg Farias (PT-RJ) bancar os astros Zinho e Edmundo no elenco:

— O prefeito foi esperto, surfou na onda, e estávamos precisando na época. Foi bom quando chegaram e quando saíram. Edmundo foi muito respeitoso, mas não quero medalhão aqui, não.


O problema para a família Moraes é realmente sério. É do gerenciamento da carreira dos jogadores que vem o grosso do lucro com o negócio futebol.



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