Diego vê evolução no Flamengo e afirma: "Almejamos títulos"

GLOBO ESPORTE: O cabelo escorrido com corte adolescente que emoldurava o rosto marcado por espinhas deu lugar a fios brancos na lateral sempre batida. O sorriso solto foi substituído pela fisionomia concentrada. Metade da vida dentro dos gramados mudou Diego. O moleque irreverente saiu de cena (faz tempo) para apresentar um já veterano aos 32 anos que veste a camisa 10 e carrega nas costas a responsabilidade de conduzir o Fla na Libertadores.

- A cobrança e a responsabilidade sempre vão existir no Flamengo. Não tem como fugir e nem quero fugir. É uma posição que quem está aqui conquistou. Faz parte do clube, e faz mais bem do que mal.

Flamengo e River Plate se enfrentam nesta quarta, às 21h45 (Brasília), no Nilton Santos, pela primeira rodada do Grupo 4.

Diego comemorando gol pelo Flamengo - Foto: Alexandre Loureiro/Getty Images
O discurso objetivo e sem floreios, que surge quase automático a cada entrevista, é reflexo de quem aprendeu desde muito novo o peso de seus atos. Condutor do Santos ao título brasileiro de 2002 com a idade de Vinicius Júnior, Diego esteve em evidência numa época em que a exposição na mídia era bem menor, mas não o julgamento externo.

Ao ver o jovem rubro-negro comemorar o gol diante do Botafogo com o "chororô", o camisa 10 se viu no túnel do tempo. Há 16 anos, foi ele quem celebrou gol contra o São Paulo provocando um rival. Ao lado de Robinho, viveu os dois lados de uma patrulha cuja linha entre o positivo e o negativo é muito tênue.

- Eu e o Robinho já apanhamos bastante. Quando estava ganhando, a molecagem era maravilhosa. Quando perdia, era irresponsabilidade. Somos de um país gigantesco, com pessoas apaixonadas por esse esporte, que querem opinar, muitas vezes se frustram com o que acontece e não conseguem separar a emoção da razão.

Poliglota, garoto-propaganda de uma dezena de marcas e quase imune às escorregadas de comportamento extracampo, Diego é um exemplo de causa e efeito do que cerca o futebol. Ao passar por cinco países em uma década de Europa, moldou-se maduro, como demonstrou em 20 minutos de conversa.

Com a mesma fala pausada e ciente de cada palavra, comentou a cobrança por um ano de títulos grandes no Flamengo, a expectativa pela Copa do Mundo, os aprendizados ao longo de 16 anos de carreira e as mudanças do futebol atual. Ficou chato?

- Sinceramente, não acho. Estamos sujeitos a julgamentos, mas o que importa é nossa consciência. Não ter maldade em nossas atitudes ou palavras

Confira a íntegra:

Um feliz 2018
- É um ano em que as expectativas são ótimas. Desde que cheguei, temos evoluído. É um trabalho que vinha sendo feito antes e estamos em um crescente. Temos grandes objetivos e tudo que passamos serviu de aprendizado. Almejamos títulos. É um ano de Copa do Mundo, um grande sonho e objetivo. Estou muito animado e com expectativa positiva para o ano.

Um ano e meio de Flamengo
- O balanço, sem dúvidas, é positivo. Obviamente, quem está de fora tem o direito e deve, uns são pagos para isso, tirar as conclusões pertinentes. Eu estou feliz e satisfeito com tudo que aconteceu. Foram muito mais momentos positivos do que negativos.

Cobranças pós-lesão
- A lesão em nada influenciou no desempenho. Fui muito bem tratado e recuperado. O que acontece, e é um fato no futebol brasileiro, é que é natural que os jogadores tenham uma queda de rendimento em uma equipe que joga tantos jogos. Essa queda não pode ser muito grande. No meu caso, obviamente não foi. Tanto que segui titular e sendo importante.

- O desgaste físico e mental naturalmente faz com que você não esteja em evidência nos dez meses de competição. Isso ficou claro para mim. Nem sempre quando eu gostaria consegui ser decisivo, mas em muitos momentos foi possível.

Pressão por ser protagonista
- Nos tornamos refém daquilo que conquistamos. Os números foram positivos. Se pensar depois da lesão, gols, assistências, vitórias continuaram acontecendo. O que acontece é que em alguns momentos de decepção as pessoas buscam explicações. Não ter feito o gol da vitória ou o passe final para o gol do título acaba decepcionando. E eu sou o primeiro a ficar decepcionado. O mais importante é estar presente e dar a cara, aparecer, querer, tentar... Isso nunca faltou da minha parte e continuarei fazendo o mesmo.

Pênaltis
- Assim como uns (pênaltis) não entraram, outros entraram. Se for reclamar dos que não entraram, estaria sendo ingrato com os que entraram. O último que bati, contra o Vitória, teve um peso gigantesco e entrou. O importante é que estava ali, assumindo a responsabilidade. Não por vaidade, mas por necessidade. Estamos sujeitos. Quanto mais você tenta e aparece, está sujeito a errar, obviamente.

Onde melhorar?
- Eu quero melhorar constantemente, mudar. E tenho feito isso com treinamentos físicos, psicológicos, se cuidar um pouco mais fora do campo. Coisas que eu já fazia, mas agora com mais ênfase. Uma coisa que podemos fazer juntos é priorizar. É impossível entrar em todos os campeonatos com a obrigação de vencer e manter um nível excelente. É humanamente impossível. Temos que priorizar, sim, e saber administrar essa temporada tão desgastante.

Libertadores
- É uma competição que todos nós sonhamos, mas, se entrarmos com a obrigação, a chance de nos frustrar é grande. Temos que ter consciência que queremos, que podemos, e que deve ser levado jogo a jogo. Nosso primeiro objetivo é passar de fase. É um sonho que temos e estamos preparados para isso. Pés no chão e humildade para começar bem contra o River.

Peso das últimas eliminações
- Temos que ir passo a passo. Não existe nenhuma equipe que vá disputar a Libertadores e consigam garantir que será campeã. É um torneio equilibrado e difícil. Temos potencial para fazer um excelente torneio. A cobrança e a responsabilidade sempre vão existir no Flamengo. Não tem como fugir e nem quero fugir. É uma posição que quem está aqui conquistou. Faz parte do clube, e faz mais bem do que mal. Mas tem que ter controle. Tudo que vivemos serviu de preparação para nos deixar confiantes e fortalecidos.

Copa do Mundo
- É uma motivação diária. Está muito próximo, a chance é real, a concorrência é grande. Passa diretamente pelo meu desempenho no Flamengo e estou focado, feliz com essa possibilidade. A Seleção atravessa um de seus melhores momentos e estar presente é extremamente prazeroso. Agora, é batalhar com todas as forças para que esse sonho se torne realidade.

Lições de 2010 e 2014
- Tenho desfrutado 100% cada minuto na Seleção. O aprendizado é o mesmo: do desempenho no momento certo. O futebol é um esporte coletivo, é fundamental que sua equipe esteja bem. Estamos sendo observados e o foco é no próximo jogo, a convocação está chegando. A lição é essa: fazer o melhor e aproveitar cada minuto lá dentro.

Amadurecimento
- Sempre tive a vontade de evoluir como pessoa, dominar as minhas emoções, pensar antes de reagir. E isso, por mais que você queira, precisa de tempo. Procurei evitar os mesmos erros. Meus familiares me ajudam constantemente a manter esse foco. Hoje, me sinto muito bem, mas em constante evolução e isso é motivador. Estou em um ponto muito legal da minha vida em todos os aspectos.

O Diego ficou mais sério?
- (Risos) Impossível. Se perguntar para a galera, eles podem responder melhor. Sou uma pessoa bem extrovertida, me divirto bastante. O futebol te proporciona novas amizades, pessoas de estados diferentes e gosto disso. Me divirto muito com essa minha vida. Esse espírito jovem não muda e nem deve. Me faz muito bem.

Julgamentos no futebol
- Não sei exatamente em qual ponto o futebol ficou mais sério. Obviamente, hoje o impacto, o retorno financeiro que envolve jogadores e clube acaba mudando e criando essa diferença para o passado. Jogadores, empresas, tudo isso. É natural. O futebol caminhou para essa direção. Acredito que devemos seguir, mas sem perder a essência como pessoa, como jogador.

Ficou mais chato?
- Sinceramente, não acho. Estamos sujeitos a julgamentos, mas o que importa é nossa consciência. Não ter maldade em nossas atitudes ou palavras. Vivemos no país da emoção, onde todo mundo ama o futebol e está de olho. Socialmente estamos um pouco bagunçados e isso acaba refletindo. O mais importante é manter uma boa conduta e entender a frustração de algumas pessoas, até a agressão em alguns momentos. Estamos aqui para fazer o bem, dar exemplos, e, de alguma maneira, fazer as pessoas se alegrarem.

Diego e Robinho teriam espaço hoje em dia?
- Não vejo grande diferença neste aspecto. Eu e o Robinho já apanhamos bastante. Quando estava ganhando, a molecagem era maravilhosa. Quando perdia, era irresponsabilidade. Somos de um país gigantesco, com pessoas apaixonadas por esse esporte, que querem opinar, que muitas vezes se frustram com o que acontece e não conseguem separar a emoção da razão. Acabam ferindo as pessoas com palavras.

- Também tem a parte do jogador que acaba errando por ser inexperiente, imaturo, e isso toma proporções que não imaginamos. É natural. Acontece desde a minha época com o Robinho e nunca nos afetou. Tentamos sempre ser espontâneos, isso é o importante, sem ser malicioso com palavras e atitudes.

Diego no Morumbi x Vinícius no chororô
- Quando vi aquilo, imaginei. O importante é não ter maldade nas atitudes, e não vejo o Vinícius como maldoso, malicioso. Foi uma comemoração que achou que devia fazer e é natural que em um clássico esteja sujeito às pessoas não gostarem, mas tem que parar por ali essa insatisfação, a discussão. Tudo que aconteça além disso acaba prejudicando o futebol e os jogadores. O Vinícius, com certeza, não teve a intenção de desrespeitar. Foi mais a molecagem de brincar, aquela zoeira, e isso é compreensível.

Libertadores é uma competição que todos nós sonhamos, mas, se entrarmos com a obrigação, a chance de nos frustrar é grande.

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