Desde 2011, 8 atacantes sairam do Brasil acima do valor de Vizeu

O GLOBO: POR CARLOS EDUARDO MANSUR

País exportador por excelência, o futebol brasileiro desperta uma discussão cada vez que um jogador é vendido para o exterior: se o valor que entrará na conta bancária do clube nacional é justo ou não, se a venda foi bem ou mal negociada. Com Felipe Vizeu, que acaba de trocar o Flamengo pela Udinese por cerca de 5,3 milhões de euros (US$ 6,5 milhões), não seria diferente.

A trajetória de Vizeu no Flamengo inclui algumas boas campanhas pelas equipes de base, convocação para a seleção brasileira sub-20 e um Sul-Americano da categoria como principal competição. No time profissional, participou de 65 jogos e marcou 17 gols.

Um parâmetro para avaliar a negociação é listar as mais recentes negociações de jogadores que atuaram pela seleção sub-20 nas duas competições mais importantes do calendário: o Sul-Americano e o Mundial. Desde 2011, com a bem-sucedida geração de Neymar e Lucas Moura, foram 27 atacantes que apareceram em listas de convocações para ao menos um destes dois torneios. Apenas oito saíram do Brasil por valor maior do que Vizeu. Um deles, Malcom, hoje valorizado no Bordeaux, saiu do Corinthians para a França por valor bem parecido.

A conclusão é que, se a venda de Vizeu não foi espetacular, também não parece fora da média de exportações brasileiras. Ao menos quando se trata de jogadores não reconhecidos como fenômenos pelo mercado externo. Neymar, Lucas, Gabriel Jesus e Gabigol eram claramente jogadores de status superior quando foram negociados.

No entanto, outros três casos apontam para negociações melhores do que a do Flamengo. Para efeito de comparação, em vendas que envolveram apenas percentuais dos jogadores, foi calculado, em função do valor da negociação por parte dos direitos, quanto valeriam, proporcionalmente, 100% dos atletas.

Um dos casos é o de Kenedy, avaliado em 8 milhoes de euros ao trocar o Fluminense pelo Chelsea. Ele deixou o tricolor tendo jogado também um Sul-Americano sub-20 pela seleção, assim como Vizeu. Pelo clube, fez 40 partidas e marcou cinco gols. Um índice inferior ao do rubro-negro.

Outro jogador vendido pelo Fluminense teve cotação superior à de Vizeu. Foi Richarlison, negociado com o Watford, da Inglaterra por 12,5 milhões de euros. Ele deixou o clube após disputar 65 partidas e marcar 19 gols. Ou seja, um índice goleador ligeiramente superior ao de Vizeu.

Já David Neres trocou o São Paulo pelo Ajax por 15 milhões de euros. A negociação é ainda mais significativa se levarmos em conta que o atacante disputou apenas oito partidas e fez três gols pelo time profissional do São Paulo.

Mas há um fator que pesa a favor da negociação feita pelo Flamengo. Os valores mais altos pagos pelos europeus costumam envolver jogadores que não se limitam a jogar no centro do ataque. Atacantes como mobilidade, capacidade de drible pelo lado do campo e recomposição na marcação, em geral são um produto tipicamente brasileiro e valorizado no mercado externo. Vizeu faz o gênero do centroavante mais característico, um pouco mais físico, especialista no jogo na área.


Não são tão caras as vendas de jogadores deste estilo. No grupo analisado, um exemplo talvez seja Willian José, embora o ex-jogador do São Paulo também tenha tido experiências em outras posições. Em 2011, deixou o Barueri e foi registrado pelo Deportivo Maldonado, do Uruguai, em troca de 1 milhão de euros. A rigor, chegava a um clube de investidores, que o registrariam por empréstimos em clubes seguidos. Foi vendido em definitivo apenas em 2016, quando o Real Sociedad o comprou por 6 milhões de euros.

No entanto, àquela altura, já vivia situação distinta dos demais jogadores avaliados: afinal, já tivera experiências no futebol da Europa. Ter uma aprovação no jogo praticado no Velho Continente costuma proporcionar negociações de maior valor. Afinal, a adaptação à vida e ao jogo fora do Brasil pesam a favor do jogador.

Por outro lado, coloca-se na balança a inflação recente do mercado. As vendas de Neres e de Richarlison aconteceram no ano passado. O que indicava um patamar mais elevado para a negociação de atacantes brasileiros.

No entanto, outros três casos apontam para negociações melhores do que a do Flamengo.



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